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Patriarca de Lisboa visita Colégio Mira Rio
“A principal raiz da Europa é o cristianismo”
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O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, visitou na manhã desta sexta-feira, 17 de abril, o Colégio Mira Rio, em Telheiras, Lisboa, numa iniciativa motivada por um projeto das alunas do 2.º Ciclo, desenvolvido a partir da leitura do artigo ‘Quando as raízes são esquecidas...’. A visita incluiu momentos de acolhimento, apresentações culturais, encontros com alunas de vários ciclos e diálogos marcados por reflexões sobre a identidade europeia, a fé e os desafios contemporâneos.

 

Acolhimento e primeiros momentos

O Patriarca chegou ao colégio pelas 10h00, tendo iniciado a visita com um momento de oração na capela, acompanhado da diretora e do capelão principal, Padre Pedro Boléo Tomé, entre outros responsáveis. Seguiu-se a receção no hall de entrada, onde alunas dos 3.º e 5.º anos interpretaram o hino do colégio.

Na sequência deste momento, todas as alunas foram cumprimentar, uma a uma, D. Rui Valério. Uma estudante ofereceu então ao Patriarca de Lisboa uma imagem de Nossa Senhora feita por si. D. Rui Valério agradeceu o gesto e abençoou primeiro a imagem e depois a aluna.

 

Ucrânia no coração

No recreio, alunas do 7.º ano fizeram depois uma coreografia dedicada à União Europeia. Após a dança, que foi embelezada pelo sol matinal e pelas bandeiras dos países da UE, as alunas rodearam o Patriarca para uma conversa improvisada sobre diversos temas: desde logo, o solidéu que D. Rui Valério trazia na cabeça, mas também sobre a cruz peitoral, oferecida por ucranianos. “É uma forma de Lisboa ter no coração a Ucrânia”, explicou.

Esta primeira parte da visita a este colégio que tem mais de 500 alunos terminou na área do ensino infantil, onde o Patriarca contactou com as alunas e os alunos mais pequenos da casa.

 

“A principal raiz da Europa é o cristianismo”

Na biblioteca, após as boas-vindas da diretora do Colégio Mira Rio e do visionamento de um vídeo sobre o projeto educativo da escola, as alunas explicaram a D. Rui Valério que, todos os anos, é escolhido um tema que inspira as atividades ao longo do ano letivo. Este ano, recordando as palavras de São João Paulo II, o tema é: ‘Europa, volta a encontrar-te. Sê tu mesma’.

Foi então apresentado o projeto do 2.º Ciclo, centrado na reflexão sobre as raízes da Europa, na sequência do artigo ‘Quando as raízes são esquecidas...’, da autoria do Patriarca de Lisboa. Num diálogo com as alunas, D. Rui Valério destacou a importância de redescobrir e viver essas raízes. “A principal raiz da Europa é o cristianismo, é o Evangelho”, afirmou, sublinhando que a identidade europeia não é apenas “cultural ou política”, mas “profundamente espiritual”.

Recorrendo a uma imagem retirada de um episódio ocorrido no estrangeiro, explicou: “As árvores tinham sido partidas, mas as raízes tinham continuado ligadas à terra… e foi isso que permitiu que voltassem a viver”. Para o Patriarca, esta realidade aplica-se também às sociedades: “Não chega falar das raízes, é preciso vivê-las”.

 

Crítica ao individualismo e apelo ao “nós”

Durante a intervenção, o Patriarca alertou para o risco do individualismo na sociedade contemporânea. “O individualismo é um veneno que envenenou a cultura urbana… podemos chegar ao ‘salve-se quem puder’”, advertiu.

Referindo-se a crises recentes na Europa, apontou a fragilidade da unidade entre países e reforçou a necessidade de uma vivência concreta dos valores evangélicos. “O nosso sustento tem que ser o Evangelho: a esperança, o amor, a paz, a solidariedade, a liberdade”, enumerou.

Dirigindo-se diretamente às alunas, deixou um desafio: “Alimentem-se deste alimento que é o Evangelho… não só por vós, mas por todos nós”.

 

“Cada um pode fazer a diferença”

No momento de perguntas, D. Rui Valério partilhou aspetos da sua vida diária: “A primeira coisa que faço é rezar, depois vou correr, celebro a Eucaristia e o resto do dia é dedicado a encontros, visitas e audiências”. Destacou também o contacto regular com pessoas em situação de sem-abrigo: “Não é só levar comida… é falar com as pessoas, porque também elas são filhos de Deus”.

Evocando figuras que marcaram o seu percurso, referiu São João Paulo II e outros santos, como São Luís Maria de Monfort, fundador da congregação a que pertence, sublinhando a importância do testemunho na vivência da fé.

Questionado sobre o papel individual na construção de uma Europa mais unida, respondeu com uma imagem simbólica: “Cada um é como uma pequena chama… sozinha não ilumina, mas todas juntas iluminam um estádio inteiro”. E acrescentou: “Uma pessoa não pode mudar tudo, mas cada um pode fazer algo para que as coisas sejam diferentes”.

Seguiu-se a visita às salas dos 5 anos, do 1.º CEB e também a visita à exposição do 2.º CEB, que motivou a presença do Patriarca de Lisboa no Colégio Mira Rio.

 

Guerra, paz e fé

No encontro com alunas mais velhas, novamente na biblioteca, o Patriarca abordou temas internacionais, como os conflitos no Médio Oriente, em particular no Líbano. “A guerra provoca uma confusão tal que já não se distingue o bem do mal, a alegria da violência”, lamentou.

Citando o ensinamento do Papa Leão XIV, destacou a necessidade de uma “paz desarmada e desarmante”. “Só desarma quem se apresenta desarmado”, garantiu.

Num testemunho, recordou um acidente grave sofrido na infância, que o deixou temporariamente paralisado: “Foi Jesus que me sustentou… eu não posso duvidar de quem me pôs a andar”.

Sobre a fé, afirmou: “Todos os dias é dia de conversão… mesmo para quem nasceu numa família católica”. Questionado depois sobre como escutar a voz de Deus, D. Rui Valério respondeu: “É preciso disponibilidade… Deus fala no silêncio, na oração, na Palavra e até através dos outros”.

Relativamente ao relacionamento com pessoas de outras religiões ou que não têm fé, deixou uma orientação clara: “Sempre com respeito, com diálogo e sem nos sentirmos superiores”.

No final do diálogo, o Patriarca de Lisboa entregou à direção do colégio a medalha comemorativa da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023 e também a sua recente Carta Pastoral ‘Levanta-te, Igreja de Lisboa, e resplandece em Cristo’. D. Rui Valério recebeu alguns livros de oferta e assinou no final o livro de honra do colégio.

A presença no Colégio Mira Rio terminou com um almoço convívio, encerrando uma visita marcada pelo diálogo, proximidade e apelo a uma fé vivida com responsabilidade no mundo atual.

 

Mira Rio

O Colégio Mira Rio, em Telheiras, Lisboa, nasceu por iniciativa de um grupo de pais, no ano de 1978. Está integrado na família dos Colégios Fomento, que administra quatro colégios – Planalto e Mira Rio, em Lisboa, Cedros e Horizonte, no Porto.

Neste colégio privado, de matriz cristã, a oferta educativa vai desde a creche e infantil, passando pelo 1.º CEB, 2.º CEB e 3.º CEB e terminando no Secundário. Tem mais de 500 alunos de 26 nacionalidades diferentes e disponibiliza ainda diversas atividades extracurriculares que aprofundam a formação das suas alunas.

“Inspirando-se numa visão transcendente da existência humana e no princípio da dignidade da pessoa, o Colégio Mira Rio aposta na educação integral das alunas: académica, humana e cristã”, refere o site do colégio.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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