O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, assinalou o Dia Mundial dos Pobres no Bairro do Zambujal, em Alfragide – que nas últimas semanas foi palco de uma onda de vandalismo –, deixando uma mensagem “de esperança” e desejando o “caminho do amor, da paz, da tolerância e da proximidade” para a comunidade.
A manhã deste Domingo, dia 17 de novembro, foi de festa para o Bairro do Zambujal, com a visita do Patriarca de Lisboa. Meia hora antes da hora marcada para a Missa, D. Rui Valério chegou ao Centro Consolação e Vida, dos Missionários da Consolata, onde a comunidade cristã do bairro celebra a sua fé. Cumprimentou as pessoas, fez perguntas sobre as proveniências e procurou saber como corre a vida de cada um após os atos de violência do último mês, ocorridos neste bairro do concelho da Amadora. A celebração teve início, após o cortejo inicial, com o Padre José Matias, responsável pela comunidade cristã do Zambujal, a deixar “uma palavra de agradecimento” ao Patriarca de Lisboa, que “se interessou por nós, com a recente onda de vandalismo”. “Ele preocupou-se connosco, quis vir nessa altura, mas não foi possível”, lembrou este missionário da Consolata, sublinhando que “esta comunidade é uma ‘sucursal’ da Paróquia da Buraca”. D. Rui Valério agradeceu as palavras e apontou o caminho. “É com imensa, enorme alegria que estou aqui, convosco, a celebrar o mistério da vida e a celebrar o mistério da esperança. «Eu sou a luz do mundo», disse Jesus, e é partir dessa luz, caras irmãs e irmãos, que nós começamos a vislumbrar e a ver o caminho a percorrer: é o caminho do amor, é o caminho da paz, é o caminho da tolerância, é o caminho da proximidade de uns em relação aos outros. Esta é a estrada que o Senhor, luz do mundo, nos indica”, frisou, na presença do Padre Augusto Faustino, de Moçambique, do Padre Bernard Obiero, do Quénia, também missionários da Consolata. Na introdução inicial da Missa promovida pela Cáritas Diocesana de Lisboa, o Patriarca destacou, desde logo, o Dia Mundial dos Pobres, que foi instituído pelo Papa Francisco, em 2017, e é celebrado todos os anos no XXXIII Domingo do Tempo Comum. “O Papa Francisco quer que este dia seja dedicado à oração e à solidariedade. Ele chamou-lhe o Dia Mundial dos Pobres, e os pobres somos todos nós perante Deus. Para a Bíblia, o pobre é aquela pessoa cujo coração é o lugar do Céu, é o lugar do Paraíso, porque é no pobre que nós temos a ocasião e a oportunidade de reencontrar não outra riqueza que não a riqueza mais importante da vida, que é Deus”, explicou. D. Rui Valério congratulou-se, ainda, por ter, naquela pequena capela, pessoas de muitas origens e proveniências. “Há pouco cruzei-me aqui com algumas pessoas e tantas pessoas vindas de tantas partes do mundo. Que maravilha podermos, num pequeno espaço, estar como se aqui estivesse o mundo inteiro. É belo quando assim é, significa que não estamos só com Deus, mas estamos verdadeiramente próximos uns dos outros. É o mundo inteiro que está aqui reunido. Vamos agradecer ao Senhor por isso”, convidou. Esperança Na sua homilia, o Patriarca de Lisboa começou por lembrar que quem vive “no Coração de Jesus” e “no amor de Deus” é chamado a “praticar o amor, o amor transformado em serviço, em dedicação aos outros”. Depois, recordou o escritor francês Charles Péguy. “Um dos poemas mais belos que Péguy fez foi sobre a esperança. O poeta dizia que, de todas as atitudes do ser humano, Deus diz: aquela que mais me surpreende, aquela que mais me fascina, é a esperança”, frisou, dirigindo-se aos mais novos que integram o coro: “Vocês têm ou não têm esperança no vosso coração? Muito ou pouca? Muita! Mas não é esperança que o Benfica ou o Sporting vão ganhar o campeonato… Não, não é essa esperança. Nós temos esperança em relação a quê, ou em esperança do quê? A esperança, tal como a Palavra de Deus no-la mostra, é uma esperança relativamente ao mundo do futuro, ao mundo do amanhã, ao mundo que há de vir. E este mundo que há de vir, na esperança, é um mundo melhor”, assegurou. “Na esperança, nós somos mobilizados a afirmar esta coisa maravilhosa: o amanhã vai ser melhor, vai ser mais radiante”, acrescentou. Perante uma pequena capela completamente cheia, D. Rui Valério prosseguiu a sua reflexão sobre a esperança. “Se nós nos deixarmos iluminar por uma outra luz, que é a da esperança, como é que se nos afigura a vida, como é que se nos afigura o destino da humanidade? Caras irmãs e irmãos, é um destino maravilhoso, é um destino radiante, por duas razões. Em primeiro lugar, porque graças a Deus o mundo e o destino da humanidade não estão nas nossas mãos. Não somos nós que transportamos a humanidade por aí fora, não somos nós que a levamos, mas é Deus que conduz o mundo, que o leva. Mas Deus não o faz sozinho e não o quer fazer sozinho. Deus precisa de ser ajudado e quer ser ajudado”, observou. Neste sentido, “para esse mundo radiante, para esse mundo maravilhoso, esse mundo diferente daquele que nós conhecemos, Deus vai bater à porta de todos nós”. “Deus quer que tu sejas seu colaborador, seu cooperador, para recriar o mundo, para o reconstruir segundo os critérios, a vontade, o modelo que Jesus nos dá. Esse é um mundo de proximidade, é um mundo de compreensão, é um mundo onde nós nos trataremos como irmãos, mas de verdade. É o mundo onde, para cada um, o ‘tu’, o ‘outro’, é mais importante do que o ‘eu’. Esse é o mundo que Jesus veio estabelecer na terra. Para a construção desse mundo, Jesus pede o nosso auxílio, pede a nossa colaboração”, manifestou o Patriarca de Lisboa, dirigindo-se a toda a comunidade e em particular aos membros mais novos. Mobilizados a ajudar e a servir Neste dia dedicado aos pobres, D. Rui Valério fez um convite a ajudar os outros. “A única riqueza é Deus, é Jesus. Nada mais é tão valioso, nada mais é tão precioso. Mas este é também um dia dedicado aos pobres para que nós nos sintamos mobilizados a ajudar, a servir, a ir ao encontro. Esse mundo belo e bonito que eu sonho, e que quero ajudar a construir, é aquele onde ninguém será excluído, onde ninguém é excluído só porque não tem uma conta bancária, onde ninguém é excluído só porque não tem um lar. A partir da Palavra de Deus, a partir de Cristo, o mundo que nós sonhamos, o mundo que nós vamos e queremos construir, é aquele onde, por razões económicas, por razões sociais, as pessoas não deixam de ser tratadas como pessoas”, apontou. O Patriarca reforçou que “todo o ser humano – ou então como dizia o Papa Francisco, ‘todos, todos, todos’ – é pessoa”. “E toda a pessoa possui uma dignidade que vai ser respeitada e que nós temos que ajudar a salvaguardar”, desejou. “Deixemos verdadeiramente que o nosso coração se encadeie, se ilumine, deixemo-lo consumir por este fogo do amor. O São João da Cruz dizia: «Onde não há amor, põe amor e encontrarás amor». Então, faz acontecer aí amor e vais ver que encontrarás aí amor, porque nós o colocámos lá”, convidou. D. Rui Valério terminou a homilia com uma palavra de agradecimento: “Obrigado pelo exemplo heroico como, aqui, o Evangelho de Jesus se faz carne, se faz história, se faz princípio de orientação e sobretudo, caras irmãs e irmãos, que sejamos como Jesus nos pede, este sal da terra e esta luz do mundo. Uma luz que é de esperança, que é de amor e que é de fé”. Junto do Papa No final da Missa no Dia Mundial do Pobres, o Patriarca de Lisboa voltou a agradecer “pelo acolhimento” e “pelo testemunho”, e revelou que, no próximo Domingo, dia 24 de novembro, “em nome da Igreja de Lisboa”, irá a Roma para “estar na passagem dos símbolos da Jornada Mundial da Juventude”, a Cruz peregrina e o Ícone mariano, “aos jovens da Coreia do Sul”. “Portanto, vou estar também perto do Papa Francisco e, se tiver oportunidade, levar-lhe-ei os vossos cumprimentos”, garantiu. Dirigindo-se aos mais novos do Bairro do Zambujal, que integravam o coro, D. Rui Valério perguntou: “O que é que eu levo ao Papa dos jovens? Vocês só têm uma coisa a dizer: ‘Que nos vamos ver em Seul, na Coreia do Sul, par a Jornada Mundial da Juventude’. Pode ser? Então vá, vamos começar a trabalhar nisso”. A última palavra foi novamente de agradecimento à comunidade. “Um grande obrigado! Que Deus vos abençoe. Continuação de santo Domingo”, terminou o Patriarca de Lisboa.![]() |
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