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Papa fala em paz para a península coreana e lembra mártir André Kim
O santo de Macau
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Numa altura de crescente tensão político-militar na península coreana, o Papa Francisco, que tem presente o que se passa nesta região do globo e tem falado várias vezes no “sonho da paz”, já chegou a dar como exemplo a vida e o martírio do Santo André Kim Taegon, que viveu “e estudou teologia em Macau”, que era então, no século XIX, uma colónia portuguesa e um lugar de referência para a Igreja Católica na Ásia…

 

“O futuro não se constrói com a força violenta das armas, mas com a força suave da solidariedade”, disse o Papa em Setembro do ano passado, num encontro com um grupo de fiéis da Coreia do Sul, por ocasião da inauguração no Vaticano de uma estátua ao primeiro mártir coreano, André Kim Taegon. Nesse encontro, e numa ocasião em que crescem sinais inquietantes de tensão político-militar naquela região do globo, o Papa lembrou a vida deste jovem que estudou em Macau e morreu decapitado aos 25 anos, e pediu a sua intercessão “para que se realize o sonho da paz na península coreana”. “Quando André Kim estudou teologia em Macau, foi testemunha dos horrores das Guerras do Ópio. Naquele contexto de conflito, conseguiu ser semente de paz, levando todos ao encontro e ao diálogo”, referiu o Santo Padre. Explicando que “não se pode seguir a Jesus, sem abraçar a Sua Cruz”, o Papa lembrou a história de coragem não só de André Kim Taegon mas também da sua família. “Ele dedicou-se ao anúncio da Boa Nova de Jesus com nobreza de espírito, sem recuar diante dos perigos e dos muitos sofrimentos. Sabemos que o seu pai e avô também foram martirizados e sua mãe obrigada a viver como mendiga”, disse o Papa. “Diante de tais exemplos, somos convidados a cultivar no coração o zelo apostólico; a ser sinais de uma Igreja que vai pelo mundo para pregar, com alegria, a semente do Evangelho, mediante uma vida de dedicação aos outros, na paz e com amor”, acrescentou. Referindo-se directamente à Igreja coreana, Francisco recordou que “ela nasce dos leigos e é fecundada pelo sangue dos mártires; as suas raízes são regeneradas pelo generoso impulso evangélico das testemunhas e pela valorização do papel e dos carismas dos leigos”.

 

O primeiro mártir da Coreia

A estátua do Santo André Kim Taegon (1821-1846), o primeiro sacerdote e mártir da Coreia, está agora num nicho do lado de fora da Basílica de São Pedro, no Vaticano. Tem quatro metros de altura, pesa cerca de seis toneladas e foi esculpida em mármore. À inauguração desta estátua assistiram dezenas de fiéis, que incluiu a celebração de uma Missa presidida pelo Cardeal Lazzaro Heung-sik You, que foi Bispo de Daejeon e é, actualmente, o prefeito do Dicastério para o Clero. O cardeal recordou que a Coreia do Norte é um dos países onde a prática religiosa é mais reprimida. Ainda recentemente, em Junho, num encontro no Brasil com católicos oriundos da península coreana, este prelado referiu “a situação muito difícil” em que se encontram os Cristãos que vivem sob o domínio do regime de Pyongyang. “Há mais de 70 anos que não temos notícias dos nossos irmãos. Lá não há bispos, nem sacerdotes. Para nós, é muito doloroso”, afirmou o Cardeal. A Coreia do Norte é considerado como “o país mais isolado” do planeta e tem vindo a ser classificado sistematicamente no Relatório sobre a Liberdade Religiosa, da Fundação AIS, como tendo “um dos piores registos de direitos humanos” em todo o mundo.

 

O desejo do Papa Francisco

No mais recente desses Relatórios, recorda-se o empenho pessoal do Papa Francisco no diálogo entre Pyongyang e Seul, dado que os dois países estão tecnicamente em guerra, pois apenas foi assinado um armistício após o conflito militar que decorreu entre os anos de 1950 e 1953. Actualmente, embora vacantes, as três dioceses católicas da Coreia do Norte continuam instituídas à espera de um dia poderem ser retomadas. Nesse dia, os Cristãos poderão celebrar, enfim, a coragem do Santo André Kim Taegon, decapitado no dia 16 de Setembro de 1846, aos 25 anos de idade, um santo que tem uma história ligada também a Portugal. Nascido em 1821 numa família de cristãos convertidos, André foi baptizado aos 15 anos e estudou no seminário de São José, em Macau. Durante cerca de seis anos, o jovem viveu nesta antiga colónia portuguesa onde existe também uma estátua sua, no Jardim de Camões, junto à Igreja de Santo António, que costumava frequentar.

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