Os seminários estão super lotados: com frequência, até sete futuros sacerdotes partilham um quarto e o número de vocações aumenta ano após ano. Apesar do elevado número de vocações, continua a haver poucos sacerdotes no Uganda, porque todos os anos o número dos recém-baptizados chega aos 400 mil. Neste país, quase treze dos mais de vinte e oito milhões de habitantes são católicos, razão pela qual há uma média de 7000 fiéis por sacerdote.
No entanto, em zonas como a Diocese de Lira, no Norte do Uganda, um só sacerdote assiste a 28 mil fiéis. Se num futuro próximo não houver mais sacerdotes jovens com uma boa formação, muito rapidamente as seitas e as Igrejas evangélicas começarão a captar seguidores entre os fiéis católicos.
Hoje já existem em todas as ruas, nas garagens e nas cabanas, igrejas de seitas com nomes fantásticos que prometem milagres. Também a bruxaria volta a expandir-se com mais força e não é invulgar que se raptem e sacrifiquem crianças para alcançar riqueza. Neste âmbito, a Igreja enfrenta grandes desafios.
Viver a vocação
“Estou aqui, Senhor. Falas-me, Senhor? Escutei o teu chamamento de noite e quero ir, Senhor”, cantam trinta e cinco jovens na aula magna do seminário nacional de Santa Maria de Ggaba, na capital ugandesa, Kampala, com grande seriedade e voz sonante.
Estes jovens vão ser ordenados sacerdotes, pois acabam de receber as notas finais dos seus estudos. Foram todos aprovados e agora chegou o momento de se despedirem do seminário para ir, como sacerdotes, onde Deus os enviar.
Chegaram muitos familiares para felicitar os irmãos, filhos e primos, neste dia tão importante. As mulheres usam vestidos bonitos e as crianças as suas melhoras roupas. Chamam os recém-licenciados, um por um, e à chamada de cada nome ouvem-se gritos de alegria e fortes aplausos. Todos estão felizes.
Durante a sua formação, os seminaristas já realizaram um ano de prática pastoral numa paróquia e já experimentaram o que significa conviver com as preocupações e alegrias das pessoas.
No Ocidente há sempre quem opine que no terceiro mundo, sobretudo em África, muitos jovens desejam ser sacerdotes para melhorar as suas condições de vida. Mas a verdade é que há muitos jovens muito inteligentes e bem formados que renunciam a uma carreira secular brilhante para proclamar o Evangelho de Jesus.
Por exemplo, Bernardo, oriundo de Fort Portal, no Sudoeste do Uganda, um dos melhores alunos de todo o país. Os seus amigos e familiares aconselharam-no a estudar direito e a tornar-se advogado. Poderia fazer parte da elite do país e ganhar muito dinheiro.
Todos lhe diziam que podia fazer grandes coisas, mas para ele era claro: queria ser sacerdote. Por isso, a sua resposta para aqueles que procuravam que tomasse outra decisão era: “Deus também quer fazer grandes coisas!” Apenas a sua mãe o apoiou na sua decisão.
Cheios de entusiasmo, os futuros sacerdotes de Ggaba cantam o Credo em luganda, uma das línguas que se falam no Uganda, soando a profundo e imponente. Aqui tudo parece indicar que a semente caiu em terra fértil. Mas no Uganda continua a haver muitos lugares onde ainda se espera por um sacerdote, que com a sua vida dê um testemunho visível da fé.
Não basta dar a estes jovens uma formação académica para anunciarem a fé. Também é preciso formá-los e apoiá-los do ponto de vista humano e espiritual. Por esta razão, a Ajuda à Igreja que Sofre apoia os docentes com estipêndios de Missa que lhes permitem dedicar-se de corpo e alma ao seu trabalho nos seminários, porque para que haja bons sacerdotes é imprescindível que haja bons formadores.
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