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Bodas de Diamante do Seminário de Almada: 75 Anos ao serviço
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‘75 Anos ao serviço’ é a frase que claramente se podia ler logo à entrada do Seminário de São Paulo em Almada. No dia 25 de Janeiro, festa da Conversão de São Paulo, aquela casa celebrou solenemente as bodas de diamante, partilhadas entre Lisboa e Setúbal. As comemorações contaram com a presença de várias individualidades, entres as quais se destaca D. José Policarpo, Cardeal-Patriarca de Lisboa e antigo aluno daquela instituição, que presidiu às celebrações.

Olhar para o passado do Seminário, recordando com saudade os tempos ali passados mas reflectir com os olhos postos no futuro, atendendo aos desafios da formação sacerdotal nos dias de hoje. Foi assim o pano de fundo da festa no Seminário de São Paulo, em Almada, na passada terça-feira.

A festa começou às 15 horas quando ao Seminário de São Paulo começaram a chegar os antigos alunos daquela instituição e muitas outras personalidades. Entre elas, para além do Cardeal-Patriarca, estavam D. Gilberto dos Reis, actual Bispo de Setúbal, D. Manuel Martins, Bispo Emérito de Setúbal, e D. João Alves, Bispo Emérito de Coimbra que foi Vigário Episcopal da Região Pastoral de 1966 a 1975, ano da criação da Diocese de Setúbal.

Em 75 anos de história foram cerca de 2200 os estudantes que por ali passaram, mas só 400 foram ordenados presbíteros. Estiveram nas celebrações cerca de 150 alunos, como nos confirmou o actual vice-reitor, Padre Rodrigo Mendes.

Na realidade, muitos seriam aqueles que gostariam de estar ali naquele dia. O vice-reitor lembrou, nomeadamente, o Cónego José Amaro que foi o primeiro director espiritual do Seminário. “Hoje com 100 anos de idade, telefonou dizendo que tinha muita pena de não poder vir mas que recordava, com saudade, os primeiros dez anos da sua vida de sacerdote passados aqui”, confirmou o Padre Rodrigo.

A tarde de convívio iniciou-se com uma breve visita às instalações, após a qual teve lugar a apresentação de um pequeno roteiro histórico e artístico sobre os 75 anos do Seminário. Seguiu-se depois uma conferência do Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, sobre a formação sacerdotal.

 

Uma aventura

“Esta foi uma casa onde a formação não foi teoria mas foi aventura, foi busca de soluções, foi serviço da Igreja e serviço das pessoas que por aqui passaram. Esta casa mostra-nos que a formação sacerdotal não é desligável da formação humana. Não é um programa que se execute mas antes uma aventura da vida”, disse o Cardeal-Patriarca.   

Considerando que falar de formação sacerdotal nos dias de hoje ultrapassa em muito o tempo e as paredes de uma instituição como o Seminário, D. José Policarpo disse ainda: “Os seminários como os temos hoje foram instituições que sempre tentaram acertar o passo com a evolução da sociedade mas não talvez suficientemente. Tenho continuamente dentro de mim a pergunta: até quando esta instituição como ela foi concebida será o ritmo indicado para a formação dos sacerdotes para o século XXI? Mas deixemos isso entregue ao Espírito Santo que no Seu tempo nos dará a resposta”.

Logo no início da conferência, D. José Policarpo disse que a mesma iria ser uma conversa informal, e assim foi. Partilhando a sua experiência pessoal em 50 anos de sacerdócio, o Cardeal referiu que muitas vezes sentiu que o contacto com o povo de Deus, com os seus problemas e com a sua busca de fidelidade o ajudaram a perceber qual o caminho que deveria tomar enquanto Pastor da Igreja. “Formação sacerdotal é descobrir isto: uma paixão pelo Senhor e pela Igreja e a maneira de a pôr em prática no contacto com o concreto das pessoas concretas a quem somos enviados”, disse.

Salientando ainda que a vocação sacerdotal hoje é posta em causa pela cultura contemporânea, o Cardeal-Patriarca concluiu dizendo: “Vale a pena continuarmos, nós Igreja, a ajudar os nossos Padres a serem para nós o desafio do que nós queremos ser, a acender na sua capacidade humilde de servir o nosso desejo de sermos irmãos para todos os Homens”.

 

Padres de Cristo

Neste grande dia de festa, D. Gilberto dos Reis, Bispo de Setúbal, formulou o desejo de que este tempo seja de desafios para o clero, para os religiosos e leigos dizerem ao Seminário como querem os seus padres: “Precisamos de Padres com esta paixão por Cristo, com esta esponsalidade com Cristo, Padres apaixonados pelo seu povo, apaixonados pelos Homens de hoje, crentes ou não crentes, Padres que sejam um só coração e uma só alma sendo capazes de, no meio da noite em que vivemos, dizer a todos que há estrelas, que há sentido na vida”.

Referindo que o Seminário de São Paulo foi verdadeiramente um coração para Lisboa e tem sido um coração para Setúbal, o prelado disse: “O Seminário tem que continuar a ser um coração para Setúbal o que implica, por um lado o desafio da diocese colocar o Seminário cada vez mais no seu coração e, por outro lado, cada instituição envolver-se cada vez mais em ajudar o Seminário a formar os padres que são necessários”.

 

Casa aberta

Já o Padre Rodrigo Mendes, actual vice-reitor do Seminário, onde estão neste momento nove seminaristas e três diáconos a concluir a sua formação, referiu que o mesmo “continua a ter como pólo central e função fundamental a formação de jovens em ordem ao sacerdócio” mas que, dada a sua dimensão e as suas possibilidades, o Seminário poderá cumprir também outras funções.

“Actualmente, o Seminário Maior de São Paulo é o lugar de formação permanente do clero, particularmente da Diocese de Setúbal e também de outros grupos de Padres e de leigos que aqui vêm fazer as suas formações e os seus retiros. O Seminário está também à disposição, segundo as suas possibilidades, da população de Almada. Ultimamente tem funcionado aqui a Universidade Sénior de Almada”, revelou o sacerdote.

A festa prosseguiu com a Eucaristia, presidida pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, seguindo-se depois o jantar-convívio e a actuação musical de Rão Kyao.

texto por Anabela Sousa, fotos por Bruno Leite
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