A proximidade e a celebração do Natal trazem à memória e à atenção mediática a situação dos cristãos na Terra Santa, cujas comunidades enfrentam um sério risco de extinção.
Uma das preocupações do recente Sínodo dos Bispos para o Médio Oriente, em Roma, era o êxodo em massa das populações cristãs dos vários países da região e a consequente diminuição do seu número, precisamente na região que viu nascer e se desenvolver o Cristianismo.
Em 1948, na véspera da proclamação unilateral da criação do Estado de Israel, os cristãos formavam 28% da população palestina. Hoje, numa população de quase sete milhões, eles não representam mais que 2 a 3%.
Neste contexto, encontra-se Arrabeh, uma aldeia vizinha de Nazaré. Também aqui vivem carpinteiros. Alguns são cristãos. De vez em quando, vão a um casamento — por vezes, na vizinha Caná. Aos domingos e feriados reúnem-se na pequena “igreja da Virgem Mara”. Aí, Cristo está no meio deles.
Os 300 cristãos católicos melquitas representam uma minoria, apesar dos muitos nomes e circunstâncias que recordam a vida de Jesus. Daí que a sua presença assuma ainda maior importância.
A pequena igreja simboliza esta presença. Na sua visita Terra Santa, em Maio de 2009, o Papa Bento afirmou durante a missa em Nazaré - diante de sessenta mil peregrinos e fiéis, entre os quais também muitos muçulmanos: “Exorto todas as pessoas de boa vontade de ambas as comunidades religiosas a rejeitar o poder destruidor do ódio e do preconceito, que matam a alma humana antes ainda que o seu corpo!” Em vez disso, deviam ser lançadas pontes para uma convivência pacífica.
A “igreja da Virgem Maria” é uma ponte dessas. Consolida a comunidade e a fé, permitindo assim uma convivência de igual para igual.
A história de algumas localidades desta região remonta a quase três mil anos e é assim também com Arrabeh.
O cristianismo marca presença aqui há dois mil anos — no verdadeiro sentido da palavra. Há fontes históricas que referem estas comunidades já no século I. Gostam de viver e trabalhar aqui na terra que Jesus pisou e onde, em criança e como carpinteiro, viveu e trabalhou recatadamente durante 30 anos.
Os cristãos católicos melquitas (uma confissão de rito bizantino unida a Roma) representam cerca de 5% da população de Arrabeh, sendo os restantes 95% muçulmanos. A sua igreja é um símbolo, mas ameaça tornar-se sinal de decadência se não for restaurada e ampliada.
Com os seus 150 metros quadrados, já não tem capacidade para albergar todos os fiéis, sobretudo em dias de festividade, nos quais muitos têm de ficar à porta. Acrescem agora 50m2 e duas pequenas torres com sino. As badaladas e os cânticos em comunidade na igreja fomentam imensamente a consciência de unidade e da própria identidade num contexto islâmico.
Cria raízes nos corações, mais profundas ainda do que o sentimento patriótico. Aqui, está em marcha a construção da Jerusalém celeste. Por isso, a Ajuda à Igreja que Sofre prometeu apoio ao arcebispo Elias Chacour e à sua importante comunidade de Arrabeh, num total de 25 mil Euros.
Na sua recente mensagem para o Dia Mundial da Paz, o Papa lembrou de modo especial a Terra Santa, “lugar escolhido e abençoado por Deus”.
“Ao mesmo tempo que lhes renovo a expressão do meu afecto paterno e asseguro a minha oração, peço a todos os responsáveis que intervenham prontamente para pôr fim a toda a violência contra os cristãos que habitam naquelas regiões. Que os discípulos de Cristo não desanimem com as presentes adversidades, porque o testemunho do Evangelho é e será sempre sinal de contradição”, disse.
O eclodir da guerra no Iraque e, sobretudo, o arrastar do conflito entre Israel e a Palestina estão na base do êxodo das comunidades cristãs no Médio Oriente, colocando em causa o futuro do Cristianismo na região.
Egipto, Irão, Jordânia, Líbano e Síria são outros locais onde a presença cristã está em declínio, apesar de uma relevância histórica muito significativa.
Nas Igrejas desta zona geográfica, a emigração é particularmente prevalente por causa do conflito israelo-palestiniano e a resultante instabilidade em toda a região. A persistência de conflitos armados tem sido explorada, no Médio Oriente, pelos elementos mais radicais no terrorismo global.
Estes conflitos regionais tornam ainda mais frágil a situação dos cristãos, que se encontram também entre as vítimas principais da guerra no Iraque.
No Líbano, os cristãos estão divididos no plano político e confessional. No Egipto, o crescimento do Islão político e o desempenho, em parte forçado, dos cristãos em relação à sociedade civil expõem as suas vidas a sérias dificuldades.
Na Turquia, o conceito de laicidade cria ainda problemas à plena liberdade religiosa do país. Noutros países, as ditaduras levam a população, inclusivamente os cristãos, a tudo suportar em silêncio para salvar o essencial.
Esta presença bastante reduzida é uma consequência da história e os dados confirmam essa quebra estatística, numa região em que os católicos representam apenas 1,6% da população.
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