Lisboa |
Patriarca benze o Centro de Alojamento Temporário da Saudade
“O acolhimento é o primeiro passo das grandes transformações civilizacionais”
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O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, benzeu, na manhã desta Quarta-Feira de Cinzas, dia 5 de março, o novo Centro de Alojamento Temporário da Saudade, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. “É um monumento à esperança: não só à esperança de uma cidade, mas à esperança da própria humanidade”, referiu D. Rui Valério.

Situado junto à Sé de Lisboa, na Rua da Saudade, n.º 31, esta nova valência é uma resposta de alojamento temporário ou de emergência, destinada a pessoas sem teto e requerentes de proteção internacional, com vista a promover o desenvolvimento das competências pessoais, sociais, educacionais e profissionais, de acordo com o respetivo Plano de Intervenção Individual, definido para cada residente em alojamento temporário, evitando a reincidência e visando a integração social com autonomia.

Após a receção aos convidados, no exterior da entrada do novo edifício, o Patriarca de Lisboa benzeu o Centro de Alojamento Temporário da Saudade, acompanhado pelo Reitor da Igreja de São Roque, Padre António Júlio Trigueiros, sj, e pelo Diácono Francisco Xavier Temudo de Castro da Costa Macedo, colaborador da Reitoria da Igreja de São Roque e na Capelania da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

“A beleza deste acontecimento contrasta com o rumo do mundo. Nós, na simplicidade e na beleza, preparamo-nos para inaugurar um centro de acolhimento para os que necessitam de ser acolhidos. Na cultura cristã e na cultura da sociedade, o acolhimento é o primeiro passo das grandes transformações civilizacionais que se operaram. O ser humano é maravilhoso e o primeiro passo foi quando se tornou hospitaleiro. Esta casa é uma homenagem ao ser humano, naquilo que o ser humano tem de mais digno e de melhor. Pode ser só uma gota, mas a gota faz a diferença”, assegurou D. Rui Valério, antes de benzer o espaço e quem nele trabalha ou vai residir.

 

Novos projetos de vida

Após a visita aos cinco pisos desta nova valência, teve lugar a sessão solene, com o Patriarca de Lisboa a deixar uma “palavra de gratidão e agradecimento” à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) e a “todas as instituições que colaboraram e contribuíram” para a edificação deste centro. “É um monumento à esperança: não só à esperança de uma cidade, mas à esperança da própria humanidade. O ser humano ainda é capaz de fazer espaço em si, em cada um, para acolher o outro. O ser humano ainda é capaz de hospitalidade”, frisou D. Rui Valério. “É um monumento à esperança porque é um monumento à promoção da dignidade de cada um”, acrescentou.

Para o Patriarca, o recém-inaugurado Centro de Alojamento Temporário da Saudade “é também um monumento à inclusão”. “É através de iniciativas, de construções e de edifícios como este que aqueles que nos visitam, aqueles que chegam até nós, são essencialmente uma oportunidade. Uma oportunidade que vem para construir connosco um País, um projeto, um desígnio que se chama Portugal”, considerou.

D. Rui Valério observou ainda a “dimensão terapêutica da instituição”. “Não chega fornecer ao outro que nos procura, ao outro que nada tem, não chega saciar-lhe o estômago, ou cobrir-lhe o corpo. É necessário dizer-lhe: ‘Tu és dos nossos’. E esta instituição está aqui para o dizer. E a nós, lisboetas, para nos recordar que a mais profunda e genuína vocação de Lisboa é esta abertura que o Tejo nos solicita permanentemente: estar aberto aos outros, ao ‘tu’ daqueles que hoje nos procuram, mas que no passado foram aqueles a quem nós fomos ao encontro através das nossas caravelas, através das nossas epopeias”, terminou o Patriarca de Lisboa.

Presente na inauguração do novo Centro de Alojamento Temporário da Saudade, a Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social a destacou a necessidade de “proteger e acolher quem está em vulnerabilidade”. “Acolher, acolher, acolher. Cuidar, cuidar, cuidar”, referiu Maria do Rosário Palma Ramalho, na sessão solene que decorreu após a visita.

A ministra lembrou ainda que, “ao apoiar” este centro, “o Estado volta a cumprir a sua função, não apenas dando teto, mas favorecendo um projeto de vida”. “É importante, além de garantir a residência a 48 pessoas, também ajudar as pessoas a reencontrarem o seu projeto de vida. E este centro desenvolve competências de reinserção social e previne situações de reincidência”, salientou.

Maria do Rosário Palma Ramalho elogiou ainda o trabalho do Provedor e da Mesa da SCML. “Hoje, a Santa Casa está outra vez no seu rumo, em particular na missão de ação social”, referiu a Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Já o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa sublinhou que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa é uma “instituição irmã” da autarquia e que “o importante é fazer”. “As pessoas na situação de sem-abrigo são dos maiores desafios, tal como a habitação e a saúde”, salientou Carlos Moedas.

O autarca lembrou depois que “não chega acolher”, há que “trazer dignidade e oportunidade de trabalho”. “Queremos uma cidade para todos, que acolhe todos”, frisou Carlos Moedas.

A sessão solene tinha sido aberta pelo Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Paulo Sousa, que se mostrou muito satisfeito pelo “espaço digno” que acabava de ser inaugurado, e considerando aquele “um momento importante da vida” da SCML. “Esta é uma nova resposta na cidade de Lisboa, adaptada aos desafios atuais”, sublinhou. “A Santa Casa vem reforçar o compromisso secular de apoio aos mais necessitados da cidade de Lisboa”, acrescentou.

Paulo Sousa mostrou o desejo de “reforçar respostas”, procurando “intervir antes que a situação de sem-abrigo aconteça”. “Queremos uma Santa Casa da Misericórdia de Lisboa atenta às exigências do presente. Com este, são sete os centros de alojamento temporário e de emergência. Continuaremos a trabalhar lado a lado com a cidade”, garantiu o Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

 

Cinco pisos para 48 residentes

O Centro de Alojamento Temporário da Saudade está instalado num edifício composto por cinco pisos, com capacidade para receber 48 pessoas do sexo masculino, dos quais 42 em alojamento temporário e 6 em alojamento de emergência. No Piso -1 há quatro quatros com 13 camas, uma sala de arrumos e um jardim; no Piso 0 existe um quarto com 2 camas, sala de estar, gabinete de atendimento, sala multiusos e lavandaria; já os Pisos 1 e 2 têm, cada um, cinco quartos com 14 camas; e, finalmente, o Piso 3 é composto por um quarto com cinco camas e uma salinha.

Os residentes participam na manutenção e organização do espaço do equipamento, assumindo a realização das atividades diárias, enquanto a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa a fornece os pequenos almoços.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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