Lisboa |
Intervenção
Patriarca de Lisboa destaca dimensão profética da Carta Ecuménica
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O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, sublinhou esta terça-feira que a nova edição da Carta Ecuménica representa “um compromisso público das Igrejas com a humanidade concreta do nosso tempo”, afirmando que a fé cristã é chamada a intervir ativamente na história como “fermento de justiça, de fraternidade e de esperança”.

Na sua intervenção na apresentação do documento, que teve lugar na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, na tarde desta terça-feira, dia 20 de janeiro, o Patriarca considerou que a Charta ¼cumenica vai além do diálogo intereclesial, assumindo-se como “uma responsabilidade assumida diante da Europa de hoje”, marcada por guerras, fraturas sociais, crises migratórias, desafios ecológicos e profundas transformações tecnológicas.

D. Rui Valério destacou que a unidade dos cristãos não é um objetivo fechado sobre si mesmo, mas “um caminho ao serviço do mundo”, afirmando que o testemunho comum das Igrejas só se torna credível quando se traduz na atenção aos mais frágeis, na promoção da dignidade humana, na defesa da paz e na salvaguarda da criação. “A divisão entre cristãos enfraquece este testemunho; o caminhar juntos fortalece-o e torna-o mais fecundo”, afirmou.

O Patriarca de Lisboa sublinhou ainda a dimensão profética do documento, numa época marcada por “lógicas de confronto, de exclusão e de indiferença”. Segundo afirmou, as Igrejas são chamadas a propor “uma outra gramática para a vida social e cultural: a gramática da escuta, do diálogo, da responsabilidade partilhada e do cuidado mútuo”, defendendo que os caminhos de entendimento entre Igrejas e religiões constituem hoje “um dos fundamentos mais sólidos para a construção de uma paz duradoura”.

Referindo-se ao espaço público europeu, D. Rui Valério defendeu a necessidade de uma voz cristã unida, “uma voz que não pretende impor-se, mas propor; que não nasce do poder, mas do serviço”. Nesse contexto, afirmou que a Europa só reencontrará a sua alma se colocar no centro a pessoa humana e a sua vocação à comunhão, reconhecendo “de forma irrenunciável as origens cristãs da própria Europa” e o património cultural, espiritual e humanista que delas decorre.

No plano nacional, o Patriarca afirmou que, em Portugal, a Carta Ecuménica é recebida como “um apelo à conversão ecuménica concreta”, que se exprime na oração comum, na ação social partilhada, na formação das novas gerações e no compromisso com uma sociedade mais justa, fraterna e solidária. Nesse horizonte, garantiu que a Conferência Episcopal Portuguesa renova a sua disponibilidade para caminhar com as outras Igrejas cristãs, “convicta de que, juntos, podemos servir melhor o bem comum e testemunhar com maior clareza o Evangelho da paz”.

 
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