Lisboa |
Votos perpétuos da irmã Rita Ornelas, das Servas de Nossa Senhora de Fátima
“Nada é de Deus que não seja de amor e para o amor”
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O Patriarca de Lisboa presidiu à celebração de votos perpétuos da irmã Rita Ornelas, das Servas de Nossa Senhora de Fátima, pedindo à jovem religiosa para “nunca deixar de ser verdadeiramente amor”. “Amor para Deus e amor para os outros”, salientou.

“Uma saudação afetuosa, preenchida e iluminada pela alegria de quem se sente agraciado, que é o caso de todas e de todos nós aqui presentes, por tomar parte e testemunhar um momento tão significativo não só na vida de alguém, mas sobretudo na vida do próprio Corpo de Cristo, da Igreja. A minha saudação à nossa irmã Rita, a quem eu desde já, e em nome da Igreja, testemunho e manifesto uma grande gratidão pela sua disponibilidade total”, salientou D. Rui Valério, no início da celebração de votos perpétuos da irmã Rita Ornelas, que teve lugar neste sábado, dia 20 de abril, na Paróquia de Nossa Senhora dos Navegantes, no Parque nas Nações, em Lisboa. Natural da paróquia de Nossa Senhora da Conceição, em Angra, nos Açores, a jovem religiosa de 34 anos está presente em Lisboa há vários anos, tendo estado quatro anos integrada nesta comunidade paroquial, que teve impacto no seu caminho de discernimento vocacional.

Na presença de muitas religiosas da congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima, incluindo a superiora geral, irmã Maria de Jesus Silvério, além de diversos sacerdotes diocesanos e também do reitor da Sé de Angra de Heroísmo, padre Hélder Miranda Alexandre, o Patriarca de Lisboa, na sua homilia, convidou a jovem religiosa a uma vida de oração e caracterizou o amor em três passos. “Nada é mais verdadeiro e ao mesmo tempo tocante que contemplar Deus, cuja essência é o amor. Deus é amor. Por isso, Deus é onde o amor é. O amor de Deus é comunicativo, expande-se e comunica-se na mesma medida em que Deus é comunicativo e se comunica. Não há nada que provenha de Deus, não há nada que seja de Deus, que seja obra sua e iniciativa sua que não seja amor. Tudo é amor”, começou por apontar.

 

Ser com, ser para, ser em

Para D. Rui Valério, “pensando em todos, Deus escolhe sempre alguns”. “Nada é de Deus que não seja de amor e para o amor”, reforçou. Neste sentido, referiu que a principal vocação dos cristãos é “serem chamados a ser amor”. “Amar é ser com. Quem ama, anseia, deseja estar com a pessoa amada. Só na comunhão, só no tu a tu com a pessoa amada nós encontramos e vivemos interiormente esta plenitude. E como é que uma religiosa vive esta vida de comunhão, de um tu a tu com Deus? Em primeiro lugar, fundamentalmente, com a oração. E a vida deve ser toda ela uma oração. Uma oração continuada, uma oração que às vezes assume o carácter de contemplação, noutras vezes de louvor, e quantas e quantas vezes de súplica e de pedido”, definiu.

“Só na comunhão com Deus se realiza uma integral comunhão com todos os irmãos e irmãs. Só neste encontro com Ele, quando Ele é verdadeiramente o nosso primeiro e principal Tu da existência, é que todos os outros deixam de ser desconhecidos e passam a assumir também essa relevância. É por isso, Rita, que tu terás o nome de irmã e todos te conhecerão assim. Não só de alguns, ou de algumas, mas de toda a humanidade. E cada ser humano te tratará como irmã. Que belo!”, acrescentou.

Como segundo passo do amor, além do ser com, o Patriarca apontou o ser para. “Só onde há amor verdadeiro, este amor divino, que a ti próprio te eleva a essa condição, pois só onde há esse amor há esta capacidade de nós, a nós próprios, nos tratarmos em segundo lugar. De nós, em relação a nós mesmos, dizermos para depois, porque em primeiro há sempre o outro e os outros”, explicou.

Em terceiro lugar, “amar é ser em”. “É a comunhão profunda. Uma invasão, quase, na pessoa amada. E nós damos esse passo de ser e de viver e de estar em Cristo justamente porque antes, em primeiro lugar, foi Ele que veio a inundar o nosso próprio ser da sua presença. Jesus não se acontenta – como diria o nosso povo –, não se limita em estar contigo, em ser para ti: Jesus quer estar em ti. Quer ser, tal como tu, protagonista da tua história, quer ser contigo a razão de ser da tua existência. Quer estar em cada circunstância e em cada situação da tua vida. Ao amor de Deus, nós respondemos com esta grandeza de amor”, frisou ainda D. Rui Valério.

 

Deus acontece

À jovem religiosa, o Patriarca de Lisboa deu como exemplo Santa Teresinha do Menino Jesus. “Não chega amar. Não chega realizar atos de amor. É preciso ser esse amor. Para que da mesma forma que de tudo aquilo que provém de Deus que é amor, assim também aquilo que será obra, ação, da nossa irmã Rita será amor. Um exemplo entre todas aquelas que consagraram a sua existência a Jesus Cristo, ao serviço da Igreja, ao serviço da humanidade, é Santa Teresinha do Menino Jesus, que era amor na sua verdadeira vocação. Nunca deixemos de ser verdadeiramente amor. Amor para Deus e amor para os outros”, pediu.

D. Rui Valério terminou a homilia lembrando que “a Deus nada é impossível”. “Irmã Rita, faz de lema da tua vida uma frase que o decano da Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Gregoriana, há uns anos, tinha à entrada do seu escritório: ‘Os milagres fazem-se imediatamente, aqui; as coisas impossíveis demoram só uma semana’. Porque a Deus nada é impossível, realmente. Serás, tal como todos nós aqui presentes, a prova deste tudo possível que Deus acontece. Vais ver, irmã Rita, que o teu ministério de irmã, o teu ministério de consagrada, é aquela de que em cada instante está a fazer com que o impossível se torne possível. A começar, como sabes, pela nossa própria vida. Contigo, com a tua amada congregação, louvemos o Senhor porque hoje é um dia grande para a Igreja”, terminou o Patriarca de Lisboa.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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