As oito balas cravejadas no corpo de Shahbaz Bhatti foram o último argumento para que a incómoda voz do ministro para as Minorias do Paquistão acabasse de vez com a sua campanha para modificar a Lei da Blasfémia. Bhatti, cristão, 42 anos, sabia que corria risco de vida. Disse-o até num vídeo que gravou para o caso de vir a ser assassinado. Agora, o mundo conheceu nas suas palavras a força da coragem da fé. Ainda há poucos dias, ao jornal espanhol El País, afirmava: “Sou o alvo número um dos talibãs, por querer mudar a lei da Blasfémia. Recebo todo o tipo de ameaças, mas estou comprometido com a causa. Sei que podem matar-me.” E mataram. Como antes, há menos de dois meses, foi assassinado o governador do Pundjab, atingido a tiro pelo próprio guarda-costas. Também ele estava empenhado na luta pela reforma da Lei da Blasfémia.
Futuro de incerteza
Agora, a morte de Batthi veio deixar ainda mais órfãos e apreensivos os cristãos do Paquistão. Para esta pequena minoria – são apenas 1,5 % da população do país – os próximos tempos serão difíceis. A Lei da Blasfémia tem provocado um clima de intolerância religiosa para as minorias. Um observador da Human Rights Watch, afirmou mesmo que se está a viver “uma situação de terror no Paquistão”. A notícia do assassinato do ministro para as Minorias gerou um coro de protestos em todo o mundo. O Papa afirmou-se “chocado” e, na Santa Sé, o porta-voz do Vaticano, P. Federico Lombardi, fez uma declaração em que sublinhou a extrema gravidade deste atentado, afirmando que o assassinato é “um novo acto de violência de terrível gravidade”. “Isso demonstra quão oportunas são as intervenções do Papa Bento XVI sobre a violência contra os cristãos e contra a liberdade religiosa em geral.” “Bhatti – afirmou o porta-voz – era o primeiro católico a desempenhar um cargo semelhante” no Paquistão. “Recordemos que tinha sido recebido pelo Santo Padre em Setembro passado e tinha dado testemunho de seu compromisso com a convivência pacífica entre as comunidades religiosas do seu país.” “À oração pela vítima, à condenação pelo inqualificável acto de violência, à proximidade aos cristãos paquistaneses tão atingidos pelo ódio une-se o apelo para que todos se dêem conta da urgência dramática da defesa da liberdade religiosa e dos cristãos objecto de violência e perseguição”, concluiu. Por sua vez, a Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse ter ficado “chocada e ultrajada” com a notícia da morte de Bhatti.
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A FUNDAÇÃO AIS LUTA PELA VIDA DE ASIA BIBI
A Lei da Blasfémia, que está a gerar tanta controvérsia no Paquistão, ganhou actualidade com a condenação à morte, em Novembro do ano passado, de uma cristã, Asia Bibi, de 45 anos. Esta mulher foi detida por populares que a acusavam de ter difamado o nome do profeta Maomé. A legislação paquistanesa pune, com a pena de morte, todas as blasfémias contra o Islão. O drama é que facilmente se tem vindo a usar esta Lei com propósitos apenas de vingança. A maior parte dos acusados pertencem a minorias étnicas ou religiosas. O caso de Bibi, que a comunidade internacional tem vindo a acompanhar, é seguido com toda a atenção pela Fundação AIS, que tem procurado alertar consciências sobre a condenação à forca desta mulher que foi acusada de difamar o nome de Maomé numa discussão sobre partilhas de água potável.
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