Lisboa |
Obra da artista plástica portuguesa Fernanda Fragateiro
Patriarca de Lisboa encantado com a nova pintura mural na Igreja de Santa Isabel
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O Patriarca de Lisboa esteve presente na apresentação da nova pintura mural na Capela da Porta Dourada, na Igreja de Santa Isabel, em Campo de Ourique, Lisboa, da autoria da artista Fernanda Fragateiro. Uma obra, com um degradê em tons cinza, que tem “personalidade” e “uma dimensão histórica temporal”, segundo D. Rui Valério.

No final da tarde desta quinta-feira, dia 9 de maio, o Patriarca de Lisboa começou por “agradecer, do fundo do coração”, a pintura mural na Capela da Porta Dourada. “Fiquei enamorado da obra, imediatamente, primeiro porque há uma continuidade entre a obra e o ‘céu’, a eternidade”, observou D. Rui Valério, referindo-se ao teto da igreja, o ‘Céu de Santa Isabel’, que foi concretizado em 2016.

Para o Patriarca, “a parte central da obra”, da pintura mural, tem “personalidade”. “A dimensão histórica temporal da obra é refletida naquele fluído, naquela transitoriedade. Porque num instante nós estamos alegres, depois estamos tristes, depois estamos pensativos, e vejo isso naquela sucessão, naquele degradê, que vai mudando”, explicou. “Se há dimensão que caracteriza a nossa vida, enquanto seres históricos, é a transitoriedade, é a passagem”, acrescentou.

Sobre a porta dourada que dá nome à capela, D. Rui Valério garantiu que, “nesta porta”, vê “aquilo que é a essência do que é a Igreja”. “A passagem da nossa vida histórica pela porta para o céu. Se aqui temos eternidade e céu, ali [na pintura mural] temos a dimensão histórica, a dimensão temporal, a dimensão da nossa vida”, considerou.

“Agradeço muito esta obra. Certamente virei aqui muitas vezes, visitar esta igreja, porque aqui, neste conjunto, eu tenho esta passagem. Ali, trata-se aquilo que sou, no presente, mas que estou a caminho, passando pela porta da Igreja, pela porta que é Cristo, para a eternidade”, terminou o Patriarca de Lisboa.

 

Espaço de contemplação

A artista plástica portuguesa Fernanda Fragateiro agradeceu “o convite muito generoso” e disse que foi “muito interessante” colaborar “numa obra que é tão única”. “É muito interessante participar sobretudo em espaços religiosos na introdução de uma linguagem contemporânea”, frisou. Apontando que “a arte serve para resolver problemas”, a artista assumiu ter tido “liberdade” para “resolver este espaço”, que “era de atravessamento” e, “de repente, passava a ser um espaço de contemplação”. “Obviamente, em diálogo com todas as outras capelas, porque ela faz parte de um conjunto. Não podia ser pensada como uma peça individual”, salientou.

Fernanda Fragateiro explicou o que teve em consideração com esta intervenção, não só “na relação com as capelas que estão à volta”, mas principalmente “na relação com esta intervenção belíssima do Michael Biberstein – que é uma coisa que me diz muito”, confessou, referindo-se ao ‘Céu de Santa Isabel’. “Não queria fazer nada que perturbasse esta obra”, explicou. “Portanto, o trazer cor para o meu projeto era uma coisa que estava fora de causa. A cor já aqui está e não era preciso mais”, observou.

A artista, segundo explicou na apresentação da ‘sua’ pintura mural, teve também “atenção à luminosidade”. “Não queria trabalhar num espaço claro”, contou. “Trazer essa densidade de tempo e de camadas também me interessou”, partilhou. “Sendo uma capela para contemplar, teria que contar uma história, mas eu não tinha nenhuma história para contar. O padre José Manuel [Pereira de Almeida, pároco de Santa Isabel] já me contou as histórias, muito específicas, de todas estas capelas. Perante isso, achei que esta capela deveria contar a história do seu passado, como lugar de atravessamento. Embora fossemos tapar uma porta e deixasse de ser um lugar de atravessamento para o corpo, continua a ser um lugar de atravessamento para o olhar. Portanto, esta ideia de espaço sem fim, de túnel, de gruta, sempre usando não a cor mas esta sequência de cinzas. Este degradê não sei se me surgiu desde o início ou se foi dos próprios elementos daqueles vãos superiores das janelas. É um diálogo muito subtil, porque nem todos olhamos lá para cima. A capela deixa de ser um espaço só contido em si mesmo, mas ela cria tensões e relações com todas as outras aberturas da igreja”, explicou.

A artista plástica Fernanda Fragateiro desvendou ainda que teve “muito cuidado” para “criar uma coisa que lidasse com esta porta e com a parte superior da porta”. “Há ali uma zona vazia que nos permite perceber o que a peça é, e percebemos que o desenho desce por ali abaixo e continua”, enfatizou. “Este é um espaço de futuro, no fundo, e isso também me interessava, para não estarmos só agarrados ao passado”, terminou.

 

Um obrigado à artista e ao arquiteto

No início da sessão, o pároco de Santa Isabel, padre José Manuel Pereira de Almeida, agradeceu “muitíssimo, tudo”, à artista plástica Fernanda Fragateiro, particularmente “a sua presença, a sua arte e a sua intervenção”. O sacerdote destacou ainda a colaboração do arquiteto João Appleton, que “tem orquestrado todo este restauro da Igreja de Santa Isabel”, para “a pôr como ela está hoje, que é mais parecida como era, do que como já estava quando começou a intervenção”. “Para quem não se lembra, esta era uma igreja escura, com um teto de chumbo e tudo isto mudou em termos de luz graças à tua intervenção e da tua equipa”, assinalou o padre José Manuel Pereira de Almeida, dirigindo-se, de forma particular, a João Appleton.

 

Solução “maravilhosa”

Este arquiteto sublinhou que a “reinvenção da Igreja de Santa Isabel” tem sido “um processo complexo e muito longo”, que começou em 2009. “O ser longo tem sido uma vantagem para este edifício. Claro que 15 anos não é nada na história de uma igreja do século XVIII, com 300 anos, mas é muito mais tempo do que é normal neste tipo de processo. E uma das vantagens é que permite amadurecer e pensar melhor nas soluções. Por outro lado, permiti incluir equipas grandes, com muitas pessoas, e permite estabelecer uma relação com os edifícios e com as pessoas que tratam dos edifícios. Depois, permite ainda um certo grau de imprevisto, o que é bom e é o caso desta capela”, partilhou.

Se o teto do templo, o ‘Céu de Santa Isabel’, foi “o grande motor para arrancar com esta reinvenção da igreja”, a pintura mural na Capela da Porta Dourada surgiu “quando se libertou a capela”. “Isso colocou-nos uma questão porque tínhamos uma capela livre, com uma porta dourada incrível à frente, o que tornava difícil qualquer coisa que se fizesse. Era uma questão complexa e, com a concordância da paróquia e do padre José Manuel, propusemos chamar a Fernanda Fragateiro que é uma artista muita habituada a trabalhar com arquitetura”, explicou o arquiteto João Appleton. “Ela esteve aqui um dia, umas horas aqui sentada, e propôs esta solução que eu acho maravilhosa”, considerou o arquiteto, a propósito da nova pintura mural da Capela da Porta Dourada, na Igreja de Santa Isabel, em Lisboa.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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