Na sequência do Encontro Diocesano de Acólitos 2025, que recentemente reuniu em Rio de Mouro cerca de 200 acólitos de 30 paróquias, o Serviço Diocesano de Acólitos do Patriarcado de Lisboa deseja uma aproximação maior às comunidades cristãs da diocese.
“O Serviço Diocesano de Acólitos tem procurado, a partir das redes sociais, chegar ao maior número de acólitos. Já sabemos que os grupos de acólitos das nossas paróquias, na nossa diocese, são muito diferentes entre si. Há grupos muito organizados, com uma estrutura muito sólida, mas também há paróquias em que são um ou dois acólitos e não há esta tradição nem há, podemos dizer assim, um grupo sólido. Temos tentado procurar que as redes sociais e tudo aquilo que vai acontecendo, do Serviço Diocesano de Acólitos, passe pelas redes sociais, para podermos chegar ao maior número possível de paróquias e de acólitos”, refere o diretor do Serviço Diocesano de Acólitos (SDA), Padre Pedro Tavares. Este sacerdote lembra que “a mudança de responsáveis de grupos de acólitos é muito rápida, às vezes até anual”, e assume que “estabelecer os contactos com grupos concretos, estáveis, nem sempre é muito fácil”. “Em novembro tivemos um encontro de formação, que foi até bastante participado, e temos procurado que, juntamente com o Encontro Diocesano de Acólitos, estes sejam os dois momentos altos do ano pastoral para os acólitos. Claro que estamos dispostos e disponíveis para ir às paróquias poder fazer encontros com os grupos de acólitos, e isso já aconteceu algumas vezes. As paróquias contactam-nos para pedir formação, um encontro, uma atividade e o Serviço Diocesano de Acólitos está disponível para isso. Queremos muito chegar, e cada vez mais, aos grupos de acólitos”, garante o diretor diocesano desta pastoral. Encontro jubilar para os acólitos O Encontro Diocesano de Acólitos (EDA) 2025 teve lugar no passado dia 15 de março, na Paróquia de Rio de Mouro, na Vigararia de Sintra, e reuniu cerca de 200 acólitos, vindos de 30 paróquias do Patriarcado. “Ainda que nos agrade o número de 180 a 200 acólitos, admitimos que uma representação de 30 paróquias, num universo das quase 300 da nossa diocese, é, de facto, uma parcela muito ínfima. Gostávamos que, efetivamente, pudesse crescer. Geralmente, temos feito o EDA sempre intercalado – portanto, um ano na zona de Lisboa, outro ano na zona do Oeste – e, por experiência, quando os encontros diocesanos se realizam na zona de Lisboa, os números crescem sempre mais. Tem acontecido isso nas últimas edições e, este ano, não foi exceção: no último EDA [em Peniche, em novembro de 2023], tínhamos andado na casa dos 110-120, e agora chegámos quase aos 200”, salienta o Padre Pedro Tavares, que é diretor do Serviço Diocesano de Acólitos desde 2017. Em ano de Jubileu, o EDA 2025 procurou ser “um encontro jubilar” para os acólitos. “Por estarmos em Ano Jubilar, quisemos que o encontro também acompanhasse esta vertente, esta dimensão, e, de alguma forma, pudesse ser, para os acólitos, um encontro jubilar. Por isso, escolhemos uma igreja jubilar – neste caso, Rio de Mouro – e procurámos montar a atividade a partir desta consciência. Como era o II Domingo do tempo da Quaresma, pegámos neste imaginário do Monte da Transfiguração para montar todo o programa do nosso dia”, explica. Adoração Na parte da manhã, os acólitos foram convidados a fazer uma ‘Peregrinação’. “Os acólitos iam chegando à igreja, faziam o seu check in, e depois eram direcionados para um ponto onde, aí, começava o tempo de peregrinação até à igreja jubilar. Tempo este que tinha alguns postos e a lógica era oferecer aos acólitos, de várias idades – tínhamos acólitos dos 8 aos 71 anos –, um tempo que fosse verdadeiramente forte. Nesta lógica de: vamos com Jesus ao deserto, saímos das margens do Jordão, onde Ele recebe o dom do Espírito, somos conduzidos pelo Espírito ao deserto, para depois podermos subir ao Monte da Transfiguração. Sermos como Pedro, Tiago e João, aqueles três únicos discípulos do Senhor que, com Ele, sobem e que participam, de forma tão íntima, naquele acontecimento da transfiguração”, refere o sacerdote. O objetivo, segundo este responsável, era “pôr a rezar a nossa dimensão de filhos de Deus, que recebemos pelo Batismo, sermos constituídos herdeiros desta promessa, que o Senhor nos promete, depois reconhecermos que, tantas vezes, não fomos fiéis a esta herança, a esta filiação, e, por isso, no deserto, reconhecemos a nossa fragilidade, o nosso pecado, a nossa vulnerabilidade, até que chegámos ao Monte Tabor”. “A chegada ao Monte Tabor foi, de facto, a parte mais bonita e mais intensa, porque tínhamos preparado, no auditório da paróquia de Rio de Mouro, um espaço visualmente atraente. Montámos, num espaço todo às escuras, um género de uma tenda e quem estava à espera naquela tenda – que seria, no imaginário, o Monte Tabor – era Nosso Senhor presente no Santíssimo Sacramento. Portanto, os acólitos terminavam a sua peregrinação encontrando-se com o sentido da sua peregrinação”, sublinha o Padre Pedro Tavares. O diretor do Serviço Diocesano de Acólitos garante que este foi “um momento muito forte”. “Estivemos ali meia hora, em que 200 acólitos estavam em adoração ao Santíssimo Sacramento, todos no mesmo espaço – um espaço que não deixava ninguém indiferente, porque o único ponto de referência era mesmo a luz que incidia no Santíssimo Sacramento, tudo o resto era escuro, porque era a única coisa que, de facto, interessava: centrarmos a nossa atenção e deixarmo-nos transfigurar e deixarmo-nos iluminar pelo próprio Senhor Jesus que se manifesta e que estava ali, à nossa espera”, reforça. ‘Três tendas’, três ateliês Após o almoço, a parte da tarde prosseguiu, “nesta lógica do imaginário”, com a realização de três ateliês. “O texto diz que Pedro pede ao Senhor «façamos três tendas», porque é bom estar ali, mas Jesus pede que eles desçam do Monte, que voltem à realidade. Assim, dividimos os acólitos em ‘três tendas’, em que cada uma delas era destinada a uma faixa etária, e o sentido era: se caminhámos e encontrámos o sentido da nossa esperança, da nossa vida, então como é que nós, depois, na nossa vida concreta, podemos experimentar, agarrar, saborear, concretamente, e com os pés bem assentes na terra, a lógica da esperança cristã que encontrámos no alto Monte?”, explica este diretor diocesano. Os acólitos “mais pequeninos”, com “a ajuda das irmãs da Aliança de Santa Maria, andaram à volta do exemplo da vida dos Santos Pastorinhos, o Francisco e a Jacinta Marto, como crianças santas que são modelos de santidade também para as nossas crianças e para os nossos acólitos – aliás, São Francisco Marto é padroeiro nacional dos nossos acólitos”. Para os adolescentes, houve um “testemunho impactante”. “Optámos por um testemunho de um casal que tinha perdido a filha há uns anos, numa situação um pouco trágica, e achámos que seria muito interessante dar-lhes o testemunho, porque é gente de fé. Conhecemos aquele casal, que encontrou em Jesus e na fé o seu porto de abrigo. Quisemos oferecer aos adolescentes – que é sempre uma idade mais difícil de nos aproximarmos – um testemunho impactante, que levantasse questões e que, de alguma forma, não os fizesse ficar indiferentes. No fundo, a esperança a partir do luto de uns pais que veem partir a sua filha, de forma tão precoce e de forma tão terrível”, refere o Padre Pedro Tavares. Os acólitos mais velhos, “com o Padre Filipe Santos, do Seminário de Caparide, meditaram também, neste texto evangélico, alguns sinais de esperança e algumas atitudes de esperança que se possam encontrar na vida de jovens e adultos, independentemente das nossas vocações”. Estar com Jesus diante do sacrário O Encontro Diocesano de Acólitos terminou com a Missa, presidida por D. Nuno Isidro, Bispo Auxiliar de Lisboa. “Da homilia destacava, talvez, as primeiras palavras que o Senhor Bispo dirigiu. O Evangelho diz que Jesus estava em oração e todo aquele ambiente era um ambiente de oração e o Senhor D. Nuno pega neste elemento da oração para sugerir aos acólitos que, quando forem à Missa, não entrem pela porta da sacristia poucos minutos antes de começar a celebração. Entrai pela porta da igreja e ide ao sacrário, estai com o Senhor Jesus, em oração, diante do sacrário. Para que aquilo que vocês vão fazer não sejam apenas ‘umas coisas’, mas seja também fruto da vossa oração e da vossa relação de amizade com Jesus”, destaca o sacerdote, das palavras do prelado. Para este responsável, “foi muito interessante o Senhor Bispo poder dizer isto a acólitos jovens, crianças e adultos”. “Há que ‘perder’ tempo no sacrário antes de exercermos este ministério. Porque caímos, tantas vezes, na tentação de ser ‘experts’ na área da liturgia, no manuseamento das alfaias, na movimentação nos espaços, mas depois esquecemos que os gestos, as alfaias, os comportamentos, as movimentações querem-nos falar de oração e querem sugerir oração. Mas para que isso aconteça, quando estamos na liturgia, precisamos também de preparar, antecipadamente, esta relação e esta experiência orante, para que seja o próprio Jesus, e o encontro com Ele, a sustentar e a dar sentido ao ministério que se vai exercer”, lembra o Padre Pedro Tavares. Próximo EDA no Oeste O próximo Encontro Diocesano de Acólitos “não tem ainda data marcada”, uma vez que, neste ano pastoral, “o encontro foi mudado para a Quaresma porque iria coincidir com o Rejoice!, que aconteceu em Lisboa, no passado mês de outubro”. “Não sabemos muito bem se, no próximo ano pastoral, voltamos à nossa data, àquela que temos feito nos últimos anos, se mantemos a Quaresma. Uma coisa é certa: iremos para uma das paróquias da zona mais Oeste da nossa diocese”, revela o diretor do Serviço Diocesano de Acólitos, Padre Pedro Tavares.![]() |
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