Lisboa |
Luz da Paz de Belém 2024
“Tu serás luz do mundo na medida em que fores capaz de suscitar vida e esperança”
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Na cerimónia regional de partilha da Luz da Paz de Belém, na Igreja da Boa Nova, no Estoril, o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, deixou um convite aos escuteiros para “se colocarem a caminho” numa “procura incessante de Deus”, para “serem luz” com “as boas obras” e para “serem sal” para fazer “sobressair aquilo que de melhor existe nas outras pessoas”.

Após vários anos em que decorreu na Sé Patriarcal de Lisboa, a cerimónia regional de partilha da Luz da Paz de Belém 2024 teve lugar, este ano, no Núcleo da Barra, mais concretamente na Igreja da Boa Nova, no Estoril, na noite desta segunda-feira, dia 16 de dezembro. Na presença dos 136 agrupamentos de escuteiros da Região de Lisboa do Corpo Nacional de Escutas (CNE), o Patriarca de Lisboa destacou que “três são os símbolos que esta noite se erguem no horizonte da nossa contemplação: o caminho, a luz e o sal”.

Sobre o caminho, D. Rui Valério sublinhou que, “ao recebermos a luz, recebemos a Luz que veio de Belém”. “Há aqui uma correspondência, uma resposta, o que significa que à vinda da Luz de Belém até nós, nós estamos mobilizados a erguermo-nos para ir ao encontro dessa Luz que nos quer encontrar. Na vida cristã, nós não apenas fazemos caminho, mas nós somos caminhantes, não porque assim o decidimos, mas porque é a forma mais bela de nós respondermos Àquele que é o caminhante por excelência que vem ao nosso encontro, que é Deus. Somos convidados a assumir como estilo, como timbre da nossa personalidade espiritual exatamente este pormo-nos em caminho”, referiu.

Na presença do Vereador da Juventude da Câmara Municipal de Cascais, Frederico Almeida Nunes, além de diversos assessores desta autarquia, D. Rui Valério convidou depois cada escuteiro a sentir-se, naquela noite, “um mendigo”. “Nós queremos ser mendigos deste caminho que nos conduz a Deus. Este é que é o verdadeiro caminho que eu vos quero apresentar: de nos lançarmos, enfim, numa procura incessante de Deus, para responder à procura que Deus está a viver e a efetuar vindo ao teu encontro, andando à tua procura. Não pensem que o Bom Pastor que vai à procura daquela ovelha perdida existe só lá, no livro, no Evangelho de São Lucas e está lá, bem ‘guardadinho’, no armário, para não se constipar com este frio. Não, não! O Bom Pastor é a postura que Deus tem em relação a ti. É sempre o Bom Pastor em cada dia, em cada instante. Então, sejamos nós também essas ovelhas, mendigas, que vão à procura do Absoluto, único e definitivo, que é Deus”, desafiou.

 

Vida e esperança

O segundo símbolo “é, claro, a luz”. “Jesus entra aqui de uma forma radical: «Vós sois a luz do mundo». A luz para iluminar, a luz que brilha. Mas Ele explica-nos, de uma forma maravilhosa, o que é essa coisa de ser luz, quando diz: «Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens: são as boas obras». É curioso, porque Jesus não diz apenas que são as obras, mas diz que são as boas obras”, explicou o Patriarca, na sua homilia.

“Uma obra que te torna luz do mundo é a capacidade que tu tens de suscitar vida à tua volta. Tu serás luz na medida em que fores capaz de suscitar vida. Porque uma boa obra é aquela tua habilitação e capacidade para, pelo que fazes e também pelo que dizes, seres capaz de suscitar esperança”, acrescentou D. Rui Valério, reforçando que “ser luz do mundo é, pelo menos, estar desconfortável em saber que, neste mundo em que tu vives, há pessoas que, ao contrário de ti, de mim, há gente que tem um muro, uma barreira”.

“Sede luz do mundo. Que a partir das vossas boas obras – e as obras boas que nós praticamos são aquelas que criam vida, que criam esperança, que fazem serviço, que criam este dinamismo de um horizonte com o futuro – a Luz resplandeça”, exortou.

 

“O mundo é aquilo que tu ajudares a ser”

O terceiro símbolo exposto pelo Patriarca de Lisboa foi “o sal”. “«Vós sois o sal da terra». Porque é que tu e eu estamos a ser convidados a ser sal da terra? Porque a nossa função, caras irmãs e irmãos, é fazer com que lá no nosso clã, na nossa alcateia, na nossa equipa, na nossa família, na nossa escola, venha ao de cima, sobressaia, aquilo que de melhor existe nas outras pessoas”, explicou. Neste sentido, desafiou: “Imaginem o que era se, esta noite, mercê da Luz de Belém, tomássemos aqui a decisão de a partir de agora, onde eu estiver, as pessoas que me rodeiam hão de mostrar, hão de fazer vir ao de cima apenas o que têm de bom e de maravilhoso. O nosso mundo seria diferente!”, garantiu.

A última palavra de D. Rui Valério aos escuteiros foi como “ser cristão é fixe”. “É fixe porque do princípio até agora eu não disse outra coisa se não esta verdade simples: é que o mundo é aquilo que tu no fundo, no fundo, no fundo, ajudares a ser. É o que Deus quiser, mas é aquilo que tu ajudares a ser”, frisou.

“Vamos agradecer ao Senhor esta noite, vamos agradecer a palavra que nos concedeu, a luz com que Ele quer iluminar a nossa vida e vamos confiar na sua misericórdia para nós sermos instrumentos de misericórdia”, terminou o Patriarca de Lisboa.

 

Distribuir “a Luz que veio de Belém”

No final da cerimónia, o Chefe Regional de Lisboa do CNE, Carlos Pacheco, agradeceu a presença do Assistente Nacional do Corpo Nacional de Escutas, Padre Daniel Nascimento, e lembrou a missão de cada mensageiro dos vários agrupamentos de escuteiros. “Esta é a grande noite que nós nos reunimos. E reunimo-nos hoje, nesta Igreja da Boa Nova, para levarmos esta Boa Nova para as nossas comunidades. Temos a grande responsabilidade, a partir de hoje e até à Noite de Natal, de distribuirmos, junto de todos aqueles que se cruzam por nós, esta Luz que veio de Belém, esta Luz que transmite a paz e a alegria de ser cristão. E acima de tudo, este entusiasmo com que vivemos esta noite, aqui, possa ser também vivida e refletida nas nossas comunidades locais”, desejou Carlos Pacheco.

Este responsável destacou ainda o Jubileu 2025, que vai ter início no final deste mês de dezembro. “Só assim, desta forma, é que, todos juntos, neste pequeno gesto, podemos transformar o mundo num mundo mais solidário, com mais esperança, e caminharemos, então, neste Jubileu em que celebramos o nascimento de Jesus Cristo, nesta alegria entusiasmante que é ser cristão”, salientou o Chefe Regional de Lisboa do CNE.

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