O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu à celebração da Solenidade da Epifania do Senhor, na Igreja Paroquial de Urqueira, no concelho de Ourém, a sua terra natal, na manhã de Domingo, 4 de janeiro, destacando que a manifestação de Jesus ao mundo “não é um ato impositivo, mas um encontro”, apelando a uma fé ativa, marcada pela procura sincera de Deus.
A partir da figura dos Magos, o Patriarca recordou que a Epifania assinala a abertura da salvação a todos os povos, depois da intimidade celebrada no Natal. “Se no Natal celebrámos a intimidade do presépio, hoje celebramos a abertura desta salvação ao mundo inteiro”, afirmou, sublinhando que os Magos “não ficaram sentados a esperar um prodígio; eles puseram-se a caminho”.
Entre os seus conterrâneos, D. Rui Valério insistiu que Deus se revela a quem O deseja e procura, desafiando cada fiel a interrogar-se sobre o seu próprio caminho espiritual: “Para sentir a presença de Deus na vida não se pode ser indiferente, neutro ou passivo em relação a Ele. É fundamental desejar estar com Ele”. E questionou: “Tenho caminhado para Ele ou espero que Ele se manifeste sem eu mover um passo?”.
Refletindo sobre o percurso dos Magos, o Patriarca destacou a importância da estrela e da Escritura como auxílios complementares na busca de Cristo. “Para chegarmos ao coração do mistério, precisamos de unir a luz da criação à luz da Revelação”, explicou, acrescentando que, para os cristãos, “a estrela que conduz a Jesus Cristo é a Virgem Maria, a ‘Estrela da Manhã’”.
Na mesma linha, referiu-se à atitude de Herodes como um alerta para a responsabilidade da vida política, defendendo que o serviço ao bem comum não se pode limitar ao progresso material. Num contexto marcado pela proximidade das eleições presidenciais, no dia 18 de janeiro, sublinhou que quem assume funções de liderança “tem de ter também uma sensibilidade à totalidade de cada ser humano; aos aspetos de dimensão espiritual e religiosa”.
Comentando as ofertas dos Magos – ouro, incenso e mirra –, D. Rui Valério salientou a sua dimensão simbólica e relacional, afirmando que “o que damos aos outros acaba por ativar o que essa pessoa é ou virá a ser”. E concretizou: “Se dermos o ‘ouro’ do respeito, o ‘incenso’ da oração e a ‘mirra’ da compaixão, ativaremos nos outros a sua dignidade de filhos de Deus”.
Por fim, o Patriarca de Lisboa lembrou que o regresso dos Magos “por outro caminho” representa uma mudança de vida inevitável para quem encontra verdadeiramente Cristo. “Este detalhe não é geográfico, é existencial”, afirmou, acrescentando que “encontrar Cristo exige empreender uma nova rota, mudar de direção, assumir um novo estilo de vida”.
A homilia terminou com um convite à imitação dos Magos, pedindo a graça de serem “buscadores incansáveis” que, guiados pela luz e alimentados pela Palavra, saibam oferecer o melhor de si para que o mundo reconheça, em cada irmão, a presença do Rei do Universo.
![]() |
Tony Neves
‘Não sejais meros espectadores da história, descei à rua e sede os atores principais da mudança’...
ver [+]
|
![]() |
Guilherme d'Oliveira Martins
De um modo persistente e sem interrupção o Papa Leão XIV tem prosseguido um combate permanente por uma Ética de Paz.
ver [+]
|
![]() |
Tony Neves
O Papa Leão XIV visitou Angola há 3 meses. O tempo vai passando e decantando o essencial dos seus gestos e palavras.
ver [+]
|
![]() |
Guilherme d'Oliveira Martins
A primeira encíclica do Papa Leão XIV, “Magnifica Humanitas”, centra-se num tema de grande...
ver [+]
|