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P. Raymond Abdo, superior dos Carmelitas no Líbano, em entrevista exclusiva à Fundação AIS: ?Os muçulmanos precisam de Cristo?
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O Médio Oriente está em ebulição. Revoltas populares estão a fazer tremer regimes de décadas. Numa zona do globo maioritariamente muçulmana, o Líbano é o único país da região em que o presidente é cristão. O P. Abdo, superior dos Carmelitas, explica como é possível, por amor a Jesus, contrariar a linguagem do ódio…

O seu país, o Líbano, é o único em todo o Médio Oriente em que o líder – o presidente Michel Suleiman – é cristão. Podemos dizer que o Líbano é um bom exemplo de convivência inter-religiosa?

O nosso país é seguramente um exemplo muito importante. É por essa razão que João Paulo II disse, quando nos visitou, que o Líbano é uma mensagem para a humanidade e não apenas um país. O presidente Michel Suleiman pediu às Nações Unidas que considerassem o Líbano como um campo de diálogo entre culturas e religiões. No Líbano existem todas as grandes religiões e todos os dezoito ritos estão representados no Governo.

 

Como entende esta onda de contestação que está a grassar nos países árabes e que já levou a mudanças nas chefias de governos e ao afastamento dos líderes políticos, como na Tunísia ou no Egipto?

Penso que a justiça é a única solução para todos os problemas no mundo. Todos os países que não respeitam os direitos humanos um dia terão de ser substituídos pela vontade humana, pelo povo, porque a humanidade procura a liberdade e a justiça. Descobri que o ódio entre religiões e partidos políticos ou grupos étnicos… todos estes problemas podem ser resolvidos apenas com a fé cristã. Jesus salvou-nos amando-nos até à morte. Nós, os cristãos, temos algo a dizer a este mundo cheio de raiva.
Os cristãos nestes países podem ajudar. Mas há uma grande diferença entre o ponto de vista política e o ponto de vista cristão. Nos países árabes ainda temos de esperar, rezar e ajudar, para que a solução real chegue um dia, a fim de termos a liberdade de falar de Cristo, sem medo, aos muçulmanos e às outras religiões. Eles precisam de nós, precisam de Cristo.

 

Haverá o risco de estes países, que estão em plena ebulição contestatária, se tornarem terreno fértil para a intervenção de radicais religiosos, nomeadamente islâmicos?

Já é e assim será durante um tempo. Penso que os grupos radicais islâmicos não são grupos religiosos, mas grupos políticos que ajudam a mudar a situação. Mas sabemos que existem radicais na parte xiita do Líbano, e de todos os países vizinhos, e também na parte sunita. Temos este medo, sim, mas também temos esperança na nova geração que poderá efectuar outras mudanças. Temos um grande campo de diálogo entre os cristãos e os muçulmanos, e a Verdade é mais forte que o Mal.

 

O P. Raymond é superior dos Carmelitas no Líbano. De que forma pode a Ajuda à Igreja que Sofre ajudar a vossa missão?

Em primeiro lugar, quero agradecer tudo o que a AIS já fez por nós. A AIS está a ajudar-nos naquilo que é mais importante: na formação das novas gerações de religiosas e sacerdotes. O projecto mais importante da Igreja tem de ser ajudar os cristãos a permanecer nos seus países e a não cair na tentação de sair para a Europa, os EUA ou a Austrália. Penso que os cristãos que abandonam o Médio Oriente cometem um pecado, porque deixam a terra aos outros sem darem testemunho de Cristo. É muito difícil viver como uma pequena minoria nestes países, mas é nossa missão ficar e a AIS pode ajudar-nos a ficar, ajudando na formação de bons líderes espirituais das nossas comunidades e também na formação de leigos. A AIS já nos ajuda em muitos projectos que fortalecem as nossas congregações e comunidades.

 

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Há 40 anos, o Líbano era o único país do Médio Oriente com uma maioria cristã de cerca de 70%. Actualmente, os cristãos já só representam 45% da população. A Fundação AIS apoia os Carmelitas na formação das novas vocações e na reabilitação dos mosteiros. Além disso, também apoia os religiosos com estipêndios de Missa.

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