Na Missa celebrativa do Dia Nacional da Universidade Católica Portuguesa, o Patriarca de Lisboa afirmou que a depressão Kristin, que recentemente afetou Portugal, “expôs fragilidades, trouxe perdas, inquietações, medos, e revelou como somos vulneráveis diante das forças da natureza”.
Na homilia proferida na manhã deste Domingo, 1 de fevereiro, na Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, no Parque das Nações, D. Rui Valério evocou a tempestade que marcou o país para enquadrar a proclamação das Bem-aventuranças, destacando que, depois da depressão, “subimos com Jesus levando connosco casas atingidas, campos devastados, famílias inquietas, trabalhadores exaustos, comunidades feridas”.
A partir do Evangelho do IV Domingo do Tempo Comum, o Patriarca explicou que as Bem-aventuranças “não são um discurso ingénuo, nem uma promessa fácil”, mas um caminho que atravessa a dor e a fragilidade humanas. “Não negam a dor; atravessam-na. Não anulam a fragilidade; habitam-na com esperança”, afirmou, identificando nos pobres, nos que choram e nos que têm fome de justiça aqueles que hoje experimentam de forma mais intensa as consequências da tempestade.
D. Rui Valério sublinhou ainda que o Monte das Bem-aventuranças aponta para o Calvário, onde Cristo transforma o sofrimento em dom, lembrando que “a tempestade não tem a última palavra; a última palavra pertence ao amor que se oferece”. Uma mensagem que, segundo o Patriarca, ganha particular força num tempo em que “quando tudo treme, só permanece aquilo que é essencial – a solidariedade, a proximidade, a ajuda concreta”.
Foi neste contexto que o Patriarca enquadrou a celebração do Dia Nacional da Universidade Católica Portuguesa, assinalado neste mesmo Domingo, sob o lema ‘Por uma Diaconia da Cultura’. Para D. Rui Valério, a Universidade Católica é chamada a ser um espaço onde o saber se coloca ao serviço da reconstrução humana e social, sobretudo depois da depressão Kristin.
“A Universidade Católica é o lugar onde o saber não se limita a explicar o mundo, mas se coloca ao serviço da sua cura”, afirmou, defendendo uma cultura que sirva, que una ciência e consciência e que não abandone os mais frágeis. Num tempo de reconstrução, acrescentou, esta diaconia da cultura traduz-se em “pensar políticas justas, formas responsáveis de reconstrução, modelos de desenvolvimento que respeitem a criação”.
O Patriarca destacou ainda a dimensão universal da missão académica da Universidade Católica, recordando que esta se situa “sob a égide do Universal”, numa visão que reconhece que “Deus não é concorrente da inteligência, mas o seu fundamento último”. Uma perspetiva que, citando o Papa Leão XIV, permite “captar o horizonte” e ir mais além na compreensão da vida humana e da história.
Concluindo a homilia, D. Rui Valério deixou um apelo à conversão do olhar, para que este tempo marcado pela depressão e pelas tempestades seja também um tempo de cuidado mútuo e de esperança concreta. “Em Cristo crucificado e ressuscitado, a fragilidade não é o fim: é o lugar onde Deus faz novas todas as coisas”, afirmou.
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