O Hospital Pediátrico Bambino Gesù, em Roma, e a Fundação Champalimaud, com sede em Lisboa, formalizaram, a 28 de abril, um memorando de entendimento que visa reforçar a cooperação científica e clínica no cuidado às crianças com doenças graves. A cerimónia contou com a intervenção do Patriarca de Lisboa, que sublinhou o alcance humano e espiritual do acordo.
Na sua saudação, D. Rui Valério destacou que a iniciativa ultrapassa o plano institucional, afirmando-se como uma “aliança ao serviço da vida”, centrada sobretudo nas crianças mais frágeis. Duas instituições de excelência unem-se, assim, numa missão comum: cuidar, investigar e acompanhar sem ceder ao desânimo perante a doença. Evocando a intenção de oração de Papa Leão XIV dedicada às crianças doentes, o Patriarca recordou que o sofrimento infantil interpela a consciência coletiva e exige respostas concretas de compaixão e responsabilidade. Inspirado na parábola do Bom Samaritano, salientou que “amar verdadeiramente significa carregar a dor do outro”, apontando este princípio como base ética do compromisso agora assumido. D. Rui Valério sublinhou ainda que a medicina, quando fiel à sua essência, vai além do tratamento técnico, tornando-se presença próxima e cuidado integral. Nesse sentido, o acordo entre as duas instituições pretende garantir não apenas excelência clínica, mas também acompanhamento humano e digno às crianças e suas famílias. O Patriarca destacou também o papel da Fundação Champalimaud no contexto de Lisboa, afirmando que a cidade continua a afirmar-se como um polo de inovação e serviço ao bem comum. “A vocação missionária de Lisboa não pertence apenas ao passado”, afirmou, sublinhando a conjugação entre rigor científico, ética e responsabilidade social. Num mundo marcado por fragmentação, o acordo é apresentado como um sinal de esperança e de convergência entre ciência e humanidade. Para D. Rui Valério, trata-se de uma “semente” que poderá gerar novas formas de colaboração e uma cultura mais atenta à dignidade dos mais vulneráveis. Acordo assinado A Fundação Champalimaud e o Hospital Pediátrico Bambino Gesù assinaram, em Roma, uma carta de intenções que visa estabelecer uma colaboração estruturada nas áreas da imunoterapia e das terapias avançadas. O acordo, que contou com o patrocínio do presidente da Academia Pontifícia para a Vida, Arcebispo Renzo Pegoraro, e do Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, foi formalizado pela presidente da fundação portuguesa, Maria Leonor Beleza, e pelo presidente do hospital pediátrico, Tiziano Onesti, e pretende unir competências na investigação e no tratamento clínico, sobretudo no campo da oncologia. Numa mensagem enviada pelo Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, a iniciativa foi destacada não apenas pelo seu valor científico, mas também pela sua dimensão ética: uma visão de medicina que coloca no centro “o valor intrínseco da vida humana”, promovendo a justiça, a solidariedade e o desenvolvimento integral da pessoa. Segundo Maria Leonor Beleza, o objetivo é tornar os tratamentos inovadores “seguros, eficazes e sustentáveis para um maior número de doentes”. Já Tiziano Onesti sublinhou que a colaboração pretende também ultrapassar barreiras geográficas e económicas no acesso às terapias. A parceria permitirá integrar a experiência em oncologia de adultos da Fundação Champalimaud com a especialização em oncologia pediátrica do Bambino Gesù, promovendo uma abordagem de medicina translacional – da investigação ao tratamento direto dos doentes. Entre as áreas de trabalho está o desenvolvimento de terapias celulares avançadas e de modulação genética, com aplicação no combate ao cancro e a doenças autoimunes. Durante a visita a Roma, a delegação portuguesa conheceu o Laboratório de Terapia Genética e a unidade farmacêutica do hospital, sendo recebida pelo professor Franco Locatelli. A iniciativa pretende ainda ser o primeiro passo para a criação de uma rede internacional de instituições unidas por princípios científicos e éticos comuns, com vista a acelerar o progresso da medicina. A sessão de assinatura foi encerrada pelo Cardeal Emil Paul Tscherrig, membro da Comissão Supervisora Cardinalícia do Instituto para as Obras de Religião, que manifestou esperança de que esta colaboração marque o início de um caminho “corajoso e inovador” ao serviço da vida humana.![]() |
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