Quando George Palliparampil, o actual Bispo de Miao, começou o seu ministério no Nordeste da Índia, o trabalho missionário era ilegal e, por isso, foi obrigado a passar até por interrogatórios na polícia. Hoje, o lar missionário de Dom Palliparampil é o lugar onde a Igreja Católica mais cresceu nos últimos 30 anos…
As conversões estão proibidas mas, mesmo assim, todos os anos se registam nesta região qualquer coisa como dez mil baptismos por ano. Hoje, cerca de 40% dos quase um milhão de habitantes de Arunachal Pradesh são católicos e o número continua a crescer. O Bispo Palliparampil, de 56 anos, revela os desafios e o segredo da evangelização entre as populações tribais indianas, zona montanhosa em que os nativos, há seis décadas, eram caçadoras de cabeças de cultura pagã, ou seja, sem religião organizada.
Cultura animista
Hoje, haverá menos de trinta tribos, que se subdividem em mais de uma centena de grupos, cada um com o seu próprio dialecto e cultura. Na sua maioria, adoram os poderes da natureza. Como diz D. Palliparampil à agência Zenit, “a palavra ‘animismo' descreve-os muito bem. Tudo tem a ver com os espíritos, tanto bons como maus. Se ocorre algo bom, é porque há um espírito bom. Se acontece algo mau, é que há um espírito mau. Tem de se fazer um sacrifício propiciatório para apaziguar este espírito mau”. No entanto, acrescenta o prelado, há o conceito de Deus. “Por exemplo, o povo Tani crê em um ancestral comum. Estudei a sua cultura e é muito similar ao que lemos no livro do Génesis. Crêem em um só Deus. O sol e a lua são os dois olhos de Deus, através dos quais Deus nos vê. O Abotani - o primeiro pai - teve só dois filhos, como Caim e Abel, e assim continua o relato…” Neste caldo de cultura muito própria, pode dizer-se que o Cristianismo teve sempre um espaço próprio para poder actuar, para se apresentar. “De facto, os grupos Tani dão-se conta de que são parte de uma religião mundial. Temos também a famosa cruz Mishmi. Há alguns grupos de Mishmis que tatuam uma cruz nos corpos, mas ninguém sabe algo sobre a origem desta tatuagem.”
A caminho da prisão
De qualquer forma, não é, nem foi fácil o trabalho dos missionários na Índia, em especial nesta região. Há obstáculos impostos não só pela cultura pagã, mas também pelas restrições colocadas pelo Governo indiano, que, até há pouco tempo, não permitia aos cristãos o exercício do seu ministério na região de Arunachal Pradesh. O bispo recorda-nos os percalços do seu trabalho em nome de Deus. “A minha primeira visita foi a uma aldeia chamada Pappu nala, onde 400 pessoas se reuniram para celebrar o Natal. Quando chegámos ao lugar, encontrámos a aldeia cercada pela polícia e tivemos de ir embora. No caminho, fui detido. Fiquei preso até à madrugada. Interrogaram-nos, mas, em vez de isso me assustar, deu-me determinação para fazer algo ali, onde encontrámos pessoas famintas de fé, de ter culto - tudo o que não podiam ter.”
A chave do sucesso
Para o Bispo Palliparampil, a explicação do sucesso do trabalho missionário reside no facto de que estes povos “querem alguém que os ame - esta é minha experiência.” “Encontrei uma aceitação de 100 % e para que compreendam o que digo, no momento em que as pessoas da aldeia de Pappunala souberam que tínhamos sido detidos, 300 foram à esquadra, com facas, espadas e tochas, e cercaram-na.” E, apesar dos esforços do chefe da esquadra, a multidão só abandonou o local quando os padres foram libertados e, para se asseguraram de que nada de mal lhes poderia acontecer, escoltaram-nos de volta até à missão. Criou-se um tal sentimento de unidade que o bispo, hoje, diz que pertence à comunidade. “Eu sou um deles.”
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