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Rezar é entrar na intimidade com Deus e este diálogo de uma neta com a sua avó (nomes fictícios) vem avivar as memórias de quem pode e deve dar mais tempo aos pequenos. Só com tempo para a escuta dos outros se pode consolidar uma relação familiar que reforça laços e contorna as dificuldades que levam à ruptura.

Avó, ensinas-me a rezar?

Naquela tarde em que a menina Ana tinha ficado em casa da avó Teresa, surge dos seus lábios uma pergunta inesperada:  “Avó, ensinas-me a rezar?”

A avó Teresa bem sabia que os pais da sua neta muito querida não eram dados a falar com Deus, isto é, a abrir os seus corações para louvar e bendizer a Deus, pedindo-Lhe também a saúde e as forças para vencerem as dificuldades de cada dia.

“Diz lá, Ana, o que te preocupa?”, perguntou a avó, sem pressentir um ligeiro bater mais vivo do coração da sua neta, ansiosa pela resposta afirmativa e sem mais questões.

“É que agora que ando na catequese, a catequista tem falado muito que é preciso rezar. E rezar de manhã e à noite quando me vou deitar …”, disse a Ana num ápice. “Mas esqueço-me das palavras e também não percebo bem o que elas querem dizer!, mas como às vezes te vejo com o terço na mão…”

“Olha Ana”, atalhou a avó com satisfação pela surpresa do pedido da neta, “ já te tenho dito que quando rezamos, começamos por cumprimentar Nosso Senhor, fazendo o sinal da cruz e por isso dizemos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. É o sinal mais forte da nossa fé, que devemos fazer sem medo à frente de toda a gente.”

“Mas avó, eu não sei rezar o terço.”

“Não sabes por enquanto, mas eu posso explicar-te por palavras que entendas: o terço é uma grande oração que nos faz compreender como Deus nos ama e do bem que nos quer. E nós vamos rezando, dizendo sempre as mesmas orações para que o nosso coração também se aproxime do seu Amor”. “Quando pego na cruz que está na ponta do terço, eu lembro-me do grande Amor de Jesus por todos nós: os que viviam no seu tempo, os que viveram depois d’Ele e os que vivem hoje connosco neste mundo. Poderás ainda não compreender, mas Jesus veio ao mundo para nos tirar do pecado, para nos salvar”.

“Mas a seguir a esta cruz há aqui três bolinhas”, diz a Ana.

E prossegue a avó Teresa: “Essas três contas fazem lembrar as três Pessoas da Santíssima Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. É um só Deus que nós adoramos, mas em três pessoas distintas. E essa conta mais separada é para rezar a oração do Pai Nosso, a oração que o Senhor Jesus nos ensinou, porque Ele próprio também a rezou ao Pai do Céu.”

E prosseguiu: “O terço tem cinco partes. Fazem-me lembrar as cinco chagas de Jesus Cristo pregado na cruz e em cada parte (eu se chama mistério) tem 10 Avé-Marias, que me fazem lembrar os Dez Mandamentos que Deus entregou a Moisés.”

“O que é isso das cinco chagas?”, perguntou a Ana.

“As chagas são as feridas abertas nas mãos, nos pés e de lado no peito de Jesus”. “Foram as feridas feitas pelos homens maus que não compreenderam Jesus e por isso O condenaram à morte, mas de uma forma horrível, que foi pregado na cruz.”

“Credo, avó, os homens foram mesmo maus para Jesus!”

“É verdade, Ana, mas pela oração do terço, lembramos que Jesus venceu a morte, dando-nos um sinal bem vivo de esperança e dando sentido à nossa vida. Só assim percebemos bem quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Chama-se a isso a Salvação, porque Jesus nos mostra que é fácil viver sem pecado, basta que se siga tudo o que Ele nos ensinou”.

“E o que é que Ele nos ensinou, avó?”

“Jesus veio mostrar-nos o caminho para o Pai do Céu e ensinou-nos que acima de tudo devemos amar a Deus e aos outros”. “Ele até usou uma forma interessante de dizer isso, porque se nós gostamos de nós mesmos, também devemos gostar dos outros e de fazer o bem aos outros.”

“Pois, a catequista até disse que devemos amar os nossos irmãos; mas eu não tenho irmãos …”

“Amar os nossos irmãos significa amar todos aqueles que estão perto de nós, na escola, aqui no prédio, no nosso bairro, no trabalho do pai e da mãe. E também aqueles que não conhecemos, mas que precisam da nossa oração, como por exemplo um pobre ou um doente que esteja na sua casa ou no Hospital”.

“E eu para rezar por esses irmãos tenho de saber essas orações todas?”, continuava a menina preocupada.

“Não, para já” sossegou a avó. “Por enquanto vamos as duas conversar com Jesus com as nossas próprias palavras e mais tarde vais aprendendo as orações que a avó reza e outras que vêm no livrinho que a avó também usa.” “Agora que estamos na Quaresma, que é um tempo antes da Páscoa, vamos aproveitar para tu aprenderes a rezar pelos pais, para que eles também rezem por ti …”

“… e pela avó, também” atalhou a menina de imediato,

“Então está bem” respondeu a avó com satisfação e surpresa. “No fim dizemos Amén, que quer dizer o nosso SIM a Deus, o nosso amor e a nossa vontade de seguir os seus mandamentos.”

“E só depois é que podemos comer as amêndoas da Páscoa, não é avó?”


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Cristãos civilmente divorciados e recasados

A Equipa da Pastoral da Família da Paróquia de Nossa Senhora de Amparo de Benfica, tendo em conta as muitas situações de cristãos, civilmente divorciados e recasados, que vêm à Paróquia pedir o Baptismo para os seus filhos e igualmente a inscrição na Catequese Paroquial, resolveu reflectir sobre a Encíclica Familiaris Consortio do Papa João Paulo II. Sobre o assunto, diz-nos o Papa no referido documento:

“… Juntamente com o Sínodo exorto vivamente os pastores e toda a comunidade dos fiéis a que ajudem os divorciados procurando com solícita caridade, que eles não se considerem separados da Igreja, mas que podem e até devem, enquanto baptizados, participar na sua vida. Sejam exortados a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o Sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a incrementar as obras de caridade e as iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência, para assim implorarem, dia a dia a graça de Deus.”

(in Familiaris Consortio nº 84)

Com esta exortação tão clara, em reunião mensal da Equipa com o Prior, surgiu a ideia de promover um encontro para “divorciados, casados de novo”, propondo como tema “A educação dos filhos em casais recasados”. O assunto foi abordado efectivamente e debatido com profundidade e proveito de todos os presentes. Aconteceu também uma troca de experiências de vida, uma partilha sobre preocupações específicas, dificuldades, barreiras e formas de as ultrapassar. Mas fundamentalmente aconteceu um sentimento generalizado de comunhão e alegria por o encontro ter acontecido em ambiente e espaço da Igreja.

Assim o testemunhou um dos casais participantes:

“ … A “audiência” tornou-se uma extensão das mesas, pois, nem de propósito, era, toda ela, constituída por casos totalmente diferentes uns dos outros, quer em experiências vividas, quer em grupos etários, quer mesmo em resultados.

Foi um debate muito agradável e sobretudo muito enriquecedor, que apenas pecou pela nítida falta de tempo, mas valeu a pena e sobretudo para aqueles que, por se encontrarem nestas circunstâncias, por vezes mesmo de marginalização, desconhecem a existência destes colóquios tão úteis e congregadores.”

Entretanto, promovemos um segundo encontro no passado dia 24 de Outubro de 2010. Desta vez o tema foi: “A vida espiritual e o lugar na Igreja dos divorciados casados de novo: o que lhes diz a Igreja”.

Animaram este encontro, para além do nosso Prior, Cónego José Traquina, o Cónego Carlos Paes, Prior da Paróquia de S. João de Deus, onde funcionam, há vários anos, as Equipas de Santa Isabel, compostas por casais precisamente nessa situação de “recasados”.

Foi retomado o fio condutor da Familiaris Consortio, relativamente aos divorciados que contraíram nova união.

Aí foi reafirmada a disciplina da Igreja, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir os cristãos nessa situação à comunhão eucarística nem ao sacramento da reconciliação.

Mas aí foi, também, reafirmada a possibilidade de intervenção e participação destes “divorciados recasados” em várias áreas da vida comunitária da Igreja e foram indicados caminhos para o desenvolvimento da espiritualidade, para o crescimento na Fé e para a busca de Santidade.

Os participantes (assim o disseram) saíram com uma esperança renovada, sentindo-se acarinhados e consolados e mais uma vez foi retomado o desejo de realização de um novo encontro.

É o que vamos procurar fazer oportunamente, procurando colaborar deste modo para que, embora em situações familiares especiais, todos os cristãos sintam de perto a dignidade de filhos de Deus a que todos somos chamados.

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