Lisboa |
Encontro Vicarial de Jovens
“JMJ revelou uma geração de jovens que nos dá grande esperança”
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O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, rezou o Terço com a juventude da Vigararia de Oeiras, no encerramento da Visita Pastoral, na tarde deste Domingo, dia 1 de fevereiro, pedindo uma oração particular pelas vítimas da depressão Kristin. No encontro ‘Deixem o Patriarca falar!’, D. Rui Valério pediu aos jovens para “não terem medo de abrir o coração a Jesus”, porque “a nossa esperança está em Cristo”.

O Encontro Vicarial dos Jovens de Oeiras com o Patriarca de Lisboa teve início pelas 15h00, na Igreja da Santíssima Trindade, em Miraflores, com a oração do Terço com a juventude da vigararia. Além de D. Rui Valério, também os Bispo Auxiliares D. Nuno Isidro e D. Alexandre Palma rezaram a oração mariana.

“Maria oferece-se e apresenta-se a nós como Aquela que nos conduz a Jesus. Dizia um grande santo, São Luís Maria de Montfort: ‘Onde está Nossa Senhora, está Jesus’. Esta tarde, somos convidados a apresentarmos as intenções das nossas comunidades, das nossas paróquias, das nossas famílias, as nossas intenções pessoais. Peço-vos para que coloquem uma intenção especial por aquelas comunidades, por aquelas pessoas, famílias que estão a viver noites de grande aflição, porque foram afastados pela passagem dessa depressão, dessa tempestade que trouxe destruição. Vamos rezar por eles para que, mesmo tendo perdido tantos bens – houve quem perdesse a casa, os carros, quem perdesse tantas coisas –, que nunca percam aquilo que nos liga à vida que é a fé, que é a confiança”, pediu D. Rui Valério, no início deste momento de oração, em que os jovens rezaram os Mistérios Gloriosos.

No final da oração do terço com os jovens, o Patriarca rezou uma breve oração de agradecimento e envio, confiando a Deus os sonhos e desafios das novas gerações: “Senhor Deus, nós vos agradecemos por este momento de oração e entrega. Colocamos agora diante de vós com os jovens, os seus sonhos, desafios, esperanças. Dai-nos, Senhor, um coração atento e dócil, capaz de escutar a vossa palavra no silêncio, na oração e na vida quotidiana. Que não se fechem ao vosso chamamento, mas tenham a coragem de dizer sempre ‘sim’, como Maria. Enchei os jovens do vosso espírito para que sejam testemunhas vivas do Evangelho, não apenas com palavras, mas com gestos de amor, justiça e misericórdia. Que eles anunciem a vossa palavra com alegria. Onde houver desânimo, levem a esperança. Onde houver ódio, levem o amor. Onde houver escuridão, levem a vossa voz. Senhor, fazei de nós testemunhas da vossa ressurreição e que os frutos desta Visita Pastoral permaneçam entre nós para que, unidos, caminhemos juntos como uma geração que semeia a esperança e o amor no mundo”.

 

‘In manibus tuis’: um lema episcopal feito de confiança e entrega

O quinto e último encontro vicarial por áreas da pastoral da Visita Pastoral à Vigararia de Oeiras prosseguiu, depois, no Pavilhão Celorico Moreira, situado a cerca de 400 metros da igreja. Neste pavilhão desportivo da Escola Secundária de Miraflores, teve lugar uma conversa informal e descontraída do Patriarca de Lisboa com os jovens das 13 paróquias da Vigararia de Oeiras, que foi moderada por dois jovens, Rita e Diogo. ‘Deixem o Patriarca falar!’ foi um diálogo aberto, marcado pela esperança, com os jovens a colocarem seis perguntas.

Na primeira questão, ao explicar a escolha do seu lema episcopal, ‘In manibus tuis’ (‘Nas tuas mãos’), D. Rui Valério sublinhou que o lema é “uma espécie de síntese do espírito com que a pessoa abraça a missão de ser Bispo, de servir a Igreja e o povo de Deus”. Inspirado nas palavras de Jesus na cruz – «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito» –, o Patriarca afirmou que este lema exprime “uma declaração de disponibilidade, de abandono e de confiança total”.

Recordando também a influência de D. Hélder Câmara, cujo lema era muito semelhante, D. Rui Valério destacou a força do testemunho daquele Bispo brasileiro, capaz de mostrar que “uma pequena chama, quando se junta a outras, pode iluminar tudo”, sublinhando que “com a nossa dedicação e entrega podemos verdadeiramente ser luz do mundo”.

 

A Marinha como escola de carácter, vulnerabilidade e missão

Questionado depois sobre a sua experiência como capelão da Marinha, D. Rui Valério descreveu esse período como “uma parcela significativa” da sua vida. O Patriarca destacou, em particular, o contacto com homens e mulheres “guiados por um código de conduta muito rigoroso”, onde encontrou “gente de carácter”.

Entre as experiências mais marcantes, referiu a navegação em alto-mar, onde se sente “a força da natureza e a vulnerabilidade do ser humano”, e a disponibilidade para arriscar a própria vida em missões de salvamento. “Essa predisposição para dar a vida pelo outro marcou-me profundamente”, afirmou, reconhecendo ali um reflexo do gesto original de Cristo: “Dar a vida pelos outros”.

 

Uma vocação nascida na dor e amadurecida na confiança

D. Rui Valério partilhou com os jovens o início da sua vocação sacerdotal, que remonta aos sete anos, durante um longo internamento hospitalar após um grave acidente. “Foi uma experiência muito dura, de muita solidão”, recordou, explicando que, à medida que diminuía a confiança na ciência, “foi aumentando a confiança em Deus”.

Esse caminho interior, marcado pela oração e pela entrega, levou-o a reconhecer que “quem me pôs a andar foi Jesus Cristo, com a ajuda da ciência”. A decisão definitiva pelo sacerdócio amadureceu mais tarde, no noviciado, após o 12.º ano. Quanto à pergunta sobre namoros, respondeu com simplicidade: “Eu sempre me senti namorado de Jesus Cristo e sempre O tive como o namorado da minha vida”.

 

Jornadas e Jubileu: jovens que são sinal de esperança

Ao recordar a Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023 e o Jubileu 2025, o Patriarca sublinhou que “ninguém estava à espera do que verdadeiramente aconteceu”. Entre os aspetos mais marcantes, destacou o envolvimento de todo o país e o protagonismo dos jovens, afirmando que “a grande força organizadora das jornadas foram os jovens”.

D. Rui Valério confessou ter ficado particularmente impressionado com a centralidade da oração e da espiritualidade: “Esta Jornada captou o essencial, que foram os momentos de intimidade com Jesus”. Para o Patriarca, Lisboa 2023 revelou “uma geração de jovens que suscita em nós uma grande esperança no amanhã”.

 

Ser bispo: uma vida feita de doação e comunhão

Sobre a solidão na vida episcopal, D. Rui Valério explicou que a vocação não é uma função, mas “uma dedicação total, uma doação”. “O bispo e o padre oferecem-se inteiramente, como na Eucaristia: «Tomai, isto é o meu corpo»”, afirmou.

Ao mesmo tempo, destacou a comunhão vivida na Igreja de Lisboa, onde sente uma verdadeira experiência sinodal. “Aqui supera-se a mera funcionalidade: tanto no que damos como no que recebemos”, disse, agradecendo os gestos concretos de solidariedade e proximidade vividos na diocese, sobretudo em momentos de maior dificuldade.

 

Uma mensagem de esperança ancorada em Cristo

Na mensagem final dirigida aos jovens da Vigararia de Oeiras, D. Rui Valério definiu a esperança como “uma luz que se acende no coração” e que permite transformar “cada dificuldade numa oportunidade de novo começo”. Distinguindo esperança de simples otimismo, afirmou: “A esperança tem uma origem: o próprio Senhor, Jesus Cristo”.

O Patriarca de Lisboa deixou um convite claro. “Não tenhamos medo de abrir o coração a Jesus e de Lhe dedicar tempo”, desafiou. Sublinhando a oração e a adoração como lugares privilegiados da esperança, concluiu: “A nossa esperança está em Cristo. Se queremos ser pessoas de esperança, é a Jesus que temos de procurar”, apontando já ao Jubileu de 2033 como celebração do Cristo ressuscitado.

Após o encontro com os jovens, o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu à Missa de encerramento da Visita Pastoral à Vigararia de Oeiras, que decorreu entre os dias 17 de novembro de 2025 e 1 de fevereiro de 2026.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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