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Tesouros do Arquivo Histórico do Patriarcado de Lisboa
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O Patriarcado de Lisboa, não obstante as vicissitudes históricas que afectaram o património documental da Igreja, quer com a expulsão das Ordens Religiosas (1834), quer com a Lei da Separação (1911), e consequente incorporação dos arquivos nos próprios da Nação, conserva à sua guarda documentação significativa respeitante à memória histórica das comunidades eclesiais e que constituem verdadeiros tesouros para a caracterização da acção missionária da Igreja.

Conheça, nesta edição, 12 tesouros documentais conservados no Arquivo Histórico do Patriarcado de Lisboa.

Fotos: Alexandre Salgueiro

COMPROMISSO DOS PESCADORES E MAREANTES DO ALTO DA CONFRARIA, E IRMANDADE DO ESPIRITO SANCTO…

Códice iluminado em capa de veludo vermelho com guarnições e fechos de prata, considerado de valor artístico e histórico na classificação datada de 18 de Novembro de 1936, pelo Decreto nº 27:347. Na frente e no reverso da capa, em relevo, uma pomba de prata, símbolo do Espírito Santo, e invocação da Irmandade. No frontispício do manuscrito lê-se «COMPROMISSO DOS PESCADORES DE ALFAMA, MAREANTES DO ALTO DA CONFRARIA, E IRMANDADE DO ESPIRITO SANCTO, SITTA NA IGREIA DE SÃO MIGUEL DALFAMA REFORMADO, E ACRESCENTADO DO COMPROMISSO VELHO PELLOS MUITO ONRADOS, E DEVOTOS OFFICIAIS, E IRMAOS DA DITTA CONFRARIA, EM LIXBOA NO ANNO DE NOSSO S.OR IESV CHRISTO DE M.D.C.VI». Contém dois alvarás régios de confirmação (1608-12-06; 1640-03-10), dois pedidos e licenças para se trasladar um capítulo do compromisso velho para o novo (1617-08-25; 1617-09-01); um capítulo acrescentado acerca das obrigações dos capelães e sua confirmação pelo arcebispo de Lisboa (1630-03-04); uma petição e licença para que os irmãos possam ministrar a sagrada comunhão na Ermida dos Remédios e uma deliberação da mesa acerca dos lugares do Chão da Ribeira e das contendas que houve (1744-04-06). O compromisso original desconhece-se. Um in-fólio de 34 fólios, datado de 1567, intitulado «COMPROMISSO DO SANCTISSIMO SACRAMENTO & CORPO DE DEOS DOS PESCADORES DE ALFAMA», pertencente à colecção Capucho e recentemente leiloado no Palácio do Correio Velho, poderá tratar-se, eventualmente, duma versão anterior do documento normativo desta corporação, existente desde o período medieval.


Compromisso da Irmaodade da Virgem N. S. da Conpçeisaõ, ssi:ta na paroqial: igreya de sa’to Estevaõ da Alfama

Pertencente à Paróquia de Santo Estêvão de Alfama, Lisboa, onde por volta do ano de 1574 foi erecta a Irmandade da Imaculada Conceição é um dos mais notáveis trabalhos de iluminura. Revestido de veludo azul já gasto e a indiciar os ornatos em metal já perdidos, é escrito em velino de qualidade e ricamente iluminado. No frontispício, ao centro, o título da obra em cartela ladeada de figuras femininas alusivas às virtudes teologais. Do lado esquerdo a Fé, empunhando o cálice e do outro a Esperança, com o atributo da âncora. Em baixo, uma mulher ladeada de crianças simboliza a Caridade. Ao cimo São João Evangelista e na base da iluminura, ao centro, Santo Estêvão, ladeado de anjos festivos, empunhando a palma do martírio e o cálice.

O segundo fólio, inteiramente iluminado, representa a Árvore de Jessé. No f. 14 a inscrição »Lima fes». Acrescem ao texto do compromisso um alvará régio de 1 de Abril de 1634 e várias assinaturas e despachos.


Livro dos Assentos das Determinações dos Capítulos do Convento do Real Mosteiro de São Vicente de Fora

Em 1792, por ordem do príncipe regente D. João e com a Patriarcal integrada na capela real do Paço da Ajuda, os cónegos regrantes recolhem a São Vicente de Fora. Este manuscrito tem termo de abertura de 3 de Dezembro de 1772 e o último lançamento é do dia 20 de Maio de 1834. Note-se que a primeira acta do capítulo realizado no Mosteiro de S. Vicente de Fora data de 31 de Julho de 1792 e inicia ao fl. 14. A restituição do cenóbio aos cónegos regrantes havia sido feita em Março desse ano. Nos 14 fólios iniciais encontramos informações breves relativas à gestão patrimonial e financeira dos religiosos durante o período em que habitaram em Mafra. Em 1833, por ordem de D. Pedro IV, os cónegos regrantes voltam novamente para Mafra. A última acta exarada no Mosteiro de São Vicente de Fora data de 7 de Novembro de 1833.

Trata-se de um testemunho fundamental para o estudo do quotidiano do cenóbio durante o período que antecede a extinção das ordens religiosas e poderá ser visitado na mostra documental patente ao público no Mosteiro de São Vicente de Fora até ao próximo dia 27 de Agosto.


Livro do Regulamento de todas as Missas Capelas e Anniversários

In-fólio de 130 fólios, 66 deles em branco com encadernação de vitela fina, já cansada. Pertenceu a António Capucho e foi recentemente adquirido em leilão. No frontispício, na moldura e a vermelho o título do volume: «LIVRO// DO REGULAMENTO DE TODAS AS // MISSAS, CAPELLAS E ANNIVERSARIOS // e mais Legados pertencentes ao Real// Mosteiro de S. Vicente a que hoje// este de Mafra he obrigado a Satisfa// zer conforme o Ex. Snr. Nuncio por// sua Sen[tenç]a as reduziu, comotou, e es// tabeleceu em virtude do Breve de// 1786 do S. P. Pio PP. VI// ainda Reinante na Igreja de De// os neste anno de// 1788.»

Contém ainda vários documentos da litigação entre Mafra e S. Vicente, numa altura em que os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho foram transferidos para o Convento de Mafra para instalação da Patriarcal no em São Vicente de Fora. Destacamos os documentos do Núncio Apostólico, as petições dos frades de Mafra, assinados por D. José da Expectação, prior e reitor, em relação a legados e obrigações de missas por almas. Em exposição no Mosteiro de São Vicente de Fora até ao dia 27 de Agosto.

 

Extracto Geral de todos os bens e rendas da Admenistraçaõ da Meza do S.r Iesus da Pedra

O Santuário do Senhor Jesus da Pedra, em Óbidos, notável edifício barroco em contexto rural, iniciado em 1740, conta como principais mecenas D. Tomás de Almeida, primeiro patriarca de Lisboa, e o rei D. João V. Foi inaugurado em 1747. Detentor de importante acervo artístico e documental, foi um importante santuário nacional, a par com o de Nossa Senhora da Nazaré. Relativamente rico e proprietário de inúmeras terras, apresentamos aqui um exemplar de uma série mais vasta de registo de bens e rendas. Este conjunto, composto por dois cadernos e relativo ao ano económico de 1785-1786 tem no frontispício em moldura cercada de motivos florais a inscrição Extracto Geral/ de todos os beñs e/rendas da Adme/nistraçaõ da Mêza/do S.r Iesus da Pedra./Iuis/O S.r Cap.am An.to I.e P.ra/Secretario/Estanislau da S.a L.taô/ Thezoureiro/O M.R.S.r I.e de M.tos/Procurador/O S.r Ioaô Roiz da S.ª. A inscrição do capital de todos os bens da fazenda, do pagamento de foros a dinheiro e a trigo, dos juros e dos novos aforamentos fazem desta série documental um precioso testemunho da vivência económica e social das populações das cercanias.


Bula de Indulgências ao Convento da Madre de Deus

Bula do Papa Júlio II (1503-1513), datada de 30 de Julho de 1511, concedendo indulgências ao Convento da Madre de Deus. Nas cercaduras laterais e inscritas numa composição vegetalista e floral, surgem reservas ovaladas com a empresa da Rainha D. Leonor, uma rede de pesca.

O texto inicia-se com o nome de Raphael, o arcanjo descrito no Livro de Tobias (Antigo Testamento), o protector que auxilia os homens a ver a luz e cujo culto deu origem ao conceito de “anjo da guarda”. Na capitular R, do nome do arcanjo, inscreve-se o escudo coroado de D. Leonor. Nas duas reservas, ao centro e no extremo direito da composição, foram pintadas cenas relacionadas com esta casa religiosa. Ao centro a Assunção da Virgem e à direita os fundadores da Ordem, São Francisco e Santa Clara, todos com altares dedicados ao seu culto na igreja e no convento da Madre de Deus.


Livro das Matrículas das Ordens do Arcebispado de Lisboa

A vida clerical iniciava-se com a prima tonsura. Constituía como que a condição para se tomar ordens. Estas depois de recebidas assentavam-se num caderno de folhas iguais, cuja informação, por sua vez, era trasladada para o livro da matrícula. Assim o exigiam as Constituições Sinodais. O presente manuscrito apresenta sequencialmente as duas ordens: menores e sacras. Aquelas incluíam os graus de ostiário, leitor, exorcista e acólito, e estas integravam a chamada ordem de epístola correspondente ao subdiácono, a do evangelho respeitante ao diácono e a de missa inerente ao presbítero. Para cada grupo surgem os nomes dos ordinandos, acompanhados pela respectiva naturalidade e a identificação dos pais. No final, enuncia-se quem conferiu as ordens e o local onde estas ocorreram, colocando-se a data e a assinatura do bispo ou arcebispo que lhas concedeu. É de salientar que o Patriarcado de Lisboa conserva nos seus arquivos mais cento e dez tomos desta tipologia documental, cuja baliza cronológica medeia entre os séculos XVI e XIX.

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