Vamos fazer destas férias uma oportunidade para crescer em família, tornando a nossa família mais forte perante as adversidades dos tempos.
Aprender a preservação ambiental
O Dia Mundial da Criança é normalmente bem aproveitado pelos mais pequenos que já fazem prevalecer os seus direitos (entenda-se caprichos ou vontades férreas) numa ocasião que lhes é dedicada sem exigências.
Este dia é normalmente aproveitado por diversas autarquias e outras instituições como pretexto para muitas actividades lúdicas, mas também formativas, pensadas especialmente para os mais pequenos.
Foi assim no Oeste, mais em concreto nas Caldas da Rainha, onde assistimos ao envolvimento de muitas crianças num ambiente de muita animação, com muita brincadeira e alguma sensibilização à mistura, sobretudo em termos ambientais e de segurança.
Foi com o mote “2010 – Ano Internacional da Biodiversidade” que muitas das escolas do concelho deram o seu contributo em mais uma edição da Semana de Animação Infantil das Caldas. E, no sábado, as portas abriram-se às famílias que puderam entrar naquele ambiente de festa, que teve lugar num salão de exposições local, designado por Expoeste.
Os mais miúdos aderiram muito bem à iniciativa da corporação dos Bombeiros da cidade, experimentando os insufláveis e participando num salvamento encenado, tecnicamente designado por “prova de salvamento”. Foi uma descoberta dos materiais utilizados e com os quais normalmente os jovens não têm contacto, ficando a conhecer um pouco por dentro o que é ser bombeiro.
Um ponto alto, como não podia deixar de ser, foi a chegada do palhaço Taranta. Logo deixaram para trás as brincadeiras nos insufláveis e toda a atenção se ia fixando nas palavras e na mímica do palhaço.
Mais ao lado, um outro grupo de crianças experimentava os ateliers de pintura facial e de desenho; deliciava-se, sobretudo, com a liberdade de poderem pintar/sujar o que normalmente lhes é proibido em casa. É de dar particular realce a um detalhe a que os organizadores da Câmara das Caldas deram relevo: tintas ecológicas e reutilização de materiais, tais como garrafas de plástico e copos de iogurte.
Pensando no verde, as crianças puderam criar uma sementeira de ervas aromáticas e tomaram contacto com a flora. Mais próximas da natureza que as rodeia, estas crianças, que têm cada vez mais uma vivência urbana, foram levadas a dar importância à preservação das plantas e dos animais.
Esta parece-nos que foi uma iniciativa conseguida na boa articulação escola / família, pois as diversas escolas locais estiveram presentes e criaram os seus próprios espaços, participando na decoração e na construção de, por exemplo, um dominó gigante com animais. Não faltou também um teste de conhecimentos a todos os elementos da família sobre cultura geral e sobre a realidade local, tendo alguns pais ficado embaraçados, quando a resposta certa era a do seu filho(a) e não a sua …
Aqui acorreram, ao longo de uma semana, cerca de 5.000 crianças, numa iniciativa de carácter pedagógico, mas com muita alegria e divertimento.
É de apoiar iniciativas como esta, que congregam Escola e a Família. Mas mais do que apoiar é preciso que os pais se envolvam e participem ao lado dos seus filhos, proporcionando-lhes momentos marcantes no seu crescimento e formação da personalidade.
Dizem os psicólogos que a maioria dos pais tende hoje, de uma forma inconsciente porque espontânea, a colocar o seu filho ao mesmo nível, tratando-o como igual e não se apercebendo de que os filhos precisam de ver nos pais uma referência, um modelo, para mais tarde terem capacidade para opinar e decidir por si mesmos.
O crescimento – da infância à adolescência – é um tempo de aprendizagem e não de decisões impreparadas. É um tempo que os pais, e formadores no geral, devem procurar rentabilizar para dar aos mais pequenos a capacidade de aprenderem a ver as situações com que se deparam, para poderem mais tarde, e de uma forma gradual, vir a decidir qual o caminho a seguir.
Nem os Pais podem entregar esta tarefa à Escola, nem a Escola tem capacidade para, individualmente e de uma forma progressiva no tempo, vir a dar essa abertura de espírito a tantos jovens que por ali passam.
Aproveitar as férias
Tempo de férias é tempo de recuperar forças para sermos capazes de fomentar e também aprofundar o "compromisso na missão" através do contacto directo com a Palavra de Deus. É sempre o dinamismo da missão da Igreja que é preciso promover.
Estas perspectivas prioritárias têm de se harmonizar com a vida normal da Igreja, porventura inspirar todas as outras expressões da acção pastoral, e daí a importância de um núcleo de Pastoral Familiar a nível de cada paróquia. Tal núcleo de Pastoral Familiar, constituído por leigos empenhados na causa da Família, terá de conter dois elementos fundamentais e complementares para a sua actividade: a perspectiva mobilizadora e as acções que a põem em prática.
Agora que acaba de ser criado o Conselho Pontifício para a Nova Evangelização, há que pôr mãos à obra ainda com mais empenho e na mesma orientação de uma Igreja aberta ao futuro.
O Sector da Pastoral Familiar da diocese de Lisboa tem desenvolvido um trabalho que procura que seja cada vez mais alargado a todas as paróquias e que visa:
Um bom cristão nunca se esquece do seu dever (mesmo que vá de férias):
Que este tempo seja aproveitado para delinearmos novos rumos de como ser cristãos activos e empenhados na missão de baptizados, para a construção de famílias fortes na fé.
Por isso, boas férias!
VIDA
De uma leitora não assídua deste jornal, recebemos um lindo contributo de louvor à vida, que aqui deixamos para que possam partilhar em família.
Um sorriso,
Um olhar.
Um som suave,
Um ovo gerador de vida.
Uma paisagem que nos deixa a alma comovida.
Uma coisa ínfima, colorida,
imperceptível
mas que no conjunto brilha.
Uma pitada de sonho,
Um paladar,
Um sentir risonho,
Uma palavra amiga.
Uma suavidade antiga
que se sente na memória.
Um aroma,
Uma amizade que perdura.
Um livro que se lê,
Uma ideia que vem ao nosso encontro.
Uma música,
Um som.
Um tom de voz que nos agrada.
Uma história
que ao nosso ouvido murmura uma vida.
Um borboto de uma planta
que nasce ali no quintal.
É flor! É árvore?
Afinal,
Quem pôs ali aquela semente?
Quem lhe deu alento para germinar?
Espero ansiosa para ver
a flor, a árvore.
O prazer das pequenas coisas
que fazem girar o mundo.
É esse prazer, a vida!
Maria Gabriela Silva Marques
A oferta deste poema aos nossos leitores resulta de um breve convívio que fizemos recentemente, numa mútua descoberta gradual um do outro e onde talvez tenha perpassado o espírito de missão, com um anúncio natural da fé que professamos em Igreja, como membros de um só Corpo.
Por vezes a fé está adormecida, ou foi de férias e esqueceu-se de voltar… O certo é que nas nossas breves conversas se manifestou o amor de Deus pelos homens e por tudo o que nos rodeia, na certeza de que O reconhecemos como o Criador do céu e da terra (cf. Gn 1).
Falámos da natureza e das maravilhosas descobertas do que ela nos oferece, como os diversos quadros que nos pinta o poema. A natureza está à nossa disposição como um dom do Criador aos seus filhos. Ele que nos dá total liberdade para usarmos tudo o que põe à nossa disposição, responsabiliza-nos, pela sua Palavra, a exercermos um governo responsável sobre a natureza para a guardar, cultivar e fazer frutificar. O livro da natureza é uno e indivisível, tanto sobre a vertente do ambiente como sobre a vertente da vida, da sexualidade, do matrimónio, da família, das relações sociais, numa palavra, do desenvolvimento humano integral. (cf. nºs 48 a 51 Caridade na Verdade, Bento XVI)
Fiquemos com este poema e partilhemo-lo em família, dando consciência aos mais novos de que faz falta olhar para a natureza e pela natureza, como um bem precioso posto à nossa disposição.
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