No dia 1 de janeiro, na Igreja dos Pastorinhos, em Alverca, o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu à celebração da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, coincidindo com o Dia Mundial da Paz, sublinhando, na sua homilia, que o início de um novo ano se dá “não com previsões, nem com estratégias humanas, mas com uma palavra que vem do Alto: «O Senhor volte para ti o seu olhar e te conceda a paz» (Nm 6, 26)”.
D. Rui Valério destacou que a paz, na Sagrada Escritura, “não é um simples desejo cordial, é um dom que brota do rosto de Deus inclinado sobre a humanidade”, recordando que esta se concretizou no seio de Maria, quando o Verbo se fez carne. O Patriarca alertou para os limites das abordagens humanas da paz: “Construímos equilíbrios de forças, assinámos tratados em papéis que o vento da ambição rapidamente desfez. Hoje, a linguagem dos homens fracassou. Chegou a hora da perspetiva teológica, a partir do ponto de vista de Deus. A Paz não é uma opção diplomática; é a urgência de Deus”.
Na homilia, D. Rui Valério recordou os Pastores de Belém como modelo de resposta à Palavra de Deus: homens simples, sem poder ou estatuto, que “escutam, acreditam e põem-se a caminho”. Segundo o Patriarca, “a paz nasce exatamente aqui. Quando as palavras se tornam vida. Quando as intenções se tornam atos. Quando os desejos se tornam compromissos”.
O Patriarca frisou ainda a dignidade de cada pessoa, marcada pela Encarnação, e a responsabilidade de todos em promover a paz: “Quando reconhecemos que o próximo é ‘outro Cristo’, os nossos cajados – que tantas vezes usamos como armas – transformam-se em apoios para a caminhada da humanidade. Se os poderosos vissem em cada face o rosto de Deus, as espadas transformar-se-iam em relhas de arado e os corações em fontes de compreensão”.
Maria, Mãe de Deus, foi apresentada como modelo e origem da paz verdadeira: “Construir a Paz é, no fundo, ‘gerar Cristo’ no mundo, é deixar que Cristo nasça de novo na história, nas relações, nas decisões pessoais e coletivas das sociedades atuais. Em Maria, a paz começou a acontecer, porque Ela acolheu Aquele que, até para nascer, encontrou barrada a porta da hospedaria”.
D. Rui Valério concluiu a sua homilia convidando à oração e à ação concreta pela paz: “Maria, Mãe de Deus, nossa Mãe e Mãe da Igreja, ajudai-nos a gerar Cristo no mundo, com aquela esperança renovada que nos faz peregrinos da paz. E que, onde hoje há ruído de armas, amanhã possa ouvir-se o cântico dos anjos: ‘Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados’”.
![]() |
Tony Neves
‘Não sejais meros espectadores da história, descei à rua e sede os atores principais da mudança’...
ver [+]
|
![]() |
Guilherme d'Oliveira Martins
De um modo persistente e sem interrupção o Papa Leão XIV tem prosseguido um combate permanente por uma Ética de Paz.
ver [+]
|
![]() |
Tony Neves
O Papa Leão XIV visitou Angola há 3 meses. O tempo vai passando e decantando o essencial dos seus gestos e palavras.
ver [+]
|
![]() |
Guilherme d'Oliveira Martins
A primeira encíclica do Papa Leão XIV, “Magnifica Humanitas”, centra-se num tema de grande...
ver [+]
|