Lisboa |
Rito de admissão às Ordens Sacras no Seminário ‘Redemptoris Mater’
“Quem vive da vida de Deus não pode senão viver em Deus e para Deus”
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O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu, no Seminário ‘Redemptoris Mater’ Nossa Senhora de Fátima, em Caneças, à celebração da Eucaristia com o rito de admissão às Ordens Sacras, bem como o sacramento do Crisma de um seminarista, dirigindo uma reflexão centrada na vida nova em Cristo, na força da comunidade e no dom da paz.

Na homilia da celebração, que teve lugar no final da tarde da passada terça-feira, dia 5 de maio, o Patriarca de Lisboa destacou a transformação operada pela vida nova do Ressuscitado nos apóstolos. “Porque Paulo e porque os apóstolos estavam ‘empapados’ da nova vida do Ressuscitado, eis que a sua própria vida quotidiana, a sua vida histórica, terrena, assumiu aqui uma nova configuração. Quem vive da vida de Deus não pode senão viver em Deus e para Deus”, afirmou, sublinhando que essa experiência foi o “combustível da graça” que levou São Paulo e os primeiros discípulos a anunciar Cristo sem cessar.

Segundo D. Rui Valério, este dinamismo missionário nasce de um “desassossego positivo”, que brota da consciência de que “há homens e mulheres que não conhecem esta Boa Nova que nós possuímos”.

Neste seminário diocesano, em Caneças, o Patriarca salientou ainda que a missão cristã enfrenta inevitavelmente resistências. “Todos os planos pastorais do cristianismo começam com o não”, recordou, acrescentando que é precisamente essa oposição que reforça a força da fé e não desanima os cristãos.

 

A comunidade que gera vida e ressurreição

A Missa foi concelebrada por D. João Marcos, Bispo Emérito de Beja que foi diretor espiritual desta casa de formação entre 2001 e 2014, e por diversos sacerdotes do Seminário ‘Redemptoris Mater’ e de outros seminários diocesanos.

A homilia focou-se também na importância da comunidade cristã. A partir do episódio em que São Paulo é deixado quase morto e depois se levanta rodeado pelos discípulos (At 14, 19-28), D. Rui Valério destacou: “A comunidade é um lugar fascinante. É pela comunidade que eu venço a morte”.

O Patriarca alertou ainda para os desafios do individualismo contemporâneo, sublinhando a necessidade de preservar o sentido de pertença. “Senhor, conserva-nos o sentido da humanidade”, pediu, frisando que é na Igreja, como comunidade, que os fiéis encontram “força” para se erguerem das quedas.

 

A paz, bênção das bênçãos

Na sua reflexão sobre o Evangelho, D. Rui Valério destacou a centralidade da paz, recordando as palavras de Jesus: «Dou-vos, deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz». Sublinhou que, na Sagrada Escritura, a paz é “a bênção das bênçãos”, fundamento de todos os outros dons.

O Patriarca convidou ainda à oração pelas vítimas da guerra, lembrando o sofrimento de povos atingidos por conflitos: “Para eles é tão doloroso estar na mira dos bombardeamentos como saber que ninguém se lembra deles”.

Evocando testemunhos recentes de responsáveis eclesiais de regiões em guerra, reforçou a importância de não esquecer esses povos: “A principal ajuda é não se esquecerem de nós”.

 

Cristo presente na história

Na parte final da homilia, D. Rui Valério sublinhou que Cristo “é o ontem, o hoje e o amanhã, Aquele que habita toda a história humana e a conduz”. Destacou que a maior surpresa da vida cristã é “a experiência da Ressurreição, que ilumina todas as outras realidades”.

O rito de admissão às Ordens Sacras é uma celebração litúrgica em que um ou mais seminaristas manifestam publicamente a sua vontade de se doar a Deus e à Igreja para o ministério ordenado. A Igreja, por sua vez, aceita essa doação e formalmente escolhe e chama os candidatos para se prepararem para receber a Sagrada Ordem.

A celebração terminou com um momento de ação de graças pelo chamamento de Deus e pela resposta dos seminaristas, num momento significativo para a vida do Seminário ‘Redemptoris Mater’ Nossa Senhora de Fátima, em Caneças.

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