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Manuel Chilingutila, missionário angolano na Europa: De Angola a Turim por Beja e Lisboa
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Angola faz 50 anos do início da Guerra Colonial e celebra 35 de Independência. Foi nesse ano de 1975 que, nas periferias do Huambo, nasceu o P. Manuel Chilingutila. Cresceu em tempo de guerra e viveu a alegria da paz em 2002, ano em que se fez Espiritano. Ordenado Padre, foi nomeado para Portugal onde esteve na origem das Comunidades de Castro Verde e Mértola. Acaba de ser nomeado para uma nova Missão entre os Migrantes das periferias de Turim.

Huambo, em tempo de guerra

Nasceu nas periferias pobres do Huambo a seis meses da independência, quando tudo fervia em Angola. Entrou no Seminário Espiritano em Malanje em 1991, durante um período de pausa breve na violenta guerra civil que arrasou Angola durante 27 anos. Com o recomeçar da guerra, após as eleições de Setembro de 1992, os Superiores mandaram os seminaristas para as famílias e o Manuel conseguiu, com dificuldade, regressar ao Huambo. Nos complicados tempos das ‘rusgas’ (captação à força dos jovens para serem militares nas frentes dos combates), ele lá foi conseguindo safar-se até que, em 1998, entrou no Seminário de Filosofia, no Huambo, reiniciando um caminho que só os combates fizeram adiar.

O Munhino, nas periferias da cidade do Lubango, acolheu-o no ano de Noviciado. Professou em 2002, fez a Teologia no Seminário Maior do Huambo e foi ordenado Diácono (2006) e, depois, Padre (2007), por D. José Queirós Alves. Ambas as celebrações aconteceram na Igreja da Tchiva, seu bairro natal, tão flagelado pela guerra, sobretudo nos anos 1993 e 94 em que o Huambo foi arrasado.

 

De Angola a Portugal

A nomeação missionária do P. Chilingutila foi para... Portugal, país que pisou, pela primeira vez, a 4 de Fevereiro de 2008, dia feriado nacional em Angola que deu o nome ao Aeroporto Internacional de Luanda. Acompanhei-o nesta viagem, pois tinha ido orientar o Retiro e fazer uma Conferência no Capítulo Provincial dos Espiritanos de Angola. Senti nele a ansiedade típica de quem muda de mundo, habituado desde sempre a viver em contexto de guerra e sem qualquer noção da Europa que o esperava. O calor abafado de Luanda contrastava com o frio e a chuva que nos esperava em Lisboa. Foi o primeiro choque. Depois, pouco a pouco, foi-se habituando a esta terra e a esta Igreja onde viria a exercer o seu ministério como padre missionário.

 

De Castro Verde a Mértola

O Alentejo foi a sua primeira ‘terra de Missão’, indo montar a sua tenda em Castro Verde. Foi outro choque. Não imaginava que Portugal tivesse comunidades cristãs tão pequenas. Não lhe passava pela cabeça que, numa terra de missionários, houvesse povoações onde quase ninguém ia à Missa, onde Deus parecia não contar para nada. Mas gostou de estar com as pessoas, conversar com elas, acompanhá-las nas horas alegres e nas horas de sofrimento. Gostou do povo de Castro Verde que o acolheu bem. E quando estava a conhecer bem a realidade, quando já entrava na casa e na vida das pessoas, foi tempo de desarmar a tenda e partir outra vez. Por opção pastoral, os Espiritanos deixaram Castro Verde e foram até Mértola, lá bem na raia de Espanha, para tomar conta de todo o município e suas comunidades. O P. Manuel sentiu que estava a recomeçar tudo outra vez, dois anos depois da sua chegada ao Alentejo. E lá partiu. Respondeu a novos desafios e arranjou novos amigos, sempre mais fora das paredes da Igreja do que dentro delas, quase sempre vazias.

 

Turim, com os Migrantes

Na Missão, como em tudo na vida, não fazemos o queremos nem o que programamos. Do Conselho Geral, de Roma, veio um apelo para que Portugal disponibilizasse um Padre para a nova comunidade a fundar em Turim, com o objectivo de acompanhar migrantes. Depois de alguma reflexão, o Conselho Provincial achou que o P. Chilingutila era quem reunia as melhores condições para responder a este apelo, bem na linha do carisma espiritano. Feito o convite, a resposta foi ‘sim’, como sempre na vida do P. Manuel.

Agora, em Lisboa, prepara-se para a nova Missão, estagiando no Centro Padre Alves Correia porque os migrantes, em Portugal como em Itália, sofrem dos mesmos males e precisam de apoios idênticos.

A Missão continua por terras de Itália.

  

 

PERFIL

 

1975 – Nascimento na Tchiva, Huambo

1991 – Entrada no Seminário, em Malange

2002 – Profissão Religiosa no Munhino, Lubango

2007 – Ordenação Presbiteral na Tchiva, Huambo

2008 – Missão em Castro Verde, Beja

2009 – Missão em Mértola, Beja

2011 – Nomeação para a Missão em Turim

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