Especiais |
?Porque me atacam?, as respostas de Bento XVI
<<
1/
>>
Imagem
Desde que foi elevado ao papado, Joseph Ratzinger é alvo de agressões em crescendo, no interior da Igreja e fora dela. Há alguma ‘mão invisível’ que as ordena? Aqui indicamos o juízo e a explicação do Papa.

Neste Verão foram editados, nos Estados Unidos e em Itália, dois livros que reconstroem e analisam os ataques que, de muitos lados, se lançaram contra Bento XVI desde o começo do pontificado. O livro de Gregory Erlandson e Matthew Bunson, editores de jornais católicos de grande difusão nos Estados Unidos, concentram-se no escândalo dos abusos sexuais do clero. Já o livro dos vaticanistas italianos Paolo Rodari e Andrea Tornielli estende a análise aos ataques contra outros actos e discursos de Bento XVI: da conferência de Regensburg à liberalização da Missa no rito antigo, da revogação da excomunhão aos bispos lefebvrianos à condenação do preservativo anti-SIDA, da recepção dos anglicanos na Igreja Católica ao escândalo da pedofilia.

A conclusão que os autores tiram é a de que estão em curso três ataques diferentes contra Bento XVI, por mão de três inimigos diferentes. O primeiro e principal é o inimigo externo. São as correntes de opinião e os centros de poder hostis à Igreja e a este Papa. O segundo inimigo são os católicos – entre os quais padres e bispos – que vêem Bento XVI como um obstáculo ao projecto de reforma ‘modernista’ da Igreja que esses católicos têm. Por último, o terceiro inimigo são os funcionários da cúria vaticana que em vez de ajudar o Papa o embaraçam, por incapacidade, ignorância ou também por oposição.

 

Como é que o próprio Bento XVI interpreta os ataques lançados contra ele

Na homilia da Missa de encerramento do Ano Sacerdotal, no passado dia 11 de Junho, também Bento XVI se referiu a um "inimigo". Com as seguintes palavras: "Era de esperar que este novo resplendor do sacerdócio não fosse visto com agrado pelo «inimigo»; este teria preferido vê-lo desaparecer, para que em definitivo Deus fosse posto fora do mundo. E assim aconteceu que, precisamente neste ano de alegria pelo sacramento do sacerdócio, vieram à luz os pecados dos sacerdotes – sobretudo o abuso contra crianças, no qual o sacerdócio enquanto serviço da solicitude de Deus em benefício do homem se transforma no contrário". E o Papa expressou-se desta maneira no começo da viagem a Portugal, no passado dia 11 de Maio: "Os ataques ao Papa e à Igreja vêm não só de fora. [...] A maior perseguição da Igreja não vem de inimigos externos, mas nasce do pecado na Igreja, e a Igreja, portanto, tem uma profunda necessidade de reaprender a penitência, de aceitar a purificação".

Nestas declarações intui-se que para Bento XVI também o horrível ano de 2010 há-de viver-se como um ano de graça, em paralelo com os anos anteriores, também eles preenchidos por ataques à Igreja e ao Papa

Para ele, estas coisas estão ligadas. A tribulação produzida pelo pecado é a condição da humanidade necessitada de salvação, uma salvação que apenas vem de Deus e é oferecida na Igreja com os sacramentos administrados pelos sacerdotes.

 

"Viver como se Deus existisse"

Na catequese que dedicou no passado dia 10 de Março a São Boaventura de Bagnoregio – que estudou intensamente quando era um jovem teólogo –, o Papa Ratzinger expressou o seu pensamento também sobre os "inimigos" internos na Igreja.

Aos descontentes que pretendem uma palingénese (um novo nascimento) radical da Igreja, um novo cristianismo espiritual configurado por Evangelho despojado, liberto de hierarquias, preceitos e dogmas, Bento XVI disse que é curto o passo que vai do espiritualismo à anarquia. A Igreja "é sempre Igreja de pecadores e é sempre lugar de graça". Progride e evolui, mas sempre em continuidade com a Tradição.

Aos que, para reformar a Igreja, tudo apoiam em novas estruturas de comando e novos comandantes, ele disse que "governar não é simplesmente fazer, mas sobretudo pensar e rezar", isto é, "guiando e iluminando as almas, orientando-as para Cristo".

Os ataques que se concentram sobre o Papa Bento são para ele a prova de quão alto é o desafio que ele lança aos homens de hoje, a todos eles, também aos não crentes: "Viver como se Deus existisse".

Sandro Magister
A OPINIÃO DE
Guilherme d'Oliveira Martins
A primeira encíclica do Papa Leão XIV, “Magnifica Humanitas”, centra-se num tema de grande...
ver [+]

Tony Neves
Os Espiritanos chegaram a Moçambique em 1996. É uma presença muito jovem, com tudo o que tal representa.
ver [+]

Tony Neves
O mundo católico celebra a 29 de junho S. Pedro…e S. Paulo. Portugal tem largas tradições de...
ver [+]

Tony Neves
Leão XIV herdou o nome do ‘pai oficial’ da Doutrina Social da Igreja. Por isso, a publicação...
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
EDIÇÕES ANTERIORES