O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu à Missa Internacional em Lourdes, na manhã de desta quarta-feira, dia 22 de abril, na Basílica de São Pio X, no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, deixando um apelo à paz mundial e à reconciliação.
A 77.ª Peregrinação Monfortina ao Santuário de Lourdes está a decorrer nesta semana, entre os dias 19 e 25 de abril, com o tema ‘Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo’ (Lc 1, 28), e é presidida pelo Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, que pertence a esta congregação religiosa. Esta peregrinação é uma tradição anual iniciada em 1949, assumindo-se como um dos momentos mais significativos da família monfortina a nível internacional. Na manhã desta quarta-feira, os peregrinos de vários lugares do mundo participaram na Missa Internacional em Lourdes, com o Patriarca a apelar à “disponibilidade” e à construção de uma “missão de paz”. Num contexto de oração que reuniu fiéis, D. Rui Valério sublinhou a atualidade da mensagem mariana perante os desafios de um mundo marcado pela violência e pela incerteza. Durante a homilia pronunciada na língua francesa, o Patriarca destacou a figura de Maria como Aquela que, mesmo sem compreender os planos de Deus, escolhe confiar. “Maria não compreende, Maria não domina, mas confia”, afirmou D. Rui Valério, sublinhando que a Virgem ensina a Igreja a ouvir e a estar “livremente disponível” para a vontade divina. “Eis o coração da nossa peregrinação”, referiu. Em solo francês, o Patriarca de Lisboa não esqueceu o panorama internacional, marcado pela guerra e pelo sofrimento. Recordando a promessa de que “Deus não nos abandona” e “caminha connosco”, D. Rui Valério deixou um apelo direto à conversão interior como via para a concórdia global. “A paz não começa em tratados, a paz começa no coração”, defendeu nesta basílica subterrânea, apresentando Maria como “a Mãe dos corações novos” e pedindo que a divisão dê lugar à “reconciliação”. Ao concluir a homilia, o Patriarca exortou os peregrinos a transportarem a experiência de Lourdes para a vida quotidiana. Para D. Rui Valério, a “disponibilidade de Maria” deve ser o modelo para cada fiel ao regressar a casa, aos seus países e às suas realidades sociais. “Viemos também para sermos enviados, para construir a paz”, afirmou, convidando todos, mesmo perante a fragilidade e as dúvidas, a deixarem-se conduzir por Maria até Jesus. “Lourdes é um lugar onde ninguém sofre sozinho” Na manhã desta terça-feira, dia 21 de abril, o Patriarca de Lisboa celebrou a Eucaristia na Gruta das Aparições, no Santuário da Nossa Senhora de Lourdes, destacando a singularidade espiritual daquele lugar. “Não estamos apenas num espaço geográfico, mas num lugar onde o Céu tocou a terra”, afirmou, recordando a experiência de Santa Bernadette e a presença de Maria como sinal de proximidade de Deus à humanidade. Dirigindo-se aos peregrinos, em francês, D. Rui Valério evidenciou a mensagem central de Lourdes, afirmando que “Maria não vem apenas para falar; Ela vem acompanhar”, escolhendo a fragilidade e aproximando-se “sempre do que é mais ferido, mais frágil, mais esquecido”. Neste contexto, sublinhou que “Lourdes é isto: um lugar onde ninguém sofre sozinho”. Neste santuário mariano, no âmbito da peregrinação monfortina, o Patriarca de Lisboa recordou ainda o apelo à penitência presente nas aparições, explicando que “penitência significa regressar ao essencial, purificar o coração”, apontando para uma vivência de fé centrada na “conversão” e na “oração” pelos outros. Evocando São Luís Maria Grignion de Montfort, fundador da congregação a que pertence, D. Rui Valério sublinhou que “Maria é o caminho mais seguro para Jesus”, convidando os peregrinos a uma entrega mais plena: “A confiar mais, a rezar mais, a entregarmo-nos mais plenamente”. Na conclusão, o Patriarca deixou um apelo concreto. “Mergulhem mais fundo em Lourdes. Não deixem que a emoção vos impeça, não deixem que a curiosidade vos detenha; entrem no mistério”, salientou, incentivando à oração, ao silêncio interior e à vivência profunda da peregrinação. “Nossa Senhora continua a dizer-nos: ‘Eu estou convosco, caminho convosco, conduzo-vos a Jesus’”, garantiu, ao convidar os fiéis a confiar na presença materna de Maria. “A fé não é pedir; a fé é encontrar Cristo” Na tarde desta segunda-feira, dia 20 de abril, o Patriarca de Lisboa tinha presidido à Missa de abertura da 77.ª Peregrinação Monfortina ao Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, sublinhando a natureza da peregrinação como um “tempo de graça”. Na Basílica de São Pio X, D. Rui Valério desafiou os peregrinos a olharem para Lourdes não como um lugar de busca utilitarista, mas como um espaço de encontro profundo com Deus. Refletindo na língua francesa sobre a condição humana e o sentido de estar em Lourdes, o Patriarca referiu que os peregrinos trazem consigo o peso das suas vidas, mas recordou que, neste santuário, a perspetiva sobre a dor se transforma. “O peso não é apenas o lugar do sofrimento, é o lugar onde o sofrimento é tocado pela graça, e isso acontece quando o corpo se abre ao Espírito”, garantiu, destacando que, perante a “violência incompreensível” do mundo, o crente é chamado a “não perder a paz”. O Patriarca centrou parte da sua reflexão no diálogo do Evangelho, onde Jesus questiona a multidão sobre as razões que a levam a procurá-l’O. Transpondo esta interrogação para os dias de hoje, perguntou aos fiéis: “Procuram-n’O apenas porque precisam de algo ou porque O querem encontrar?”. “A fé não é pedir; a fé é encontrar Cristo”, defendeu, esclarecendo que acreditar não é uma mera opinião, mas sim um ato de “confiar, entregar-se e acolher os irmãos e irmãs”. Invocando a herança espiritual de São Luís Maria Grignion de Montfort, fundador da congregação a que pertence, D. Rui Valério apresentou a Virgem Maria como a “saúde e renovação” que conduz os passos dos crentes. O Patriarca de Lisboa concluiu a primeira celebração em Lourdes com um apelo à reconciliação e à caridade concreta, exortando os peregrinos a deixarem que o “grande milagre” de Lourdes aconteça no interior de cada um: “Vamos a Jesus por meio de Maria (...) para que o Senhor renove a fé, outrora cansada”.![]() |
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