Lisboa |
Missa por todos os Patriarcas, Bispos, Padres e Diáconos defuntos
“Continuam a apresentar ao Pai aquilo que são os nossos desafios”
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O Patriarca de Lisboa presidiu à Missa por todos os Patriarcas, Bispos, Padres e Diáconos defuntos que serviram a diocese, lembrando que “continuam a ser mediadores” da Igreja diocesana.

“Os nossos queridos defuntos – e falando nós de Bispos, de sacerdotes e de diáconos – continuam na senda daquilo que é a mais profunda mediação, continuam a interceder por nós. Continuam a apresentar ao Pai aquilo que são os nossos desafios, aquilo que são as nossas necessidades e as necessidades da Igreja, aquilo que é o estado atual em que a comunidade cristã vive e permanece. Por isso, se durante as suas vidas terrenas aquilo que foi o timbre dessa vida e dessa existência foi a entrega, foi o ser para os outros, essa mesma mística e esse mesmo carisma continua vivo neles e, através dessa vivência desse carisma deles, nós próprios somos vivos no coração do Pai. São nossos mediadores”, sublinhou D. Rui Valério, na celebração desta segunda-feira, dia 4 de novembro, na Igreja de São Vicente de Fora, em Lisboa.

A Missa foi promovida pela Irmandade de São Pedro do Clero do Patriarcado de Lisboa, com o Patriarca a desejar que “os nossos dias sejam iluminados por aquela palavra onde, superior ao bem próprio, ao bem pessoal e individual, subsiste e existe o bem pelo próximo, o bem pelos outros”. “É esse testemunho que nós recebemos daqueles que hoje evocamos e homenageamos. Que eles intercedam por nós, pela Igreja de Lisboa, que eles intercedam para que sejamos uma Igreja de esperança, de serviço, uma Igreja que seja luz do mundo e sal da terra”, desejou D. Rui Valério.

 

Um sentido para a morte

No início da sua homilia, o Patriarca de Lisboa apontou que “o cristianismo tem na morte o seu lugar fundador”. “Na morte não enquanto aniquilação total e absoluta do que é a vida, mas da morte como doação, como entrega, como oferta de si mesmo”, salientou.

“Aquelas palavras que o Senhor Jesus pronuncia, segundo o Evangelho de Lucas, exatamente no instante da sua morte: «Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito» estão a assinalar que, para Jesus, não só a vida foi um viver para os outros, foi um doar-se perpetuamente, mas a própria morte, em Jesus, alcançou este mesmo dinamismo. Jesus revela-nos que, com Ele e a partir d’Ele, morrer era um ato de consignação, era um ato de entrega total, absoluta, radical nas mãos d’Aquele que nos ama e nos ama profunda, incondicional e eternamente, que é o Pai”, acrescentou.

Desta forma, prosseguiu D. Rui Valério, “tal como a vida e para a vida, também com a morte e para a morte é possível construir um significado, um sentido”. “Não um sentido académico, mas um sentido que tem a relevância de uma identidade. E então neste dia em que nós fazemos memória, invocamos e, de certa forma, prestamos homenagem, com a nossa oração, àqueles que nos precederam – aos senhores Bispos, aos sacerdotes e aos diáconos que serviram a Igreja no Patriarcado de Lisboa –, não procuramos tanto contemplar a sua condição na plenitude da glória da pátria eterna na comunhão definitiva dos santos. Para esses nossos irmãos, a respetiva morte foi preparada no seu significado, na sua densidade, no seu alcance, na sua identidade ela foi preparada e construída ao longo das respetivas vidas. Isto é possível nós falarmos assim quando contemplamos homens que se consagraram integralmente a servir Jesus, a servir a Igreja, a servir o próximo. Quando nós contemplamos que vidas foram consumidas na dedicação e na entrega e o significado dessa vida foi essa oblação incondicional pelos outros e a Deus, então também a morte respira do mesmo ar, também a morte é iluminada por essa mesma luz. Para os irmãos que nós hoje invocamos, podemos referirmo-nos como nos estamos a referir para a morte de Jesus. Também para eles, morrer foi uma entrega, foi uma doação, foi um serviço. E esse serviço contempla-se naquela perpetuidade da sua oração, da sua vocação de mediadores, junto do Pai, pela Igreja, pelas comunidades cristãs. No fundo, por nós próprios”, frisou.

A celebração teve a participação do coro da Capella de S. Vicente (coro e órgão), com direção de Pedro Rodrigues, e no final, em procissão, a assembleia dirigiu-se ao Panteão dos Patriarcas, para um breve momento de oração.

 

Seminários e Valência

No início da Missa por todos os Patriarcas, Bispos, Padres e Diáconos defuntos, o Patriarca de Lisboa pediu que todos lembrem e rezem na Semana de Oração pelos Seminários (3 a 10 de novembro), em particular “pelos nossos seminários e pelos nossos seminaristas”, e revelou que, “em breve”, vai receber “indicações da Arquidiocese de Valência para uma ação de solidariedade no nosso Patriarcado”. Tal como fez na carta que enviou ao Arcebispo de Valência, D. Enrique Benavent Vidal, D Rui Valério pediu “orações” pelas vítimas da tragédia em Espanha. “Estejam sobretudo presentes nas nossas súplicas e preces”, rezou o Patriarca de Lisboa.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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