Lisboa |
Associação de Educação Física e Desportiva de Torres Vedras
Patriarca assinala centenário da “honrada e gloriosa” Física de Torres Vedras
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O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu à Missa do centenário da Associação de Educação Física e Desportiva de Torres Vedras, que considerou “uma pérola preciosa de referência em termos de desporto e, logo, em termos de humanismo”.

Na Igreja da Graça, na manhã desta quarta-feira, dia 9 de abril, o Patriarca destacou a “honrada e gloriosa” Física de Torres Vedras, que “além de comemorar o aniversário, comemora e celebra os valores em que acredita, que desenvolve e que transmite”.

“É um dia memorável, um dia grande, este, em que nós, juntos, reunidos, com um sentimento de gratidão, mas ao mesmo tempo com um sentimento e com uma certeza de esperança de que aquilo que é a vida, aquilo que são os valores estruturantes da Associação Física venham a ser os valores de toda a sociedade, que é um dos seus honrados objetivos”, salientou, no início da celebração.

A Missa pelo 100.º aniversário da Associação de Educação Física e Desportiva de Torres Vedras (1925-2025) contou com a presença do presidente da Assembleia Municipal de Torres Vedras, de uma vereadora do município torriense, do presidente da junta de freguesia, de elementos dos órgãos diretivo, fiscal, executivo e desportivo do clube, além de atletas, antigos atletas e amigos do clube. “Uma saudação a todos aqueles e aquelas que, ao longo do tempo, ao longo deste século, se têm deixado plasmar, seja na personalidade, seja na vida e no caráter, por aquilo que a Associação Física transmite e nos comunica”, manifestou ainda D. Rui Valério.

 

Valores

Na sua homilia, o Patriarca de Lisboa destacou como há 100 anos a Associação de Educação Física e Desportiva de Torres Vedras “era oportuna e necessária”, tal como é na atualidade. “Imaginem em 1925, uma sociedade que há pouco tinha saído da pneumónica e há pouco tinha saído da Primeira Grande Guerra Mundial. Portanto, era natural que esta sociedade não soubesse bem o rumo a tomar. Ora, o desporto, a atividade física, leva o ser humano a uma meta. Há pouco estava com os meus caros amigos da esgrima, e há um objetivo. Num jogo de futebol, sabe-se onde é que se quer chegar. Há uma corrida, e ao empreender aquela corrida nós estamos habitados por um horizonte, nós corremos para alcançar a meta – e se for em primeiro lugar, melhor ainda. E, por isso, apraz-me muito, neste dia, sublinhar que a Associação Física é, antes de mais, um laboratório que oferece razão, que oferece sentido à vida. Exatamente porque quem frequenta esta Associação, imediatamente é provocado, é desafiado, no bom sentido, a estabelecer metas, horizontes, objetivos. Hoje, é com algum pesar que o digo, os jovens, os adolescentes, as crianças e por vezes os adultos não têm este sentido”, sublinhou.

Neste sentido, D. Rui Valério lembrou ainda que “há uma palavra portuguesa que é terrível, vegetar”, mas que “a Associação Física, desde há 100 anos, que procura plasmar o carácter de cada pessoa que dela se aproxima, que a integra, que constrói, exatamente, a necessidade de estabelecer metas, objetivos na vida, horizontes”.

O Patriarca frisou ainda a “questão dos valores” deste clube torriense, para lembrar que “cada um é uma pessoa, vale por si própria, é única e é irrepetível”. “Não há cópias”, reforçou. “É quase um dito profético, nos tempos de hoje, essa ênfase, esse enfoque que associações como a Física colocam não só nos valores, mas no valor da pessoa”, acrescentou. Da mesma forma, “no desporto, vamos descobrir que não há inimigos”. “A competição com alguém significa o maior respeito que se pode ter para com alguém”, frisou.

Ainda acerca dos valores, D. Rui Valério colocou o foco “no valor da humildade e do despojamento”. “O desporto é um caminho, é uma escola de interioridade, que te leva a redescobrir a vontade e a força”, apontou. “Vocês vejam como, ao longo de 100 anos, jovens e menos jovens, têm sido encaminhados pela Associação Física para a redescoberta daquilo que verdadeiramente é o tesouro, que é aquilo que temos cá dentro”, realçou.

O terceiro e último valor apontado pelo Patriarca foi “o valor da camaradagem e do companheirismo”. “Realmente, é uma missão de vida que nós levamos para toda a existência, quando compreendemos que, sim, sozinhos podemos ir mais depressa, mas com o outro chegamos sempre mais longe. E este ‘mais longe’ não é espacial, é na existência e é na vida É por isso que, reparem, também aqui, a Associação Física tem sido uma escola de cidadania. Talvez por isso, Torres Vedras, e a zona de Torres Vedras, tenha tido, ao longo da sua história, mulheres e homens com o sentido do serviço cívico, da cidadania. Não é assim em todas as terras, garanto-vos, porque se calhar nem em todas as terras existe uma associação com o carisma e o carácter da Física. Parabéns! Parabéns à Física, a quem a construiu, parabéns àquilo que hoje são os seus corpos dirigentes, parabéns a Torres Vedras e à sociedade portuguesa e também internacional, porque tem aqui, realmente, uma pérola preciosa de referência em termos de desporto e, logo, em termos de humanismo”, terminou D. Rui Valério.

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