Lisboa |
Obras de requalificação da Capela de Nossa Senhora dos Remédios, na Malveira
“Um lugar onde se vem à procura de remédio para as feridas”
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O Patriarca de Lisboa presidiu à Missa de reabertura da Capela de Nossa Senhora dos Remédios, na Malveira, após as obras de recuperação, conservação e restauro da pintura mural e dos azulejos. D. Rui Valério destacou o “remédio que Nossa Senhora, a nossa querida Mãe, tem para oferecer: o remedio do amor”.

É uma pequena ermida, situada na Malveira de Cima, que foi consagrada por decreto do primeiro Patriarca de Lisboa, D. Tomaz de Almeida, a 8 de maio de 1723. No dia em que se assinalaram 301 anos daquela data, o 18.º Patriarca de Lisboa esteve na Capela de Nossa Senhora dos Remédios, sublinhando que aquele era “um dia de festa”. “É um dia em que nós estamos a continuar um gesto que os nossos antepassados tantas e tantas vezes fizeram”, salientou.

Na sua homilia, D. Rui Valério começou por salientar que esta ermida “representa um lugar de procura”. “Esta capela que se ergue dedicada a Nossa Senhora dos Remédios só pode ser um lugar onde quem o visita, quem o frequenta, quem o procura, se sente ferido de alguma maneira, seja no corpo, seja na alma, seja no espírito. É um lugar por excelência onde se vem à procura de remédio para as feridas”, considerou, na celebração que decorreu no final da tarde desta quarta-feira, 8 de maio. “Ninguém vem até este lugar apenas por curiosidade, ou apenas e só para estar com quem O habita – que já é muito, que é o Senhor Jesus. Este lugar faz de cada uma e de cada um peregrino, um mendigo, daquela medicina, daquele remédio que não se encontra nas farmácias nem nos hospitais, nem nos centros de saúde ou nas urgências”, acrescentou.

Concretizando, o Patriarca referiu que o ‘remédio’ que se encontra naquela “maravilhosa capela” é “um remédio que vence a nossa solidão”. “Ao longo dos séculos, quem este lugar frequentou podia sentir-se, sobretudo nas horas de grande desolação, podia sentir-se incompreendido, só, frágil, abandonado. Vocês imaginem que desde 1723 até hoje, quantos foram os episódios muito difíceis, dramáticos, que o nosso povo, os nossos antepassados, viveram. Nossa Senhora dos Remédios é aquela Mãe querida que connosco, e por nós, promove a sua companhia. E este remédio é indispensável para os dias de hoje”, garantiu.

 

Remedio da “confiança” e do “amor”

O segundo remédio que “Nossa Senhora tem para nós”, naquela capela, é “o remédio da confiança”, segundo D. Rui Valério. “Vai sarar a ferida e a doença dos meus temores, dos meus medos, dos meus receios através do remédio da confiança”, assinalou, apontando que em terceiro lugar “há ainda o remédio do amor”. “É esse que nós procuramos ainda hoje neste lugar, junto da Senhora dos Remédios. Porque Ela nos compreende, porque Ela nos acolhe, porque Ela não nos julga. Reparem que em 1723 ainda não tinha acontecido a Revolução Francesa e as pessoas refugiavam-se neste local para encontrar, espiritualmente falando, um braço e uma mão amiga, um colo para estar. Os desabafos que aqui as pessoas fariam, as súplicas que elevavam ao Céu… Este é um lugar sagrado não só porque tem aqui a presença de Cristo, mas porque este chão certamente acolheu muitas lágrimas dos vossos avós, dos vossos tetravós e, quem sabe, dos vossos pais e até de vós próprios”, assinalou.

Perante responsáveis municipais e locais, além do pároco, padre Paulo Gerardo, o Patriarca de Lisboa terminou com um novo agradecimento, tal como tinha feito no início da celebração. “Obrigado, bem-haja, parabéns pela dedicação, pelo investimento que aqui fizeram. Merece! Se há lugares na terra que merecem toda esta dedicação é este. Devemos ter para com ele uma veneração. Aqui houve almas que se escancararam para Deus, aqui houve olhos que se emudeceram de lágrimas, aqui houve lábios que se emocionaram com preces, mas aqui houve corações que foram preenchidos por este remédio que Nossa Senhora, a nossa querida Mãe, nos tem para oferecer: o remédio do amor”, terminou D. Rui Valério.

 

Azulejos

A Capela de Nossa Senhora dos Remédios é marcada pelos azulejos do século XVIII. Segundo refere o site das paróquias de São Paulo da Malveira e de Santo António de Venda do Pinheiro, “desconhece-se a data da conclusão da ermida”. “A 8 de Maio de 1723, o primeiro Patriarca de Lisboa, D. Tomaz de Almeida, concedeu autorização aos habitantes da Malveira para construírem uma ermida da invocação de Nossa Senhora dos Remédios, provavelmente no local onde já existia uma outra modesta ermida. Assim, não necessitavam de deslocar-se à igreja de São Miguel de Alcainça, evitando deste modo o incómodo da distância e do caudal excessivo de algumas ribeiras durante o Inverno. No cruzeiro está gravada a data de 1771, e numa pedra colocada sobre a porta da sacristia a data de 1724. Desconhece-se a data da conclusão da ermida. A porta principal é precedida por um alpendre, com uma entrada e duas janelas. As paredes interiores são forradas a azulejos do séc. XVIII, representando episódios da vida de Nossa Senhora: apresentação de Maria no Templo, esponsais de José e Maria, batismo de Jesus, anunciação, assunção. Em 1999, recebeu grandes obras de recuperação. No dia 15 de Agosto ali se celebra Missa seguida de Procissão, assim como se celebra Missa na 1ª Sexta-feira de cada mês, às 09:30 (exceto Julho e Agosto)”, refere aquela página na internet.

 

Conferência do Patriarca Emérito

No próximo dia 14 de junho, sexta-feira, pelas 21h00, o Patriarca Emérito de Lisboa, Cardeal D. Manuel Clemente, vai proferir uma conferência a propósito da Capela Nossa Senhora dos Remédios, na Malveira de Cima.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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