O Patriarca de Lisboa encontrou-se com os estudantes da Faculdade de Medicina de Universidade de Lisboa que estão em Missão País no Cadaval, lembrando aos futuros médicos que vão estar “ao serviço do ser humano”, o que “dá um significado à vida que é extraordinário”.
“Meus caríssimos, a opção de ser médica, de ser médico, é a opção de serem felizes. Porque mais do que um cultivar a vossa Ciência, avanços científicos que vós ides protagonizar, estais naquela posição privilegiada de passarem uma vida numa espécie de ministério. Porque vós não ides ser médicos de vós próprios, ides ser portadores de saúde, de alegria, de felicidade e de esperança para os outros. Este encontro convosco é encontrar-me com peregrinos não só da esperança, mas peregrinos deste significado da vida que o encontram e o realizam exatamente no serviço. Estais ao serviço do ser humano, estais ao serviço da necessidade primária do ser humano, que é a da saúde. E isso dá um significado à vida que é extraordinário”, observou D. Rui Valério, no encontro que decorreu no final da tarde desta quinta-feira, dia 13 de fevereiro, na igreja paroquial do Cadaval. NEC Raio X A Missão País no Cadaval está a decorrer desde o passado dia 8 de fevereiro e prologa-se até Domingo, dia 16, estando a ser acompanhada pelo Cónego Joaquim Vieira Loureiro, ecónomo diocesano. No início do encontro com o Patriarca de Lisboa, os chefes da missão apresentaram os dias que estavam a viver no Oeste da diocese. “Fazemos as coisas habituais da Missão País: estamos nos lares, estamos nas creches, estamos na escola. Não é por sermos estudantes de Medicina que fazemos diferente. Estamos aqui, no fundo, para nos entregar, neste período entre o fim da nossa época de exames e o início do semestre”, salientou Alexandre Oliveira. Matilde Martins, a outra responsável pela missão, destacou que as diversas iniciativas missionárias na Faculdade de Medicina de Universidade de Lisboa tiveram “um papel bastante importante” e criaram “bastantes raízes”. “Temos a sorte de ter uma continuidade ao longo do ano e de não ser só esta semana. Esta semana chama novos missionários, mas temos o nosso NEC [Núcleo de Estudantes Católicos], a que nós chamamos de Raio X, que até é um nome engraçado tendo em conta que estamos em Medicina. Este NEC organiza imensas atividades ao longo do ano, temos a Missa semanal mesmo dentro do hospital, temos os retiros semestrais e temos também projetos de voluntariado em que, por exemplo, vamos pintar as paredes dos hospitais, vamos visitar os doentes semanalmente. Temos imensas oportunidades de missionar ao longo do ano, também”, contou. O futuro médico Alexandre Oliveira ajuda a colega a completar a informação: “Gostaria de dizer ao Senhor Patriarca que, quando o NEC foi formado, as Missas eram cinco pessoas por semana e agora vamos até ao Conselho de Administração. E a mesma coisa com a Missão País, que ao início tinham de vir pessoas de outras faculdades preencher as vagas e agora e há mais de 100 pessoas em lista de espera. Portanto, tem sido muito fecundo e é graça de Deus que tem atuado, seguramente, e muito, nestes projetos”. Sentido para a vida Nesta paróquia do Oeste, que tem como pároco o Padre Ricardo Jacinto, o Patriarca de Lisboa escutou os dois jovens e garantiu ser “uma honra” e “um privilégio” viver aquele momento com estes missionários. “Não é só porque entre os jovens nós sentimo-nos jovens, mas é por uma outra coisa: é porque, de facto, na vida, todo o ser humano, todo o homem e toda a mulher, persegue algo que nos torna e nos faz todos iguais. Todos nós procuramos um sentido, um significado para aquilo que estamos a viver e para a nossa vida. Claro que esse significado, às vezes, temos a sensação de o ter que construir nós próprios; outras vezes temos aquela certeza de que o temos que encontrar. Acho que ambas as perspetivas são verdadeiras porque há dias em que nos é pedido para construir um significado para aquilo que estás a viver, e que seja um significado construtivo. Por outro lado, o significado da vida, na maior parte das vezes, nós temos apenas que o receber, que o acolher. E onde é que nós o encontramos? Reparem, que não é naquilo que nós estamos a fazer que nos dá ou não mais prazer ou mais felicidade. Mas este significado da vida que nos é oferecido vem sempre a partir dos outros, sempre a partir dos outros”, realçou. Nesta conversa de 45 minutos com os jovens, D. Rui Valério disse ainda que compara os missionários da Missão País “com os mendigos que vão de casa em casa, não para receber, mas para dar”. “Também há mendigos da dádiva. Jesus Cristo foi nitidamente um desses. Tudo foi dado, tudo foi doação, foi entrega. E isso preenche um coração e preenche uma outra alma”, assegurou. Comunhão com os outros Na Missa que se seguiu à conversa, o Patriarca de Lisboa voltou a pedir aos futuros médicos para terem atenção ao outro. “Nós existimos na presença uns dos outros, será que é só para fazermos companhia recíproca para vencer a solidão de cada um? Ou cada um não se realiza e não se constrói enquanto pessoa só na medida em que se abrir à relação com os outros, em que estiver numa atitude de comunhão com os outros? A pessoa só é pessoa na medida em que vive esta parábola maravilhosa de se abrir aos outros e de, com os outros, empreender, desenvolver, cultivar uma relação”, destacou. Neste sentindo, acrescentou, “a Palavra que nós hoje tivemos a alegria de escutar é uma palavra que nos desafia tremendamente a empreendermos este caminho”. Por isso, o pedido a estes estudantes foi para entregarem a Cristo a vida daqueles com que se estão a cruzar nesta missão. “Um caminho que não significa sair do lugar onde estamos, mas é um caminho interior, de abertura e de capacidade de ir ao encontro. Afinal, é aquilo que ilumina e é aquilo que calcorreia toda a nossa experiência de Missão País: sairmos, irmos ao encontro. Mas, repito: por favor, tragam convosco as dificuldades que vos são comunicadas, os dramas que encontrais, tragam convosco também as alegrias e as esperanças. Porque vejam, daquelas e daqueles que encontrastes ao longo destes dias, se depois tudo isso, todas essas pessoas, com as suas parábolas de vida, colocares isso aqui, aos pés do Senhor, aqui no altar, então, vocês vejam como realmente nós encontramos toda a humanidade no coração de Jesus. Esta é a nossa vocação”, assegurou. A última palavra foi um convite a ver “o interior” de cada pessoa. “Para os doentes, que vos vai mostrar as suas doenças físicas, o médico é aquele que capta também mais em profundidade e que sabe ver a alma. E se for iluminado pela luz da fé, então vedes isso melhor do que vedes ao microscópio: vedes o interior da pessoa. Por favor, acolhei esse outro e tornai-vos, vós próprios, hóspedes desse outro. É isto que Jesus nos pede, hoje”, terminou o Patriarca de Lisboa, na homilia da Missa com os estudantes da Faculdade de Medicina de Universidade de Lisboa que estão em Missão País no Cadaval.![]() |
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