A Visita Pastoral à Paróquia de Nossa Senhora das Dores de Laveiras-Caxias decorreu entre os dias 6 e 11 de janeiro, com a presença do Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, e do Bispo Auxiliar, D. Rui Gouveia, envolvendo celebrações, encontros institucionais e momentos de familiaridade com as crianças, os jovens, os idosos e os mais vulneráveis. Na Missa de encerramento, a comunidade foi desafiada a redescobrir o batismo como um caminho de proximidade, serviço, escuta e comunhão, a viver “todos os dias da vida”.
Na tarde de terça-feira, 6 de janeiro, a Visita Pastoral a Laveiras-Caxias teve início com a presença do Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, e do Bispo Auxiliar D. Rui Gouveia. “A recebê-los o nosso Pároco, Pe. José Luís, e o Vigário Paroquial, Pe. José Carlos, e uma comunidade em escuta que enchia a Igreja Paroquial de Nossa Senhora das Dores. Depois, fomos ao encontro da presidente da Junta da União das Freguesias Oeiras e São Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias, Dra. Madalena Castro, que numa cerimónia de boas-vindas apresentou ao senhor Patriarca as grandes coordenadas territoriais, sociais e económicas da Freguesia de Caxias: a população, os equipamentos e as necessidades. O senhor Patriarca agradeceu com breves palavras, elogiando a disponibilidade do poder político local, para o receber e ao senhor Bispo Auxiliar”, partilhou a paróquia, no seu site. O dia acabou com a visita à Casa de São Bento, “talvez um dos momentos mais marcantes destas primeiras horas da Visita”. “Em Caxias toda a comunidade conhece o que está dentro do coração da casa ‘amarela’. Foi justamente este coração infinito, pleno de misericórdia, repleto de «estórias» de vida escritas pela humanidade das periferias da alma que Elisabete depositou numa pequeníssima caixa de cartão e ofereceu ao senhor Patriarca que com o tempo próprio da disponibilidade permanente, característica do Bom Pastor que conhece e visita as suas ovelhas, quis conhecer o rosto de todas as crianças protagonistas deste Projecto de Intervenção Comunitária da nossa Paróquia. Foi assim que aconteceu, ao fim da tarde, uma extraordinária conversa entre o nosso Bispo e a humaníssima história de tantas vidas”, salienta o texto. O primeiro dia de visita pastoral foi concluído com a Santa Missa, presidida pelo Patriarca de Lisboa, e pelo encontro com a Pastoral da Família da vigararia, reunida em Paço de Arcos. Messe e vulneráveis D. Rui Valério e D. Rui Gouveia iniciaram o segundo dia da Visita Pastoral a Caxias, a 7 de janeiro, almoçando na Messe dos Oficiais da freguesia. “Um momento, particularmente revelante. Como bem disse o General Sousa Pinto nas palavras de boas vindas, Caxias tem uma forte relação com os militares que remonta ao século XVI, tendo aproveitado a circunstância para numa pequena síntese, muitíssimo interessante, perpassar a história da Vila com os acontecimentos relevantes dos destinos de Portugal”, conta a paróquia, numa publicação. O programa da tarde foi “dedicado às instituições que na nossa freguesia têm a missão de acolher, olhar, tratar e amparar os mais vulneráveis da nossa terra”. “São os mais velhos, os nossos avós, pais, tios, padrinhos… muitos deles foram os primeiros a mostrar-nos Jesus, alguns foram mesmo os responsáveis pela transmissão da Fé, outros, tantos, ensinaram-nos a rezar: o Pai Nosso, o Angelus e o Terço. Visitá-los é a maior resistência ao esquecimento da humana condição que nos leva ao Amor”, destaca o texto. A Naturidade, uma das instituições que se dedica à prestação de cuidados de saúde e de apoio social, recebe às quartas-feiras um grupo de voluntários que recita o Terço. “D. Rui Gouveia percorreu, atenta e solicitamente, os corredores da Naturidade. Com os voluntários rezou o Rosário, abençoou os doentes, e deixou palavras que ecoarão no coração de cada um, segundo os desígnios de Deus”, frisa. Por fim, as Comunidades Neocatecumenais jantaram com o Bispo Auxiliar de Lisboa, terminando a noite na Igreja da Cartuxa, com a ‘Lectio Divina’. Dia mais intenso A quinta-feira, dia 8 de janeiro, foi, segundo a paróquia de Laveiras-Caxias, “talvez o dia mais intenso, extenso, plural, institucional, desta visita pastoral”. “Escolas, Polícia, Associações, Centro de Dia, Centro Educativo, passeio pelo Bairro, Santa Missa e, por fim, o encontro com todos os grupos da nossa Paróquia”, foi a agenda deste terceiro dia. “As ovelhas gostam de estar com o seu Pastor. Querem-no próximo, façamos três tendas e fiquemos aqui, a legenda que vivifica a experiência desta Visita Pastoral. D. Rui, Patriarca, D. Rui, Bispo, fiquem connosco. Continuem a visitar as escolas, das nossas queridas irmãs, Escravas da Santíssima Eucaristia e o (seu) Colégio Nossa Senhora das Dores, a Escola Básica Samuel Johnson, as suas crianças e professores, também eles tão presentes com a vossa presença, fiquem, fiquem com os nossos idosos, que vos olham como se olhar fosse ele mesmo, a mais intima conversa com Jesus, o nosso Centro Comunitário Paroquial e quantos nele trabalham sabem bem, conhecem os nosso velhos, assim os tratamos quando deixamos de ser capazes de revisitar a memória de tantas obras escritas com as suas vidas sofridas, fiquem, fiquem nas salas e nos corredores da nossa Polícia, lembrando-lhes que sem eles, as sociedades são infinitamente mais pobres, desordenas, inquietas, inseguras, sem eles, como nos mostrou a Associação Mundos de Papel, as nossas crianças jamais entenderiam a graça da sua existência, fiquem, fiquem com os jovens do Centro Educativo Padre António Oliveira, esse lugar onde o rosto de cada um, da singular imersão da humana condição de sermos homens, de pais para filhos, da culpa e do perdão, da dor à resignação, da verdade ao sonho, do mal ao bem, da complexidade da inteligência à loucura da estupidez, porquê, porquê, eu, eu, um fio nos separa como tantas vezes lembrou o Papa Francisco quando visitava os condenados de si próprios, fiquem, fiquem naqueles minutos vividos com eles, em que todos acreditámos, e também eles, sobretudo eles, que estavam no minuto eterno mas suspenso da sua condição sonhada, fiquem ou se não ficarem por tanto tempo, levem-nos ao Coração de Jesus, à Misericórdia do Pai, ao enlevo do Espírito”, resume a publicação no site da Paróquia de Laveiras-Caxias. Num post na rede social Facebook, a União das Freguesias de Oeiras e S. Julião, Paço de Arcos e Caxias destacou a presença de D. Rui Gouveia numa escola. “No âmbito da Visita Pastoral a Caxias (Paróquia Laveiras - Caxias), foi plantada hoje, pelo Bispo Auxiliar D. Rui Gouveia, uma árvore na Escola EBI de São Bruno. Esta iniciativa contou com a colaboração de alunos e professores da Escola, e de elementos do Executivo da Junta de Freguesia”, refere a publicação. Os grupos e movimentos, “num atrevimento humilde”, quiseram que o Bispo Auxiliar “conhecesse a missão, o carisma, de tantos, e de outros tantos que não estiveram, do Coro aos Leitores, da Legião de Maria à Mater Dolorosa, da Saúde à Cultura, da Irmandade, dos Adoradores aos Ministros da Comunhão”. “Somos tantos nesta terra tão pequena que sem medos, na companhia dos nossos Padres, com o Padre José Carlos sempre ao nosso lado, temos a graça de dizer sim a Jesus, o nosso TUDO, como nos lembra, todos os dias, D. Rui Gouveia”, destaca o texto. Crianças e jovens O quarto dia da Visita Pastoral a Laveiras-Caxias, na sexta-feira, 9 de janeiro, começou na Creche e Jardim de Infância de Nossa Senhora do Acolhimento, Obra Social Madre Maria Clara, missão das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição. “Uma Congregação Religiosa que procura encontrar-se com o Senhor na oração pessoal e comunitária, e na escuta atenta da sua Palavra, em todas as situações da sua vida. Abertas ao ensino, as religiosas franciscanas hospitaleiras marcam a freguesia de Caxias com o dom da sua entrega a Jesus no acolhimento a crianças particularmente necessitadas. Foi na Obra Social Madre Maria Clara que o senhor Bispo, D. Rui Gouveia, passou praticamente a sua tarde. E que obra tão grande...!”, refere a paróquia. Ao final da tarde, houve ainda um encontro com os visitadores do Hospital Prisional, “num momento simples, mas cheio de significado, pela entrega discreta e fiel de quem leva presença, escuta e esperança onde mais se precisa”. O Bispo Auxiliar de Lisboa celebrou a Missa às 19h00, como tem acontecido ao longo da semana, e jantou com o Conselho Pastoral e Económico da Paróquia Laveiras-Caxias, “num ambiente informal, mas cheio de significado até porque o tema central foi a apresentação da síntese dos trabalhos preparatórios que mobilizou tão empenhadamente a nossa comunidade”. A noite terminou com a Vigília de Oração dos Jovens de Taizé. “Que beleza!!! As velas, os cânticos, as preces, é extraordinário o cuidado dos nossos jovens na preparação do encontro”, garante a comunidade. Desporto, catequese e escuteiros O dia de sábado, 10 de janeiro, começou com a visita ao Grupo Desportivo Unidos Caxienses, a que se seguiu uma visita guiada ao Jardim Real e à Cartuxa. Após o almoço oferecido pela presidente da união de freguesias, D. Rui Gouveia encontrou-se com a Catequese, presidiu à Eucaristia animada pela Catequese, a que se seguiu o encontro, Missa e jantar com os Escuteiros (Agrupamento 45 Caxias). À noite, houve ainda tempo para um encontro com a Associação de Moradores da Pedreira Italiana e Recitação do Terço, na Casa da Cultura. Viver o batismo todos os dias da vida A Missa solene de encerramento da Visita Pastoral a Laveiras-Caxias foi celebrada este Domingo, dia 11 de janeiro, no Pavilhão Desportivo dos Unidos Caxienses, presidida por D. Rui Gouveia, Bispo Auxiliar de Lisboa, no contexto da solenidade do Batismo do Senhor. Na homilia, o prelado convidou a comunidade a redescobrir o significado do batismo como caminho de proximidade, serviço, escuta e comunhão. Partindo do Evangelho do Batismo de Jesus no rio Jordão, D. Rui Gouveia destacou que este momento “inaugura a vida pública de Jesus” e revela um Deus que não se impõe pelo poder, mas pela humildade. “Ele é Rei, mas é servo. Ele tem poder, mas este poder é exercido de uma determinada maneira. Ele exerce este poder servindo”, afirmou, citando o Papa Francisco: “O verdadeiro poder é o serviço”. O Bispo Auxiliar de Lisboa sublinhou que o gesto de Jesus, ao colocar-se na fila para ser batizado, manifesta um Deus próximo da humanidade. “O nosso Deus não é um Deus distante. Ele coloca-se na fila connosco porque ele é próximo. Ele quer estar dentro dos nossos dramas, dentro das nossas alegrias, dentro da nossa humanidade”, explicou, acrescentando que “mais próximo do que isto, não é possível”. Na homilia, D. Rui Gouveia destacou também a atitude de obediência de Jesus como um traço essencial da fé cristã. Recordando o diálogo entre Jesus e João Batista, afirmou que esta obediência “não é um exercício de resignação”, mas “um ato de liberdade” e “um ato de amor”. “A vontade de Deus pode ser muito melhor do que aquela que eu posso imaginar e construir e planear”, sublinhou. Outro ponto central da reflexão foi a importância da escuta, apresentada como fundamento da vida humana, da fé e da paz. “Não há educação, não há civilização, não há vida de fé que sobreviva sem a escuta do outro”, afirmou o Bispo Auxiliar, acrescentando que “quem serve e quem escuta e obedece é alguém que promove a comunhão”. A propósito do local da celebração, D. Rui Gouveia associou o tema da unidade ao nome do clube anfitrião, sublinhando que a obediência, o serviço e a escuta conduzem à comunhão: “A unidade é uma construção que é difícil”, mas nasce de quem aprende “que ganha mais a servir do que a ser servido”. No final, o Bispo Auxiliar de Lisboa convidou os fiéis a recordarem o seu próprio batismo, lembrando que este não é apenas um acontecimento do passado. “O batismo não é uma coisa que foi realizada no passado. O batismo é qualquer coisa que é para ser vivida todos os dias da vida”, afirmou. “Nós fomos batizados para recebermos a vida de Deus” e para viver como filhos, chamados a servir, escutar e gerar comunhão. Concluindo, D. Rui Gouveia desafiou a comunidade a pedir a renovação da graça batismal, para que todos possam viver “esta grande vocação do nosso batismo, de sermos filhos de Deus”, à imagem de Jesus, “para que possamos ser um só corpo, a sua família”. A Visita Pastoral a Laveiras-Caxias terminou com o almoço festivo, no Centro Comunitário Paroquial, com testemunhos. fotos por Paróquia de Laveiras-Caxias![]() |
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