A 9 de Julho, o Sudão do Sul vai tornar-se no 193º Estado em todo o mundo. Se a independência foi conquistada em referendo, com uma votação esmagadora, o futuro continua a ser incerto. Para muitos, só a Igreja tem capacidade para, no terreno, fazer com que esta aventura corra bem. Faltam apenas três meses.
Ainda não foi hasteada a nova bandeira. Efectivamente, ainda não há um país chamado Sudão do Sul, mas no Sul do Sudão, volvidos anos de guerra civil, depois de milhares e milhares de mortos, de atrocidades sem fim, os que por lá vivem já respiram de certa forma os ares da liberdade. Pelo menos aspiram a isso. A independência está agendada para 9 de Julho e será apenas um formalismo, pois falta quase tudo menos a esperança de que o novo país dê certo. E há quem faça de tudo para ajudar: quando alguém deseja inscrever os seus filhos na escola, precisa de medicamentos ou simplesmente de comida, só tem uma preocupação: pedir ajuda à Igreja, procurar apoio na paróquia, saber como o padre os pode ajudar.
O exemplo de Isoke
No Isoke, uma pequena cidade, dá-nos a pista de como o novo país está a sobreviver no dia-a-dia. A Irmã Pasquina dirige a escola, a Irmã Teresa supervisiona o hospital, enquanto o Padre James procura reunir de novo toda a comunidade. Enquanto isto, uma equipa de paroquianos tenta melhorar a produtividade agrícola, nomeadamente resolvendo o crónico problema do acesso à água. “Juntos, vamos conseguir; divididos, cairemos.” Na escola de Isoke, os jovens alunos oriundos de tribos vizinhas, entoam cânticos. As escolas geridas pela paróquia são frequentadas por mais de 800 alunos. As aulas de inglês são das mais concorridas. Apesar de haver um ambiente quase de festa, a euforia não esconde que falta quase tudo. A começar pelo espaço. A escola é pequena para tantos alunos que desejam aprender um futuro novo e, por isso, a paróquia teve de erguer tendas para fazer de salas de aula. A Irmã Pasquina explica a razão de tantos alunos para tão poucas salas de aula: “Há cada vez mais deslocados que vêm do Norte para o Sul do Sudão. As Nações Unidas trazem-nos para aqui e agora cabe-nos recebê-los e ajudá-los”.
O papel da Igreja
Ao fim de três décadas de guerra civil, no que diz respeito ao novo país, pode dizer-se que o Estado procura controlar a segurança, enquanto é a Igreja que vai assegurando a educação, os serviços de saúde, a distribuição da água, a agricultura. Foram mais de trinta anos em que todos aprenderam a sobreviver. Quando os aviões Antonov, do exército sudanês, bombardearam a zona, no ano de 2002, a Irmã Pasquina reuniu as crianças da sua escola e levou-as para as montanhas, onde estiveram a salvo das bombas que procuravam atingir os soldados rebeldes. E foi aí, nas montanhas, que as aulas prosseguiram.
Seis milhões de investimento
A cidade de Isoke é um exemplo local de como a região está a recuperar a normalidade, aos poucos. Os programas, desde a educação à saúde e apoio à agricultura, são coordenados pelas paróquias da Diocese de Torit, que, por sua, vez, é apoiada técnica e financeiramente por Organizações Não Governamentais. No corrente ano de 2011, a diocese espera gastar cerca de 6 milhões e meio de euros em projectos de desenvolvimento, quase metade do valor que as autoridades civis esperam investir em toda a região.
Assustadora mortalidade infantil
Neste momento, falta fazer quase tudo. A região tem um dos maiores índices de mortalidade infantil do mundo e a taxa de analfabetismo é esmagadora, com oito em dez pessoas a não saber ler nem escrever. O país, vindo de uma longa e tenebrosa guerra civil, não tem quadros preparados para as mais diversas áreas de Governo. O caminho para a profissionalização ainda é longo. A Igreja Católica, através de inúmeras instituições que estão no terreno, directa ou indirectamente, como é o caso da Fundação AIS (Ajuda à Igreja que Sofre), tem sido o garante de futuro para que a sombra negra da guerra não regresse e para que todos possam ter direito a um futuro digno. Ajudar estas instituições é absolutamente vital. Depois de terem escapado à guerra, os sudaneses do Sul têm agora de sobreviver à miséria.
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