Lisboa |
40.ª Bênção de Finalistas Universitários de Lisboa
“Restituam à sociedade, mas particularmente aos jovens, esta capacidade de ter esperança”
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O Patriarca de Lisboa presidiu à 40.ª Bênção de Finalistas, convidando os universitários a não se resignarem à guerra, à pobreza e à marginalização. D. Rui Valério garantiu ainda que os jovens finalistas “estão no coração do Papa Francisco”.

No início da 40.ª Bênção de Finalistas Universitários de Lisboa, na manhã deste sábado, dia 25 de maio, o Patriarca de Lisboa partilhou com os finalistas que, no dia anterior, tinha falado daquela celebração com o Papa Francisco. “Certamente acompanhastes pela comunicação social que esta semana os bispos de Portugal estiveram em Roma – chama-se visita ad limina – e ontem de manhã fomos recebidos, durante mais de duas horas, pelo Santo Padre, o Papa Francisco. Quando chegou àquele momento da nossa saudação, eu falei-lhe deste acontecimento, desta festa dos finalistas, e pedi-lhe uma mensagem para vós, do Papa Francisco. Ele olhou-me, emocionado, pronunciou a palavra ‘Lisboa’ e depois falou em espanhol e disse: ‘Os jovens de Portugal, finalistas, estão no coração do Papa!’ Esta é a mensagem: estais no coração do Papa e estando no coração do Papa estais no coração de cada português, de cada portuguesa. Portugal orgulha-se de vós. Parabéns, finalistas!”, garantiu D. Rui Valério.

 

 

Três desafios

A Bênção de Finalistas Universitários é organizada, por parte da Igreja, pelo CeUC - Centro Universitário Católico, Pastoral Universitária do Patriarcado de Lisboa, e teve como lema, neste ano 2024, ‘Deus faz grandes todos os nossos pequenos sonhos’. “O vosso percurso de formação foi feito de pequenos passos de estudo, de dedicação, de sofrimento, de abnegação. Pequenos passos que, no entanto, constroem e constituem um grande salto para a humanidade. Vós encarnais a capacidade que a humanidade tem em não se resignar às dificuldades que existem. Vós representais essa força inata, própria do ser humano, de querer vencer, de não se resignar à guerra, de não se resignar à pobreza, de não se contentar nem habituar à marginalização. Sois vós, finalistas, um enorme ‘salto’. Em vós, a humanidade inteira reconhece e reencontra o que de mais belo e nobre ela possui”, considerou, na homilia da celebração.

Na presença de mais de 4600 finalistas universitários, de 42 escolas, e perante uma assembleia estimada de 45 mil pessoas, entre professores, funcionários, familiares e amigos dos finalistas, o Patriarca de Lisboa salientou que “a humanidade acredita” e “necessita” dos finalistas, e apontou “três desafios” a estes universitários. “O primeiro é essa capacidade tão própria de um finalista e tão própria de um jovem, que é de construir pontes. O mundo prolifera, está abastado de construtores de muros, mas hoje necessitamos de construtores de pontes”, considerou.

Como segundo desafio, D. Rui Valério lembrou “os enormes de níveis de pobreza”. “Desde logo, porque o nosso mundo está a impedir o acesso ao conhecimento, ao saber e à Ciência as tantas franjas de humanidade”, lamentou, reforçando que “a pobreza brama pelo vosso empenho”. “Por favor, que o princípio de civilização, que os grandes princípios humanistas estejam presentes no vosso desempenho”, desejou.

O último desafio aos finalistas foi um convite a “acreditar”. “Vivemos um tempo em que se deixou de acreditar. Desde logo, deixou-se de acreditar no ser humano, deixou-se de acreditar na esperança, deixou-se de acreditar nas pessoas. E, contudo, nós sabemos que, sem essa capacidade de acreditar é como se a uma viatura faltasse combustível, a um ser humano faltasse a força transformadora, a força mobilizadora. Caríssimas e caríssimos finalistas, nas vossas especialidades, peço-vos, restituam à sociedade, mas particularmente aos jovens, esta capacidade de ter esperança. Ter esperança é possuir em si uma força mobilizadora, uma força transformadora”, pediu.

A última palavra do Patriarca de Lisboa aos finalistas foi um convite a deixarem-se “conquistar” por Deus. “Caros e caras finalistas, conquistastes uma meta, uma meta que é fonte de esperança sobretudo para a nossa sociedade. Então, hoje, peço-vos: deixem-se conquistar por Aquele que vos ama como Pai, vos ama loucamente. Esse Alguém é Deus, Nosso Senhor. Que o seu amor prevaleça no vosso coração, para que resplandeça naquilo que fazeis, naquilo que dizeis, naquilo que pensais. Parabéns, contai com a minha oração, com a minha admiração, com a minha amizade. E não vos esqueçais: estais no coração do Papa, estais no coração da Igreja, estais no coração da humanidade”, terminou.

 

Construtores

No início da celebração, a finalista Margarida, do curso de Direito, manifestou a alegria dos universitários. “Quando pensava no que podia dizer deste dia, tentando colocar-me no coração de cada um de nós, vinha-me ao pensamento o quanto sonhámos com este dia. Sim, queridos colegas, hoje é isto que celebramos: a alegria de estarmos aqui, a alegria que é termos chegado aqui, a alegria de podermos partilhar uns com os outros o que hoje transborda do nosso coração, a alegria de agarrarmos juntos os grandes sonhos que Deus agora nos coloca nas mãos”, salientou esta jovem, na saudação ao Patriarca de Lisboa.

Perante uma multidão com as pastas na mão, Margarida apontou ainda que “a diversidade de cores das nossas fitas faz-se, hoje, horizonte de esperança e compromisso de serviço para nós”. “Hoje somos chamados a construir este horizonte de Esperança feito dos conhecimentos que adquirimos e da formação que agora transportamos transformada em dom para os outros. Somos chamados a ser construtores da Paz. Somos chamados a comprometer-nos, já hoje, com aqueles que venham a precisar de nós e das nossas competências, mesmo sem lhe conhecermos, desde já, os rostos”, observou a jovem finalista.

As ofertas entregues pelos finalistas de cada escola, durante o ofertório, foram destinadas a 27 instituições de solidariedade do Patriarcado de Lisboa. O peditório da celebração entre as famílias, os docentes e funcionários destinou-se, em parte a um donativo para o povo ucraniano.

 

Bênção de Finalistas 2024

texto por Diogo Paiva Brandão; fotos por Arlindo Homem
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