O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu à Missa dos 40 anos da inauguração solene do Seminário de São José de Caparide, destacando a importância desta “casa aberta” para receber os jovens “em busca de se aproximar e reconhecer qual a vontade de Deus” para cada um.
No final da tarde de quarta-feira, dia 19 de março, o Patriarca enalteceu a importância desta “casa aberta”, atualmente com 15 seminaristas (9 do Patriarcado de Lisboa e 6 de outras dioceses – 1 de Aveiro, 1 do Funchal, 1 de Leiria-Fátima, 1 de Santarém e 2 de São Tomé e Príncipe), para “acolher quem quer vir fazer um caminho de discernimento, em busca de si próprio, em busca de se aproximar e reconhecer qual a vontade de Deus sobre ele”. “É tao bom que haja uma diocese, que é o nosso Patriarcado, que tenha um sítio onde esse jovem se pode dirigir, para se abrir e para escutar alguém que lhe diz: ‘Caminha, o Senhor conta contigo’”, salientou, na homilia. “Penso muito nos jovens de hoje, seja nos que trabalham, seja nos que estudam, e terem uma casa que é uma porta aberta, para os receber, é uma bênção e uma graça de Deus pelo qual eu agradeço muito”, acrescentou D. Rui Valério. Âncora Na celebração do padroeiro, o Patriarca convidou ainda a que “todos pudessem olhar para São José como pai da esperança”. D. Rui Valério sublinhou, por isso, “a alegria da feliz coincidência” deste aniversário com o Jubileu da Esperança, que a Igreja vive neste ano 2025. Na capela do seminário, o Patriarca referiu também, na sua reflexão, a imagem da âncora e agradeceu à Marinha Portuguesa, na presença do comodoro Pereira Gonçalves, em representação do Chefe de Estado Maior da Armada, a oferta de uma âncora que foi colocada no relvado junto ao claustro, em frente à capela. Abraçar a vocação sacerdotal Depois da Missa, seguiu-se a sessão festiva, onde foi possível conhecer os 15 seminaristas desta casa e escutar algumas peças musicais. No final, o diretor do Seminário de São José de Caparide sublinhou, nas suas palavras, como esta casa nasceu na esperança de que Cristo iria chamar rapazes para abraçar a vocação sacerdotal. “Celebramos 40 anos deste Seminário à sombra de São José. E como ele nos tem guardado e conduzido pela senda da esperança. Esta Casa nasceu com a esperança de que o Senhor não deixaria de chamar rapazes para a vocação sacerdotal. E chamou! Esta Casa cresceu com a ajuda de tantos amigos que aqui vieram e vêm oferecer do seu tempo, da sua própria vida, na esperança de que a sua ajuda seja um serviço a Deus, e nesta Casa acabarem por encontrar o próprio Senhor a servi-los! Esta Casa teve e tem as portas abertas para que tantos jovens entrem e, com a intercessão de São José, no seu Moinho possam encontrar no silêncio a esperança que não encontram no barulho do mundo”, observou o Padre Rui de Jesus. Diretor desde 2017, o sacerdote de 42 anos lembrou depois a intervenção dos últimos quatro Patriarcas e a oferta de uma âncora ao seminário. “Esta casa existe porque muitos a serviram no exercício do ministério sacerdotal: o Cardeal-Patriarca Dom António Ribeiro, que a fundou, o Cardeal-Patriarca Dom José Policarpo, que a transformou em Seminário Vocacional, o Cardeal-Patriarca Dom Manuel Clemente, que lhe deu a configuração que tem hoje, como Seminário Propedêutico, o Senhor Patriarca Dom Rui Valério, que logo de início nos confirmou na Missão e na concretização que tem acontecido, simbolicamente hoje assinalada por esta Âncora, aqui colocada por sua expressa vontade e amavelmente oferecida pela Marinha Portuguesa, a quem muito agradecemos: Âncora, exatamente sinal da esperança, em ano Jubilar!”, destacou. O Padre Rui de Jesus evidenciou ainda a colaboração de muitos sacerdotes, antigos formadores. “Mas muitos outros, a começar pelo Cónego Álvaro Bizarro que aqui muito trabalhou para ajustar a Casa às necessidades de um seminário, e lhe deu também o cunho familiar que hoje mantém. O Padre Armindo Garcia, o Padre Mário Pais, o Padre Paulo Gerardo, Dom José Miguel, Padre José Baptista, Dom Nuno Isidro, Padre Joaquim Duarte, Padre Ricardo Neves, Padre Francisco Inocêncio, Padre Nuno Coelho, Dom Nuno Brás, Padre Nuno Amador, Padre Hugo Gonçalves, Padre Filipe Santos. Todos encheram de esperança esta casa, sendo pastores como Deus queria, respondendo aos desafios de cada tempo”, garantiu. Nas quatro décadas da inauguração solene do seminário, o diretor não esqueceu os seminaristas. “40 anos de esperança, nas centenas de seminaristas que já aqui viveram e vivem: as suas vidas são âncoras que o Senhor lança neste mundo tantas vezes confuso e náufrago. Sim, amigos seminaristas: vale a pena ouvir São José e aprender com ele: sejam discretos, como ele: amem o silêncio como ele! Dêem a vida à Igreja e a Maria, nossa Mãe, como ele! Aprendam a autoridade humilde, como ele a exercia; acreditem que é possível ser casto, como ele! Sonhem, como ele, e ao acordar, façam a vontade de Deus, única verdadeira esperança”, convidou. A última palavra do diretor do Seminário de Caparide foi um pedido à diocese. “Rezem por nós, e sejam connosco sinal de esperança para este tempo!”, pediu o Padre Rui de Jesus. Após estas palavras, teve lugar uma pequena peça de teatro, escrita por D. Manuel Clemente. “Esta peça foi executada pela primeira vez há 40 anos, na adega desta casa, porque nesse dia chovia imenso. Hoje, será representada aqui, no claustro. Acrescentámos acompanhamento musical, original, com texto inspirado no guião de D. Manuel Clemente”, referiu o sacerdote. No final do teatro, o Patriarca de Lisboa sublinhou que aquela casa “é verdadeiramente uma casa de sementeira”. “Aqui, as sementes são lançadas, desenvolvem-se e depois dão fruto. Que Deus vos dê a sua bênção e a graça de O receber na vida, incessantemente”, referiu D. Rui Valério. A festa dos 40 anos do Seminário de São José de Caparide terminou com um jantar partilhado com todos os amigos e famílias ligados a esta casa. Exposição, livro, medalha, lápide e brasão Para marcar os 40 anos do Seminário de São José de Caparide, foi inaugurada uma exposição sobre os momentos e pessoas fundamentais desta casa, que vai ficar exposta, nos próximos meses, no claustro do seminário. Foi ainda publicado o livro ‘40 anos, 40 testemunhos’, com palavas de 40 seminaristas e padres que passaram por este seminário e prefácio de D. Manuel Clemente, Patriarca Emérito de Lisboa. Neste dia de festa foram ainda apresentadas uma medalha comemorativa e uma lápide evocativa das armas de fé do fundador deste seminário, o Cardeal-Patriarca D. António Ribeiro. Finalmente, foi dado a conhecer o brasão do Seminário Patriarcal de São José de Caparide. Seminário Patriarcal de São José de Caparide O Seminário Patriarcal de São José de Caparide foi fundado em 1984 pelo então Cardeal-Patriarca D. António Ribeiro, como Seminário Menor do Patriarcado. Em 1999, passou a acolher a primeira etapa do Seminário Maior, que até então funcionava no Seminário de São Paulo, em Almada. No ano de 2001, iniciou-se o Ano Propedêutico, primeiro ano da formação, sem componente universitária. Assim, os seminaristas habitavam nesta casa três anos (ano propedêutico e os dois primeiros anos da formação universitária). Em 2017, o Seminário de São José passa a acolher em exclusivo o Tempo Propedêutico (podendo ser de 1 ou 2 anos), e o Seminário dos Olivais passa a acolher as três etapas seguintes do caminho de discernimento sacerdotal: etapa discipular, a etapa configuradora e a etapa pastoral. “O Tempo Propedêutico é um tempo para aprofundar o conhecimento de Deus, da Igreja, dos outros e de si próprio. É também tempo para crescer como Homem, Filho de Deus e irmão de todos, para aprofundar a experiência de Deus através da leitura orante da Bíblia, da vida de oração e da liturgia, e para discernir os sinais do chamamento e as condições reais de resposta com vista à passagem à etapa seguinte. É ainda um tempo muito forte de aprofundamento da vida comunitária e do espírito de comunhão e de serviço”, refere o site deste seminário.![]() |
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