Lisboa |
Patriarca convida jovens a arriscar no Missão Agora
“A missão é algo que pertence à própria identidade de Deus”
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O Patriarca de Lisboa agradeceu a “presença e disponibilidade” dos cerca de 30 jovens que estão a iniciar um caminho de discernimento para poderem, eventualmente, participar no Missão Agora, o novo projeto juvenil que vai proporcionar, durante um ano, uma experiência missionária na diocese a 12 jovens. Apresentação do “projeto inédito” decorreu na paróquia de São Mamede, na noite desta quarta-feira, dia 17 de abril.

“Obrigado pela vossa presença e pela vossa disponibilidade. Estou convencido que, ao virmos aqui, não viemos só porque quisemos ou porque fomos convidados pelo padre Bernardo [Trocado, coordenador do projeto] ou porque alguém nos desafiou, mas fomos conduzidos e fomos trazidos pelo Espírito Santo. Foi Jesus que nos quis cá, esta noite, quanto mais não fosse para O escutarmos, para nos encontrarmos e para ouvirmos falar de um propósito eterno. A missão é uma coisa que não se esgota no tempo, nem sequer em circunstâncias pontuais que a História vai emergindo. A missão é algo que pertence à própria identidade de Deus, aquele sair e ir ao encontro do outro”, salientou D. Rui Valério, no início da sua intervenção, durante a sessão de apresentação do Missão Agora, deixando igualmente “um obrigado à equipa que tem preparado este projeto” que o “surpreendeu”.

“Isto é maravilhoso, porque significa que o Senhor está a fazer, realmente, coisas grandes em Lisboa com a nossa comunidade. Nós somos um dos primeiros frutos que desponta daquela sementeira que, há um ano atrás, estava a ser feita”, acrescentou o Patriarca, referindo-se à realização, em Lisboa, da Jornada Mundial da Juventude, em agosto do ano passado.

Aos cerca de 30 jovens que se mostraram interessados em conhecer o projeto Missão Agora, D. Rui Valério pediu que “estejam atentos” por estarem “a lidar com uma lógica que é ligeiramente diferente da lógica normal”. “Na lógica normal, se começas a distribuir o que tens, seja o que for, vais ficando privado daquilo; mas aqui, nesta maravilhosa dinâmica da evangelização e da missão, é ao contrário: na medida em que tu dás, tu recebes. Como diz São Paulo, ‘há mais alegria no dar do que no receber’. Na medida em que tu és cooperante, és colaborador na felicidade do outro, a tua felicidade está-se a construir. Na medida em que tu te dás, tu reencontras-te. E com Jesus é o mesmo: tanto mais tu partilhas, anuncias, testemunhas Cristo, tanto mais Cristo toma posse de ti próprio, da tua vida”, explicou.

 

“Coragem” para avançar na missão

Numa sala anexa à Igreja de São Mamede, no centro da cidade de Lisboa, o Patriarca lamentou ainda que a palavra “salvação” tenha “saído do nosso léxico quotidiano”. “Nos encontros de formação sucessivos do Missão Agora, nós vamos entrar, vamos mergulhar no que é que é isto da salvação. Mas a salvação é chegar ao fim do dia, por exemplo, olhar e dizer ‘valeu a pena, que maravilha eu ser pessoa’. Salvação é esta reconciliação consigo, é este sentir que verdadeiramente é belo ser a pessoa”, considerou.

Neste sentido, sublinhou que os 12 jovens que vão partir em missão “não vão em nome de uma ideologia, nem de um pequeno propósito ou de uma experiência fascinante”. “Não! Aquilo que nos mobiliza é eu ter a convicção de que por muito alegre que as pessoas estejam, podem estar ainda mais alegres porque vão encontrar a verdadeira alegria, a verdadeira felicidade, Jesus Cristo”, referiu.

D. Rui Valério terminou a aconselhar os jovens que estão em fase de discernimento a “não ficarem preocupados” com as várias questões do projeto e a terem “coragem” para avançar na missão. “Toda a logística, toda a estrutura, todo o planeamento de Jesus é exatamente para uma coisa: é que a salvação é Cristo. Não há mais nada! Ele é o Salvador, ele é a salvação. Que esta essencialidade de Cristo te anime o coração. Coragem! É bom andarmos nas hesitações, mas vou rezar para que, no fundo do vosso coração, vocês sintam um impulso e possam dizer o mesmo que dizia Charles de Foucauld: ‘Desde o momento em que eu O conheci, eu percebi que não Lhe podia dizer que não’. Quando vivemos isto interiormente, é realmente fascinante”, garantiu o Patriarca de Lisboa aos cerca de 30 jovens que foram conhecer o projeto Missão Agora.

 

Projeto inédito

Para o coordenador do Missão Agora, este é um “projeto inédito” no Patriarcado de Lisboa. “Este é o primeiro passo de um projeto inédito, um projeto absolutamente novo. É um autêntico milagre ver pessoas concretas nesta sala e ver que um projeto que começou por ser apenas uma ideia, que poucas pessoas começaram a sonhar, de repente já é uma realidade a acontecer e, neste momento, já alcançou os vossos corações ou, pelo menos, já alcançou o vosso interesse e curiosidade. Por isso, para mim, este dia já é um milagre e dou graças a Deus por isso”, começou por referir o padre Bernardo Trocado.

O jovem padre, de 35 anos, apresentou depois os padroeiros do projeto: São José, São Vicente e Santa Teresinha do Menino Jesus. “São José, pomos nele a nossa confiança para nos ir dando tudo aquilo que precisamos para a missão; São Vicente, que é o padroeiro da nossa Diocese de Lisboa; e Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira de todas as missões. Contamos com estes três amigos do Céu para esta construção e para esta missão”, pediu o sacerdote que é diretor do Setor da Animação Vocacional do Patriarcado de Lisboa e prefeito do Seminário dos Olivais.

Sobre como começou o Missão Agora, o padre Bernardo começou por lembrar a Jornada Mundial da Juventude, “que ficou gravada nas nossas memórias”, e “a chegada do nosso novo Patriarca, um sinal de grande esperança”. “Desde os primeiros tempos que nos fomos reunindo que o Senhor Patriarca foi imprimindo esta marca missionária na prioridade que queria dar ao acompanhamento dos jovens e foi repetindo, várias vezes, o seu sonho de colocar a Diocese de Lisboa em estado de missão”, partilhou o responsável, sublinhando que inicialmente o objetivo era “oferecer aos jovens um gap year missionário”. “Depois, surgiu a decisão de arriscarmos e avançarmos para oferecer à diocese o Missão Agora”, acrescentou.

 

“Para bem da nossa diocese”

Missão Agora é um projeto para jovens dos 18 aos 30 anos, “que será no máximo para 12 jovens missionários – dependerá do percurso de formação e do espaço onde ficarmos”. “Estes jovens serão enviados pelo Patriarca de Lisboa, não será apenas uma decisão pessoal, será um envio, para bem da nossa diocese”, explicou o coordenador do projeto.

“É destinado aos jovens que queiram oferecer um ano da sua vida exclusivamente para fazer missão – e sublinho este exclusivamente. Quem abraçar este projeto, quem arriscar entrar neste projeto, vai viver exclusivamente este ano para fazer esta missão. Isso significa uma interrupção dos estudos que estão a fazer, para alguns a interrupção do trabalho que estão já agarrar, se calhar alguns estão mesmo a precisar de fazer uma paragem e repensar a sua vida, repensar o seu futuro e aproveitar este projeto missionário para fazer esse discernimento”, concretizou o sacerdote.

Os 12 jovens missionários – “ou 6 ou 7 ou o número que Deus nos der”, salientou o padre Bernardo –, irão “viver em comunidade, na mesma casa, ao longo desse ano”. “A missão propriamente dita será de outubro [de 2024] até junho [de 2025], inclusive. Estes jovens missionários estarão ao serviço de comunidades paroquiais concretas da nossa diocese, que irão ajudar”, acrescentou, descrevendo, depois, os quatro pontos cardeais, ou quatro pilares fundamentais, do Missão Agora: “Norte, oração; Sul, vida fraterna e comunidade; Este, formação; e Oeste, missão”.

O padre Bernardo Trocado terminou a sessão de apresentação convidando os cerca de 30 jovens – e outros que, entretanto, se queiram juntar à formação – a “arriscar, sem estar à espera que esteja tudo garantido” “Deus salva o Mundo através de pessoas que arriscam dar o passo em frente. Sempre que Deus quer oferecer salvação ao mundo, há alguém que dá um passo em frente. E dar o passo em frente mesmo sem ter tudo controlado, sem ter tudo sabido, sem ter tudo dominado. Graças aos primeiros 12, os apóstolos, que se lançaram, que arriscaram, hoje estamos aqui nós”, resumiu o coordenador do projeto Missão Agora.

 

Fase atual

Este projeto vai agora iniciar a fase de discernimento, com três módulos de formação [Eu, o outro e Deus], que inicia ainda neste mês abril e dura três meses, a um ritmo semanal, às quartas-feiras, na Igreja de São Mamede. Nas duas próximas sessões, nos dias 24 de abril e 2 de maio (excecionalmente, uma quinta-feira, devido ao feriado da véspera), é ainda possível a participação de jovens que desejem conhecer o projeto e, eventualmente, tomar parte do Missão Agora. As várias sessões formativas terminam com um fim-de-semana de retiro, em local a designar.

Em julho, vai ter lugar o processo seleção dos 12 jovens missionários de Lisboa, que a partir de setembro iniciam a formação específica. No mês seguinte, em outubro, tem início o Missão Agora.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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