O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu à Missa pelos 90 anos do Sindicato Nacional de Atividade Turística, Tradutores e Intérpretes (SNATTI), na manhã desta sexta-feira, 9 de janeiro, considerando que celebrar este aniversário é “reconhecer uma vocação social”.
Na homilia da celebração na Igreja de Santa Maria de Belém, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, o Patriarca convidou a olhar para os 90 anos do SNATTI, considerando que celebrar este aniversário “não é apenas recordar uma cronologia institucional”, mas antes “reconhecer uma vocação social”. Destacando o papel dos tradutores e intérpretes como mediadores, afirmou que “onde há tradução verdadeira, há aproximação; onde há interpretação fiel, há entendimento; onde há mediação honesta, constrói-se confiança”. E reforçou: “Também isto é testemunho: tornar possível o encontro, evitar o isolamento, impedir que o outro permaneça estrangeiro”. D. Rui Valério evocou ainda a história do Patriarcado de Lisboa, lembrando que a sua criação refletiu uma consciência de responsabilidade universal. “Portugal entendeu-se a si mesmo como ponte: entre continentes, entre povos, entre culturas, entre a fé e a vida concreta dos homens”, afirmou, sublinhando que propagar a fé “nunca foi apenas multiplicar palavras”, mas criar espaços de encontro e assumir a história como lugar de responsabilidade. Referindo-se ao presente, alertou que preservar valores “não é embalsamar a memória”, mas permitir que ela gere futuro. “O testemunho cristão – e humano – não consiste em falar mais alto, mas em viver de modo coerente, legível, fecundo”, afirmou. No final, o Patriarca convidou a viver a gratidão como abertura ao futuro, recordando que, como o leproso curado, todos são enviados “a oferecer, a testemunhar, a servir”. E concluiu com um apelo: “Que o Senhor nos conceda a graça de sermos testemunhas fiéis: pessoas e instituições que, reconhecendo o dom recebido, vivem agradecidas e correspondem com responsabilidade criativa aos desafios do tempo presente”.![]() |
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