Quase dois meses depois das cheias que afectaram o país, o Paquistão espera ainda por ajuda para fazer face a uma situação dramática que é ainda pior para os cristãos, discriminados na distribuição dos auxílios que chegam.
As cheias foram as maiores na história do país asiático e afectaram 10% da população do país e uma área do tamanho da Inglaterra: cerca de 1,9 milhões de casas foram destruídas e 1700 pessoas morreram.
O P. Emmanuele Asi, membro da presidência do Instituto Teológico para os Leigos do Paquistão, defende que a situação provocada pelas cheias no país tem de ser resolvida antes da chegada do frio, em Outubro.
Numa recente entrevista, o sacerdote refere que a Igreja deve “agir de modo preciso e rápido”, já que “quando o frio chegar, se as pessoas não tiverem um abrigo e roupas quentes, a situação vai piorar ainda mais”.
Em declarações difundidas pela agência Fides, o P. Emmanuele refere a importância de “criar pequenas equipas de médicos e sacerdotes”, para se ocuparem principalmente das mulheres e crianças. Acrescenta ainda que “vão colocar à disposição uniformes escolares e material didáctico para as crianças”. Muitas famílias paquistanesas perderam quase tudo com as cheias e a Igreja pretende que, pelo menos as crianças, não percam o acesso à educação.
Mesquitas e igrejas abriram as suas portas para alojar as vítimas, em contraste com o Governo, já que “nenhum edifício estatal as acolhe”, lamenta o mesmo sacerdote.
Aquele responsável explica este comportamento com o temor que as autoridades têm “de que isto comportaria o fornecimento de medicamentos e alimentação por muito tempo, e sabem que não podem fazê-lo”.
Discriminação
Este responsável confirma o aumento dos relatos, incluindo algumas fontes próximas da AIS, que descrevem a forma como grandes proprietários construíram barragens e desviaram as águas para as áreas onde se localizavam os povoados e terras de pequenos agricultores e camponeses pobres povoadas por grupos minoritários, incluindo cristãos, hindus e sikhs.
Segundo um alto representante da Igreja, as autoridades locais no Paquistão não providenciaram protecção suficiente às regiões inundadas, com um elevado número de grupos minoritários, referindo ainda que os mais pobres "são as maiores vítimas da actual crise”.
Esta fonte, que não pode ser revelada, descreveu que houve um desvio deliberado das águas do rio Indus, para zonas da província Sudeste de Sindh, com uma elevada densidade de comunidades tribais, grupos religiosos minoritários, compostos por cristãos e hindus.
Numa entrevista dada à Fundação AIS afirmou que membros do Governo local da província de Sindh conspiraram com os proprietários dessas terras para reforçar a margem do rio, que atravessa a sua propriedade e outros pontos considerados importantes, em detrimento de outras regiões que ficariam vulneráveis às inundações.
Esta fonte, um antigo membro da Igreja da região de Sindh, foi mais longe ao afirmar que foram inclusive retirados areia e outros minerais de zonas pobres para reforçar a margem do rio em zonas destinadas como prioritárias para protecção de inundações, e acrescentou: "Não foi só incompetência por parte das autoridades para proteger os mais pobres de potenciais inundações, foi a sua intenção deliberada de que deveriam sofrer caso houvesse inundações".
Falou sobre a sua viagem chocante pela região ao encontrar o rio "incrivelmente cheio" e ao ver que ainda assim havia grandes canais nas proximidades que estavam "relativamente vazios", o que o levou a suspeitar que as águas da inundação tinham sido desviadas para áreas de menor importância.
A mesma fonte acrescentou: "Instituições sem fins lucrativos e outras organizações devem intensificar os seus esforços para ajudar as pessoas mais desfavorecidas, porque são as que mais sofrem com estas inundações. Elas são ignoradas há muito tempo."
A Fundação AIS já enviou uma primeira ajuda de emergência de mais de 50 mil euros e mantém aberta a campanha de apoio às pessoas atingidas pelas inundações no Paquistão.
Se puder ajudar, faça o seu donativo em www.fundacao-ais.pt
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