O Patriarcado de Lisboa vai viver um dia histórico, na tarde deste Domingo, 21 de julho, às 16h00, nos Jerónimos, com a Ordenação Episcopal de dois novos Bispos Auxiliares, D. Nuno Isidro Cordeiro e D. Alexandre Palma, e a imposição do Pálio de Metropolita ao Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério.
Na Igreja de Santa Maria de Belém, no Mosteiro dos Jerónimos, a Missa vai ter início com o Núncio Apostólico em Portugal, D. Ivo Scapolo, a impor o Pálio de Metropolita ao Patriarca de Lisboa. Recorde-se que D. Rui Valério recebeu o Pálio das mãos do Papa Francisco na manhã do passado dia 29 de junho, na Basílica de São Pedro, no Vaticano.
Na ocasião, ainda em Roma, o Patriarca lembrou o “momento de afirmação explícita de comunhão com o Santo Padre” e o “prestígio” do Patriarcado além-fronteiras. “Nunca imaginei que Lisboa possuísse um prestígio tão enorme no mundo. Senti-me pequenino”, assumiu D. Rui Valério, numa entrevista.
O Patriarca de Lisboa vai presidir à celebração das Ordenações Episcopais de D. Nuno Isidro Cordeiro e de D. Alexandre Palma, sendo o Bispo ordenante. Os Cardeais D. Manuel Clemente, Patriarca Emérito de Lisboa e membro do Dicastério para o Clero, e D. José Tolentino de Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, vão ser os Bispos co-ordenantes.
D. Nuno Isidro Cordeiro, de 59 anos, e D. Alexandre Palma, de 45 anos, foram nomeados Bispos Auxiliares de Lisboa, pelo Papa Francisco, no passado dia 14 de junho. Os dois novos prelados da diocese são membros do presbitério de Lisboa e pertencem à equipa formadora do Seminário Maior de Cristo-Rei dos Olivais.
D. Nuno Isidro Cordeiro
Vigário-geral do Patriarcado de Lisboa desde 2011, D. Nuno Isidro Nunes Cordeiro vai ter como lema episcopal ‘Gratis accepistis, gratis date’ (‘Recebestes de graça, dai de graça’).
“Depois de escolher os Doze, Jesus envia-os a anunciar o Reino, a realizar a Sua própria Missão (cf. Mt 10). Dá-lhes este mandamento: RECEBESTES DE GRAÇA, DAI DE GRAÇA, para compreenderem que a Missão é chamamento do Pai, a Mensagem é Jesus Cristo, Senhor da Vida para todos, e o verdadeiro Mensageiro é o Espírito Santo, o dom de Amor do Pai e do Filho, que habita em nós e que temos para dar uns aos outros”, explicou o prelado.
Diretor espiritual do Seminário dos Olivais desde 2017, além de membro nato do Conselho Presbiteral, D. Nuno Isidro assume que “a única alegria” que quer viver é a de “oferecer Jesus” a todos.
“O Papa Francisco nomeou-me como bênção de Deus para vós, no labor da missão de anunciar o Evangelho de Jesus Cristo, única fonte de salvação. De modo nenhum aceito como honra humana, mas inteiramente como dom para o serviço, tomando a cruz para O seguir. Se vos sou dado como Pastor, é para exigirdes tudo de mim e nada menos do que Jesus Cristo. Mas haveis de ser complacentes com o pouco que sei e sou capaz de dar. A única alegria que quero viver é a de vos oferecer Jesus”, salientou o novo prelado, numa mensagem vídeo publicada no dia em que foi conhecida a sua nomeação episcopal.
D. Nuno Isidro Cordeiro garantiu ainda que se apresenta “cheio de fraqueza, de receio e de grande temor”, mas que submete estes “sentimentos” à “esperança em Cristo Jesus”.
D. Alexandre Palma
Professor associado da Universidade Católica Portuguesa (UCP) e vice-diretor da Faculdade de Teologia da UCP, D. Alexandre Coutinho Lopes de Brito Palma vai ter como lema episcopal ‘Ad Matutinum Laetitia’ (‘Ao amanhecer, volta a Alegria’).
“O lema «Ad Matutinum Laetitia» (Ao amanhecer, volta a Alegria) é retirado do Salmo 30: «Ao cair da noite vêm as lágrimas. E ao amanhecer volta a alegria», resumo alegórico da experiência pascal. O cristão sabe que a verdadeira alegria nasce com a manhã da ressurreição e para ela caminha na esperança”, salienta a explicação das armas de fé do novo prelado.
O membro mais jovem do Episcopado português (fará 46 anos a 11 de agosto), que esta semana tomou posse como novo presidente da Fundação JMJ Lisboa 2023, expressou sentimentos “de gratidão” e “de entusiasmo”, por ocasião da sua nomeação episcopal, e o desejo de “continuar a fazer” o “caminho” que “é Jesus”.
“Continuaremos a caminhar sempre para sermos mais parecidos a Jesus, mais identificados com Ele, na certeza de que havemos de dar um testemunho alegre, descomplexado, atraente da nossa fé. Sobretudo, darmos as mãos com todos para construirmos uma sociedade mais justa, mostrando o valor público da nossa fé cristã e da nossa existência como Igreja. É assim que me disponho a, com todos vós, continuar a fazer este caminho que é sempre o mesmo e o único, que é Jesus e o seu Evangelho”, frisou D. Alexandre Palma, numa mensagem vídeo de saudação.
“Convoco todos”
Numa ‘Carta ao clero e comunidades cristãs’, por ocasião das Ordenações Episcopais, o Patriarca de Lisboa deu “graças a Deus pelo dom destes pastores para a nossa amada Diocese de Lisboa” e agradeceu “ao Santo Padre a atenção e cuidado que dedica a esta porção do Povo de Deus”.
D. Rui Valério convocou depois os cristãos à participação na celebração histórica que a diocese vai receber. “Convoco todos vós – sacerdotes, diáconos, religiosos, religiosas e fiéis leigos – para estarem presentes na Missa de Ordenação no próximo dia 21 de julho, às 16 horas, na Igreja de Santa Maria de Belém (Mosteiro dos Jerónimos). Conto com a presença de todos para este momento raro da Ordenação Episcopal de dois presbíteros. O primeiro registo de ocasião semelhante de ordenação simultânea de dois Bispos em Lisboa remete para o ano de 1931; mais recentemente, em 2018, eu próprio fui ordenado Bispo juntamente com o Senhor D. Daniel Batalha Henriques, de feliz e grata memória”, escreveu.
Na saudação divulgada no dia da nomeação episcopal, o Patriarca de Lisboa saudou os seus dois novos Bispos Auxiliares. “As nossas felicitações a D. Nuno Isidro Cordeiro e a D. Alexandre Palma por terem respondido ‘sim’ ao convite do Senhor, vão acompanhadas por afetuosas boas-vindas desta Igreja, onde nasceram para a nova vida de Deus e para a fé, com a qual se identificam, e que sempre serviram como pastores zelosos e dedicados. D. Nuno Isidro Cordeiro, com o traço caraterístico de vida espiritual séria e intensa; D. Alexandre Palma, com a profundidade reflexiva da fé e da humanidade; Ambos peregrinos confiantes na graça de Deus e na santidade”, expressou D. Rui Valério.
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