Lisboa |
Bispo Auxiliar crismou reclusos da cadeia de Vale de Judeus
“Sermos misericordiosos uns com os outros”
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O Bispo Auxiliar de Lisboa, D. Joaquim Mendes, esteve no Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus, em Alcoentre, nesta quinta-feira, dia 4 de julho, onde crismou sete reclusos e deixou um apelo à misericórdia.

“Receber o Sacramento da Confirmação no contexto da celebração da memória de Santa Isabel de Portugal é uma oportunidade para pedir ao Espírito Santo a graça de um coração misericordioso, para que, no nosso dia a dia, sermos misericordiosos uns com os outros, como Deus nosso Pai é misericordioso, como o foi Santa Isabel e tantíssimos Santos que nos precederam, e que deixaram um testemunho luminoso de caridade e da misericórdia divina. O Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações, que nos impele a viver sob o signo da misericórdia, a ser misericordiosos como o Senhor é misericordioso para connosco”, salientou o prelado, na homilia da celebração.

A Missa neste estabelecimento prisional teve lugar no dia de Santa Isabel de Portugal. “A celebração do Crisma coincide com a memória litúrgica de Santa Isabel uma das mais extraordinárias rainhas da história de Portugal, conhecida pelo seu exemplo de dedicação ao próximo e com um rasto de devoção que o tempo não apaga. Santa Isabel era rainha, mas também esposa e mãe de família. Sofreu com o marido, sofreu com o filho, procurou a paz entre os dois, pacificou familiares desavindos e os monarcas dos povos ibéricos. Extraordinariamente culta e em tudo profundamente humana, foi uma rainha amada pelo povo por causa da sua caridade”, recordou D. Joaquim Mendes.

 

A misericórdia como estilo de vida

Na presença do capelão do Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus, padre Ricardo Jacinto, e de voluntários da capelania, o Bispo Auxiliar de Lisboa sublinhou que “Santa Isabel, como muitos outros santos da Igreja, fizeram da misericórdia a sua missão, deixaram-se impregnar pela compaixão e pela misericórdia divina, fizeram-se misericordiosos e, como bons samaritanos, tomaram ao seu cuidado os irmãos caídos no caminho. A vida de Santa Isabel é tecida pela misericórdia. Ela encarnou a misericórdia divina, que transbordou em obras concretas, dirigidas sobretudo aos pobres. A misericórdia não é uma ideia abstrata, mas é um estilo de vida, consiste em fazer, praticar, amar com obras”, frisou.

“E o quotidiano oferece-nos tantas oportunidades de exercermos a misericórdia, de sermos misericordiosos, nas relações uns com os outros, sendo pacientes, compreensivos, tolerantes, suportando-nos mutuamente com caridade, sem nos agredirmos, nem com as palavras nem com os gestos”, aconselhou.

 

“Precisamos uns dos outros”

A homilia de D. Joaquim Mendes lembrou ainda outros episódios da vida de Santa Isabel de Portugal. “Nas suas saídas do palácio, Santa Isabel via muitos pobres sentados às portas das igrejas das vilas e aldeias, mandava parar a carruagem onde viajava, descia, ia ao seu encontro, socorria-os nas suas necessidades. Preocupava-se com os mais carenciados, com os mais desprezados por todos, fosse por condição social ou por doença, visitava os doentes e cuidava deles com as próprias mãos. Também nós temos de pedir ao Senhor esta sensibilidade de Santa Isabel em relação aos que nos rodeiam, esta capacidade de sair de nós e ir ao encontro daqueles que precisam de uma palavra amiga, de apoio e ajuda. Todos precisamos uns dos outros, para enfrentar as dificuldades, para superar situações difíceis da vida”, garantiu. “Afinal todos somos pobres, porque não nos bastamos a nós mesmos, mas precisamos uns dos outros, porque ninguém pode enfrentar a vida sozinho”, salientou.

 

Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus

Situado em Alcoentre, o Estabelecimento Prisional de Vale deJudeus tem uma lotação de 560 reclusos e um nível de segurança alto. A sua construção foi iniciada em 1960, mas apenas em 1974 foram dadas por concluídas, tendo, no entanto, sido ocupadas pela Forças Armadas. Em março de 1977, no seguimento da sua devolução ao Ministério da Justiça, recebeu o primeiro recluso. Todavia, após a ocorrência da conhecida ‘grande evasão’ de 1978, as instalações foram encerradas e só em 1981 entrou em funcionamento o Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus.

As instalações constituem-se por quatro pavilhões de três pisos, um pavilhão de admissão, dois edifícios oficinais e um edifício administrativo. No centro do conjunto existe uma área de recreio, ladeada pelas instalações da escola, das oficinas, dos armazéns, da cozinha, da padaria, da lavandaria e da capela. Existem ainda dois grandes complexos oficinais onde se desenvolvem as atividades laborais de natureza económica e de formação profissional. É neste estabelecimento que funciona um dos mais importantes polos de formação profissional para reclusos.

A população prisional é essencialmente constituída por reclusos condenados em penas de longa duração, existindo um número muito significativo de reclusos estrangeiros.

foto: Padre Ricardo Jacinto, capelão do EP de Vale de Judeus
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