O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu à Missa de início do novo ano escutista, promovida pela Região de Lisboa do CNE - Corpo Nacional de Escutas, na Sé, e convidou os escuteiros a viver a fé com simplicidade, entrega e espírito de serviço.
Na noite do passado dia 1 de outubro, memória litúrgica de Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira das missões, o Patriarca sublinhou, na homilia, a importância de cultivar uma atitude de diálogo – com Deus, com os outros e com o mundo.
“Quando há disponibilidade, capacidade para este encontro com Deus, este diálogo com Ele, também há disponibilidade, capacidade, aptidão para o diálogo com os outros, para o diálogo com o mundo, connosco, com a nossa história, com as nossas peripécias e vicissitudes”, afirmou.
Inspirando-se na proximidade de São Francisco de Assis – cuja festa se celebrava três dias depois –, D. Rui Valério destacou que o primeiro passo para um verdadeiro encontro passa por “olhar o outro olhos nos olhos”, o que considera um gesto profético na sociedade atual. “Vivemos naquela cultura e naquela sociedade onde os olhos de toda a gente já não procuram o rosto do outro, procuram o ecrã do telemóvel ou então o chão. E por isso falta aqui este passo para o diálogo. É assim também a grande crise da oração”, alertou.
Despojamento e confiança em Jesus
Comentando o Evangelho, o Patriarca recordou a resposta de Jesus a quem desejava segui-l’O: «As raposas têm as suas tocas e as aves do céu os seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça». Para D. Rui Valério, estas palavras apontam para uma vida despojada, livre do materialismo: “Não ter onde reclinar a cabeça significa que é alguém que vive despojado, que vive desprendido. (...) Para um cristão, a estabilidade não vem do que tem, então vem de onde?”, questionou, lembrando que João reclinou a cabeça no ombro de Jesus na Última Ceia.
“O cristão é alguém que sabe que pode não ter nada, pode ser abandonado por todos, mas há sempre um ombro disponível – o de Jesus”, garantiu.
“A tua pátria é o compromisso de transformar o mundo”
A partir do episódio evangélico em que Jesus convida a “deixar que os mortos enterrem os seus mortos”, D. Rui Valério apelou aos escuteiros para assumirem a sua missão sem adiamentos: “A Bíblia conhece a palavra ‘mortos’ para dizer as nossas raízes, aqueles que nos dão um sentido de pertença. Jesus dá-nos uma nova pátria, que não é geográfica nem espacial, mas é uma pátria que tem muito de sonho, muito de ideal. É aí que nós pertencemos”.
Partilhando uma experiência recente com responsáveis de comunidades católicas chinesas na Europa, o Patriarca explicou que a prioridade da Igreja de Lisboa “não é reter pessoas, mas ir ao encontro”. “Quando uma Igreja tem de começar a falar de reter os que estão, é uma Igreja condenada à morte. (...) Aquilo que é a nossa vontade é sair da igreja para ir ao encontro dos outros, para os trazer cá para dentro”, frisou.
“O mundo precisa de homens e mulheres verdadeiros”
Na parte final da homilia, D. Rui Valério lançou um desafio concreto aos escuteiros e à comunidade cristã: “Há uma urgência no mundo que nós não podemos adiar. E qual é essa urgência? O mundo hoje tem necessidade de homens e de mulheres verdadeiras”.
Recordando, depois, as palavras do Papa Paulo VI em Fátima, em 1967, sublinhou a atualidade desse apelo. “Vamos ao encontro da autenticidade, vamos estar convictos daquilo que somos e fazemos, e pedir a Jesus para que, como concedeu a Santa Teresinha, também nós sejamos homens e mulheres de diálogo – com os outros, connosco e com a natureza”, terminou o Patriarca de Lisboa.
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