Lisboa |
Solenidade do Sagrado Coração de Jesus
“O amor que o Senhor tem para connosco é um amor que é um acontecimento”
<<
1/
>>
Imagem

O Patriarca de Lisboa presidiu à Missa na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, na Basílica da Estrela, sublinhando que aquele era um convite a “reentrar dentro do nosso próprio coração” para “captar, para contemplar”, quais “os efeitos que o amor do Sagrado Coração de Jesus gera no nosso coração e na nossa vida”.

“O amor do Senhor, caras irmãs e irmãos, é um amor que se torna força inaugural de história, de acontecimento. O amor que o Senhor tem para connosco e que nos oferece não fica apenas como um mero sentimento, mas, como insistentemente vamos encontrando na vida e na existência de Jesus, é um amor que é um fazer, que é um acontecimento”, salientou D. Rui Valério, na celebração que teve lugar no final da tarde desta sexta-feira, 7 de junho, Dia Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes.

Na Basílica da Estrela, a primeira no mundo consagrada ao Sagrado Coração de Jesus, o Patriarca refletiu sobre “que acontecimentos são esses, que efeitos são esses, que fruto é esse que a certeza de se saber e sentir amado por Jesus, a partir do seu coração, gera e inaugura em nós”. D. Rui Valério apontou “três etapas”, começando pela primeira que foi “proporcionada pelo profeta Oseias”.

“Quando nos sentimos amados por Deus, descobrimos, com o seu amor, que Deus é sempre o começo, é sempre o princípio. É Ele que inaugura tudo aquilo que existe, tudo aquilo que é”, apontou, acrescentando que “o primado do amor nos remete para a certeza de que nós só viemos à existência, só ganhámos ser, só vivemos porque eternamente somos amados”. “É tão bonito isto, porque é uma chave de leitura, é uma chave de compreensão para a nossa vida, mas também para a vida do mundo”, frisou. Neste sentido, acrescentou, quando os cristãos fazem “a experiência de ser amados”, descobrem “algo de maravilhoso”. “Que não só na nossa vida, mas até no plano do nosso mundo, nada acontece que não seja por amor. O cristão é sobretudo aquela e aquele que se sabem e se sentem amados por Jesus. Um amor infinito, um amor oblativo e objetivo, mas que gera em mim e me oferece esta compreensão acerca da nossa vida e acerca da vida do mundo em que vivemos”, explicou.

Como “segunda etapa”, retirada de São Paulo, o Patriarca de Lisboa destacou: “Quando Paulo cai por terra, ao reerguer-se já não era o mesmo homem. Era uma nova pessoa, era alguém que não só possuía uma nova vida, mas essa sua nova vida era a nova vida de Cristo ressuscitado a ele transmitida. Quando, na vida, alguém se sente amado por Deus, que experiência bela. Nós sentimo-nos permanentemente como novos seres, renovados. Quase que poderíamos dizer imunes ao envelhecimento, imunes ao cansaço e à fadiga, imunes ao desgaste. Sempre novos, sempre como no começo. Vocês vejam como isto é encantador. Imaginem o que é viver, perpetuamente, o fascínio da primeira ocasião, o fascínio da primeira vez, o fascínio do primeiro olhar, o fascínio do primeiro encontro. O cristão vive permanentemente isto e a Eucaristia está aí para o confirmar”.

A “terceira etapa” foi “partilhada pelo evangelista São João, o discípulo que Jesus amava”, que – segundo D. Rui Valério – proporcionou “uma partilha daquilo que era a sua contemplação do Cristo crucificado”. “É um cenário de amor, materializado n’Aquele que pende do madeiro da Cruz. E que apreendemos nós para a nossa vida? Desde logo este pormenor: os soldados quebraram as pernas ao primeiro, depois ao outro, mas a Jesus deixaram-no. O amor não é destrutivo. Quando se ama, permanece-se e conserva-se esta estrutura fundamental do ser humano. Eis o significado dos ossos das pernas de Jesus não serem quebradas. Ele não nos aniquilou. Amou-nos, por nós sofreu, deu a vida e conservou nos em Deus, intactos”, observou.

 

Testemunhar com o amor

Durante a Missa na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, na Basílica da Estrela, o Patriarca de Lisboa crismou nove membros da comunidade, sobretudo jovens, a quem pediu “testemunho”. “Dentro de alguns instantes, vós ides ser confirmados pelo Espírito Santo, pelo sacramento do Crisma, e gostaria de enfatizar muito este momento. Que todo este caminho e todo este processo que foi percorrido pela Palavra de Deus, em que contemplávamos o amor encarnado no Sagrado Coração de Jesus, eis que tudo se conjuga, tudo se orienta para este testemunho que se dá. Então, que vós também sejais aqueles que dão testemunho”, desafiou, lembrando, depois, que “não há testemunho cristão sem oferta de nós próprios”.

“Cristão que é cristão é aquele que anuncia, que testemunha, que partilha, não tanto, não só, não principalmente o que tem ou o que sabe, mas o que é: o amor é uma dádiva, é uma auto-dádiva; é uma partilha, é uma auto-partilha. Então, que o Espírito Santo que hoje vos é comunicado vos habilite, verdadeiramente, a esta consolação total por Cristo, mas por amor aos irmãos. Caros confirmandos, contai com a nossa amizade, com a nossa presença, com a nossa companhia, mas sobretudo com a nossa oração”, terminou D. Rui Valério.

No início da celebração, o Patriarca de Lisboa estimou as melhoras do pároco da Lapa, cónego António Marim, a recuperar de uma intervenção cirúrgica. “Apraz-me, daqui, dirigir uma saudação afetuosa a esta comunidade, e, se me permitem, daqui enviar uma saudação a sua reverência, o reverendo pároco, o senhor cónego Marim, em situação, neste momento, de ausente fisicamente, por motivos de saúde, mas certamente a connosco partilhar e a comungar, na alegria e no júbilo, este momento tão intenso. Para ele, um bem-haja. Rezemos pelas suas rápidas melhoras e pelo seu rápido regresso”, desejou D. Rui Valério, na saudação inicial da Missa na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
A OPINIÃO DE
Tony Neves
‘Volta à África central em quatro subidas e aterragens’ podia ser um bom título de crónica,...
ver [+]

Guilherme d'Oliveira Martins
Javier Cercas aceitou acompanhar o Papa Francisco na viagem à Mongólia e o resultado é uma obra de antologia.
ver [+]

Tony Neves
Bangui assusta ao chegar, mas abraça ao partir. O aeroporto ainda obriga a imaginar os tempos duros da...
ver [+]

Pedro Vaz Patto
Se algumas dúvidas ainda subsistissem sobre o propósito do Papa Leão XIV de dar continuidade ao caminho...
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
EDIÇÕES ANTERIORES