Lisboa |
Via Sacra na Baixa
“Dediquemos tempo à contemplação da cruz”
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O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu à Via Sacra na Baixa, na noite de sexta-feira, dia 11 de abril, deixando um convite a que na Semana Santa, “nestes dias de celebração do centro da nossa fé”, cada um dedique “tempo à contemplação da cruz”.

A Via Sacra na Baixa teve início na Igreja da Madalena e percorreu algumas das principais ruas do centro histórico da cidade de Lisboa, terminando na Basílica dos Mártires. “Aquela mesma estrada, e aquele mesmo caminho, que ao longo do ano tantas são as vezes que atravessamos, e que por ela passamos, algumas dessas vezes repletos de alegria, outras vezes inundados pela preocupação, muitas cheios de pressa, eis que hoje este nosso caminhar foi diferente, foi profundo, foi um caminhar de amor na comunhão com o Senhor Jesus. O caminho da sua cruz é a palavra decisiva acerca de cada um de nós, porque a grandeza do sofrimento que Jesus viveu, primeiro ao carregar a cruz, depois ao ter sido nela crucificado, esse sofrimento não é de Jesus, não lhe pertence, é da humanidade. Cada um de nós se reencontre a carregar o peso doloroso, dramático, daquela cruz, sobretudo pela tolerância com que nós, homens e mulheres, vamos ao mal, ao egoísmo, ao pecado, à rutura, à divisão, à indiferença”, referiu o Patriarca.

Na sua reflexão, no final da Via Sacra da Baixa, D. Rui Valério sublinhou ainda que a cruz de Cristo “é o lugar da redenção”, convidando cada um a se aproximar da cruz. “Junto dela, é como se cada um se colocasse naquele momento matinal do primeiro dia da criação, quando Deus, soprando sobre aquele primeiro homem e aquela primeira mulher, nos tivesse a restaurar a força, a vida, a esperança. Para nós, realmente, a cruz é o lugar do começo e do recomeço. Por isso, então, irmã e irmão, que na tua vida do dia a dia, que no trilhar do caminho da tua história de santidade, que na parábola da tua existência, tu, muitas vezes, te aproximes da cruz. É ali que o homem novo, que a mulher nova que tu és, de facto, pelo dom do próprio Espírito de Deus, é ali que tudo começou, é ali que tudo deve ser discernido, é junto à cruz que tu deves procurar, na profundidade não só de ti, mas na profundidade do amor de Deus, aquela compreensão que é luz para a tua existência, para os teus dramas, para os teus enigmas. Não tenhas medo da cruz, de te aproximar dela”, convidou.

 

“Não passámos indiferentes”

A Via Sacra pelas ruas da Baixa até ao Chiado, com o Patriarca de Lisboa, teve lugar na última sexta-feira da Quaresma, o tempo litúrgico de preparação para a Páscoa, e foi promovida pelas paróquias de São Nicolau e Santa Maria Madalena. “Agradeço realmente a esta unidade pastoral, aos seus pastores, às pedras vivas que formam a Igreja viva desta unidade pastoral. Agradeço este momento de graça que todos nós vivemos, mas ouso também lançar-vos um convite: que nestes dias de celebração do centro da nossa fé, do coração da nossa existência, dedica tempo à contemplação da cruz. Muito daquilo foram palavras ditas acerca desta única palavra decisiva, que é o amor apaixonado de Deus por ti, recordando essas palavras, fazendo dela memórias, ilumina a tua vida, a tua existência, os teus dias, desta luz que, verdadeiramente, esta noite brilhou no coração de cada um de nós”, salientou.

A última palavra de D. Rui Valério foi dedicada a cada um dos muitos fiéis, sobretudo jovens, que participaram na iniciativa quaresmal de caminhar com Jesus pelas ruas de Lisboa. “Obrigado, caros irmãos, obrigado pela vossa presença, pela vossa oração, pelo vosso testemunho. A nossa passagem foi com Cristo, porque Cristo está connosco. Estou confiante de que, para a cidade, um pouco alienada, um pouco adormecida, numa sexta-feira à noite, não fomos, não passámos indiferentes. Quantos homens, quantas mulheres, quantos jovens, quiçá quantas crianças, não foram tocadas, não foram interpeladas pela nossa santa Via Sacra. Obrigado Senhor! Tal como tu, a caminho do Calvário, acho que não deixaste ninguém indiferente. Sentimo-nos, realmente, abençoados por essa força da esperança”, garantiu o Patriarca de Lisboa.

fotos por Paróquia de São Nicolau
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