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Para melhor viver o Advento vamos ao encontro de muitos pais e padrinhos que têm dificuldade em explicar aos mais novos o real significado deste tempo que nos leva ao Natal. Oferecemo-vos um texto adaptado aos mais pequenos e que pode ser aproveitado como Auto de Natal.

Para os mais velhos, fica uma recomendação cinematográfica: um hino ao amor que vence o mal, baseado num facto verídico.

Para todos os nossos leitores os melhores votos de Feliz Natal em espírito de Família.

O Verbo de Deus virá até nós

 

Peça de teatro em um acto ou aula de catequese

 

Personagens: Criança de 9 / 10 anos (menino ou menina) e a sua/seu catequista.

Espaço – uma sala de catequese com cadeiras colocadas em semi-círculo.

           

No final da aula de catequese, um menino (a) (ou mais personagens) fica para o final e aborda a catequista.

 

- Catequista, posso fazer uma pergunta? Tenho andado a pensar e não sei qual a resposta.

 

- Diz …! O que te anda a fazer confusão? Alguma coisa que eu expliquei?

 

- É assim, outro dia falou sobre o Verbo de Deus e eu não entendi…

 

- Se bem te recordas, eu li um excerto da Bíblia…

 

- Sim, era de São… Ora, já não me lembro…

 

- S. João. Diz S. João “no princípio era o Verbo” (Jo 1,1). Ora isto quer dizer que no princípio de tudo já existia Deus nas três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. E diz ainda S. João, queres ouvir? (pega na Bíblia, folheia e lê)

 “Estava no mundo e o mundo foi feito por Ele, mas o mundo não O conheceu, veio ao que era Seu e os Seus não O reconheceram,” (Jo 1, 10) (Fecha a Bíblia e continua)

 Repara bem, isto quer dizer que Jesus, nosso Senhor, apareceu na terra e conviveu com os homens. Os homens viram-n’O e não O quiseram receber.

É exactamente o que se passa hoje, na nossa sociedade, que volta as costas a Deus.

 

- Mas o Natal vem lembrar todos os anos que Deus veio à Terra, não é?

 

- Hoje e aqui, como em toda a parte da Terra, preparamo-nos para a vinda do Salvador, para celebrarmos a vinda de Jesus, Filho de Deus. Ele que nos mostra quem é o Pai do Céu, que vai nascer como qualquer um de nós e se faz homem, para nos mostrar como é o Pai e o que o Pai quer para nós.

 

- Então Ele pensa como o Pai? Que confusão! Eu não penso nada como o meu pai. Às vezes até me aborreço com ele e chamo-lhe “cota”. E ele fica fulo…

 

-Mas estamos a desviar-nos da nossa conversa. Estava eu a dizer que Jesus é a expressão fiel e a imagem perfeita, a palavra e o pensamento do Pai. É o mesmo que se fez homem por amor a cada um de nós. Por amor a ti e a mim, percebes?

 

- Assim, assim, catequista. Mas isso do “Verbo(faz uma expressão de estranheza, encolhendo os ombros ou franzindo a testa). É uma palavra que me faz confusão. Lembro-me sempre dos verbos que a professora de Português nos obriga a decorar (com ar e voz de quem não gosta): eu sou, tu és, ele é …

 

-Mas é isso mesmo. Ele é (enfatiza a catequista). O Verbo de Deus é Jesus que, como o Pai do céu, É Aquele que É. Diz a Bíblia, lembras-te? “Eu sou Aquele que sou”( Ex 3, 14 ). Aquele que existe e marca a nossa existência, a nossa vida com um amor tão grande, tão imenso, que nós só percebemos uma pontinha, uma pequena parte.

 

- É como eu, há muita coisa que eu não percebo. E quanto mais cresço mais confuso/a fico. Isto não devia ser assim, pois não catequista?

 

- É mesmo assim. Quanto mais cresces, mais a tua cabecinha exige respostas às tuas perguntas. (Enfatiza) E eu fico muito contente de estar a ter esta conversa contigo. És um/a menino/a muito precoce…

 

- Então não são palermices estas minhas ideias, pois não? Às vezes tenho medo de colocar todas as questões que me aparecem na cabeça…

 

- Ainda bem que estás a falar comigo. Ora vamos lá continuar com o nosso raciocínio. Vamos falar mais um pouco do Filho de Deus.

 Na Sua vida na Terra, ao longo de vários anos, Jesus foi-se dando a conhecer. Foi mostrando que nos quer amar e quer que os homens O reconheçam como Mestre, como Enviado por Deus. Ele quer tanto estar com cada um de nós!

 

- Mas isso é difícil…

 

- Não! Ora lembra-te lá da história que vos contei de Mateus.

 

- Quando Jesus encontrou Mateus, disse-lhe “Segue-me” (Mt, 9, 9), não foi?

 

-Isso mesmo! Recorda agora quando encontrou Zaqueu em cima de uma árvore e lhe disse “Zaqueu, desce depressa, pois tenho de ficar na tua casa” (Lc 19, 5).

 E olha que Zaqueu não era um homem que se portasse muito bem …

 

- Também eu às vezes não me porto lá muito bem. Pelo menos é o que os meus pais me dizem sempre, “se fosses obediente, serias um exemplo”. Também não sei porque é que eles estão sempre a insistir comigo para ser um exemplo …

 

- Naturalmente, porque ao obedeceres, mostras a teus pais que os amas. E não há coisa mais agradável para os pais do que eles sentirem que tu, como filho/a, correspondes ao amor que eles te dão. Por isso, guarda a Palavra de Deus com amor e usa-a nos teus gestos e nas tuas atitudes para com os outros e verás que consegues ser um exemplo.

 

- Como é que eu posso guardar a Palavra de Deus? Ó catequista, estamos a ter uma conversa muito séria, não é? Acho que vou contar tudo aos meus pais. Sim, porque se falasse com os meus amigos, eles achavam-me um/a totó.

 

- Mas podes explicar-lhes estas coisas de forma simples. Olha, por exemplo, tal como não te esqueces de comer, para alimentar o teu corpo, não te esqueças de ouvir a Palavra de Deus, para que ela seja alimento da tua alma.

 

- Mas, catequista, então o Natal não é apenas, como é para alguns, uma época de troca de prendas. É um momento em que devemos pensar nos outros, escutando com alegria no nosso coração o que Deus nos quer dar: todo o Seu amor!!  Boa catequista, acho que percebi tudo. Agora vou para casa contar aos meus pais. Acho que hoje cresci um bocadinho, não foi catequista?

 

- Muito, posso dizer-te. Foi a conversa mais interessante que tive com os meus meninos nos últimos anos. Adeus, Ana/António! E se não nos virmos entretanto, um Santo Natal.

 

Ana/António dá um beijo à catequista que o/a envolve num abraço e lhe dá um beijo na cabeça

 

 


O Amor mais forte do que o ódio

 

Está nos cinemas um filme que recomendamos pela sua mensagem de firmeza na fé. Assente num acontecimento real de perseguição e chacina em 1996 na Argélia, Dos homens e dos deuses, aborda os últimos momentos da vida dos monges trapistas do mosteiro de Nossa Senhora do Atlas, na Argélia, raptados por um grupo terrorista de matriz islamista, e depois assassinados em condições ainda não bem esclarecidas, em 1996.

Um sucesso esperado junto do público católico, mas também um inesperado sucesso junto de não crentes, atraídos pela qualidade artística do filme (seleccionado como candidato francês ao Óscar) e, sobretudo, pelo testemunho desses homens e as questões que ele coloca sobre o sentido da vida, do amor e da morte.

O enredo do filme centra-se no dilema destes monges que, perante as ameaças que pairam sobre os estrangeiros que habitam a Argélia, correm risco de vida e enfrentam a decisão de deixar, ou não, o local onde vivem há anos, partilhando a vida simples e pobre da população local, a quem um deles presta serviços médicos gratuitos, numa harmonia que supera as diferenças entre cristãos e muçulmanos.

São pessoas comuns, não são heróis sobre-humanos e querem viver. Mas, por outro lado, não querem ceder perante quem quer impor a sua vontade com a força das armas e, sobretudo, sentem que a sua missão junto daquele povo não está terminada; que escolheram partilhar a vida desse povo e com ele se querem identificar também na pobreza de quem não tem meios de fugir; que não podem abandonar esse povo aos terroristas, porque «o pastor não abandona as suas ovelhas quando vem o lobo».

Se não por fosse por outro motivo, o facto de o testemunho destes homens chegar agora a tanta gente pelas telas dos cinemas, ajudando-as a aproximarem-se de Deus, faz-nos ver que esta morte não foi sem sentido e que o martírio é fecundo, como se diz desde a Antiguidade. É graças a pessoas como eles que é possível «acreditar que o amor é mais forte do que o ódio, que a vida é mais forte do que a morte, porque só quem tem uma razão para morrer, tem uma razão para viver».

 

Adaptado de um texto de Pedro Vaz Patto

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