Lisboa |
Encontro Vicarial com os Agentes da Pastoral da Família de Oeiras
“A partir da família, vamos alcançar a paz para o mundo inteiro”
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“A família é o primeiro rosto da Igreja”. Esta foi a convicção sublinhada pelo Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, no Encontro Vicarial com os Agentes da Pastoral da Família da Vigararia de Oeiras, realizado na noite desta terça-feira, dia 6 de janeiro, no auditório da Igreja da Sagrada Família, em Paço de Arcos, num momento de diálogo sobre os desafios atuais das famílias.

O segundo encontro vicarial por áreas da pastoral da Visita Pastoral à Vigararia de Oeiras teve início com a Missa, presidida pelo Patriarca D. Rui Valério, a que seguiu o jantar e um momento de diálogo. A iniciativa reuniu cerca de 70 agentes pastorais das 13 paróquias da vigararia, num espaço de escuta e reflexão sobre os principais desafios que hoje se colocam às famílias, à educação dos filhos e à inclusão na vida da Igreja.

Respondendo a uma questão sobre os caminhos pastorais mais urgentes para fortalecer os vínculos familiares e ajudar os casais a enfrentar crises sem se afastarem da fé e da comunidade, o Patriarca de Lisboa sublinhou que o ponto de partida deve ser sempre a relação concreta entre as pessoas.

“O caminho pastoral para incrementar todos estes valores da família e da comunidade tem que ser sempre o caminho do outro, da pessoa que se ama, da pessoa com quem se vive”, afirmou D. Rui Valério, nesta conversa com cerca de 60 agentes desta pastoral, acrescentando que a referência fundamental da pastoral familiar é o próprio Deus.

“O caminho pastoral, seja no matrimónio, seja na família, seja na vida da Igreja, é aquele que nos foi estabelecido por Jesus: o caminho do ser humano, com as suas fadigas, os seus sentimentos e tudo aquilo que vive”, referiu o Patriarca, defendendo que esta proximidade “reforça a união e prepara verdadeiramente para enfrentar todas as adversidades”.

 

“Sejamos profetas da graça e da beleza da família”

Na mesma pergunta, D. Alexandre Palma, Bispo Auxiliar de Lisboa responsável pela Pastoral da Família, apelou a uma abordagem positiva da pastoral familiar, sem ignorar as dificuldades, mas evitando leituras pessimistas da realidade.

“Não sejamos profetas da desgraça. Já há que chegue na nossa sociedade. Sejamos profetas da graça”, afirmou, convidando os agentes pastorais a testemunhar “a beleza, a bondade e a grandeza da família”.

O Bispo Auxiliar destacou ainda a importância de uma pastoral marcada pela proximidade, escuta e realismo. “Não há duas famílias iguais. Todas as famílias são iguais e todas são diferentes ao mesmo tempo”, sublinhou, evocando a imagem da Igreja como “hospital de campanha”, onde existem “muitas feridas, mágoas e ansiedades” na vida concreta das famílias.

“Falemos verdade às pessoas. A verdade é falar da vulnerabilidade e é também falar da beleza”, acrescentou, defendendo que muitas vezes “é a ferida que permite que a luz e a graça entrem”.

 

Educar na verdade num contexto de ideologias

Na presença também de D. Rui Gouveia, Bispo Auxiliar de Lisboa que acompanha a Vigararia de Oeiras, o Patriarca foi questionado sobre a forma de educar crianças e adolescentes num mundo marcado por uma grande diversidade de identidades de género, alertando para os riscos das ideologias que se afastam da verdade do real.

“Uma ideologia é sempre uma alienação e, neste caso, está a querer alterar, recriar e reescrever aquilo que é fixo”, afirmou D. Rui Valério, defendendo que a resposta da Igreja e dos pais deve passar sempre pela verdade.

“Nunca faltar à verdade ao filho. Nunca esconder sequer os sentimentos que vão no coração e na alma”, insistiu o Patriarca, acrescentando: “Nunca abdiquemos da verdade. Abdicar da verdade é abdicar de Cristo”.

Apesar dos desafios, D. Rui Valério manifestou esperança, afirmando estar “otimista relativamente ao facto de que a própria humanidade vai tomar consciência de que onde falta a verdade, falta a liberdade”.

 

Acolher as pessoas com deficiência como prioridade pastoral

Outra das questões abordadas centrou-se no acolhimento das pessoas com deficiência nas paróquias e no acompanhamento do seu crescimento espiritual. O Patriarca de Lisboa sublinhou que a atitude da Igreja deve ser a mesma de Jesus: ver sempre pessoas.

“Quando falamos dos vulneráveis e dos mais frágeis, estamos a falar daqueles que têm o primeiro lugar no coração de Deus”, afirmou D. Rui Valério, garantindo que, no Patriarcado de Lisboa, “não há paróquia que não acolha com disponibilidade e alegria quem quer que seja”.

O Patriarca destacou ainda o contributo humano e espiritual das pessoas com deficiência para a comunidade: “Eles são capazes de ativar em cada um de nós o que de mais belo e de melhor temos dentro”.

 

A pastoral começa no concreto das comunidades locais

D. Alexandre Palma reforçou que a pastoral não pode ser reduzida a uma lógica burocrática. “A pastoral é um impulso da vivência do Evangelho”, observou, sublinhando que o principal desafio está nas comunidades locais.

“Não estejam à espera de uma indicação”, alertou, defendendo a aplicação do princípio da subsidiariedade à pastoral: “O que pode ser resolvido localmente é aí que deve ser resolvido”.

Segundo o Bispo Auxiliar de Lisboa, é no contexto concreto das paróquias que melhor se identificam os problemas e se constroem respostas adequadas às necessidades reais das famílias.

 

Rezar pelas famílias

No encerramento do momento de diálogo, o Patriarca de Lisboa recordou a centralidade da família na vida da Igreja. “A família é o primeiro rosto da Igreja. Por isso, Paulo VI lhe chamou a Igreja doméstica”, afirmou D. Rui Valério, deixando ainda um apelo final à oração: “Continuemos a rezar pela paz na família, porque a partir da família, Igreja doméstica, nós vamos alcançar, pela graça de Deus, a paz para o mundo inteiro”.

Após o visionamento de um vídeo com diversos testemunhos de casais, vários movimentos da Igreja presentes na Vigararia de Oeiras, como o Movimento Apostólico de Schoenstatt, as Equipas de Nossa Senhora, o Curso Alfa ou a Verbum Dei, partilharam testemunhos sobre a preparação para o matrimónio, o apoio aos futuros casais e aos casais em crise.

 

Observar e dar resposta

O novo casal diretor do Setor da Pastoral da Família do Patriarcado de Lisboa, Sandra e Rui Ramos, nomeados pelo Patriarca de Lisboa no passado mês de julho, marcaram presença neste encontro vicarial e aproveitaram a oportunidade para se apresentar. “Somos a Sandra e o Rui, estamos casados há 33 anos, temos quatro filhos. Somos da Paróquia de Linda-a-Velha e também somos das Equipas de Nossa Senhora, um movimento que tem feito realmente a diferença na nossa vida como casal”, referiu Sandra.

Lembrando os “anos fantásticos de trabalho” do anterior casal diretor, Regiani e Tiago Líbano Monteiro – também presentes no encontro –, estes novos responsáveis garantiram que foi um “desafio total e inesperado” assumirem esta responsabilidade diocesana. “Tivemos que rezar muito, mas mesmo muito, e é de coração que aqui estamos”, partilhou Rui, explicando depois as prioridades pastorais: “Estamos todos unidos no mesmo propósito, que é apoiar as nossas famílias, sermos todos família de famílias e crescermos enquanto Igreja, transmitindo valores. Na primeira reunião de trabalho que tivemos com o D. Alexandre, Bispo Auxiliar que nos está a coordenar neste trabalho, houve duas palavras-chave que nos ficaram na cabeça e que, obviamente, vão balizar os passos que vamos continuar a dar, no sentido de dar continuidade e fazer crescer este serviço diocesano: observar, ou seja, estarmos atentos ao que se passa nas paróquias – e são só 285 paróquias!; e estarmos atentos e darmos resposta àquilo que são as verdadeiras necessidades das paróquias. Estamos aqui com este espírito, que é o espírito de missão, o espírito de serviço para que a família esteja acima de tudo e, de facto, tenha o lugar que merece”.

Sandra Ramos terminou a intervenção com um convite aos agentes pastorais. “Fazemos o apelo de vos voltarmos a encontrar no Turcifal, no Encontro Diocesano da Pastoral da Família que vai decorrer no dia 17 de janeiro. As inscrições são feitas no site do Patriarcado e contamos com todos. É um tema muito apelativo, vai valer a pena. São todos convidados, por isso inscrevam-se”, desafiou.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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