Lisboa |
Procissão do Senhor dos Passos da Graça
Patriarca de Lisboa abençoa a cidade com o Santo Lenho
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D. Rui Valério abençoou a cidade de Lisboa com o Santo Lenho, uma relíquia da Cruz em que Jesus Cristo foi crucificado. Foi no final da Procissão do Senhor dos Passos da Graça, no final da tarde deste Domingo, dia 25 de fevereiro.

 

No Miradouro da Graça, após três horas de procissão a pé, desde a Igreja de São Roque, o Patriarca de Lisboa benzeu a cidade, debaixo da muita chuva que acompanhou o final da procissão. Estavam presentes o Núncio Apostólico em Portugal, D. Ivo Scapolo, e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, além de milhares de pessoas.

A tradicional procissão, que é organizada pela Real Irmandade da Santa Cruz e Passos da Graça e decorre, ininterruptamente, desde 1587, evoca a Paixão e Morte de Jesus Cristo. No Domingo II da Quaresma, a procissão percorre diversas artérias da cidade, entre as colinas de São Roque e da Graça, com paragem junto de sete ‘Passos’: Igreja de São Roque, Igreja da Encarnação, Igreja de São Domingos, Ermida de Nossa Senhora da Saúde, Passo do Terreirinho (Rua dos Cavaleiros), Casa de São João de Brito (a Santo André) e Igreja da Graça. A última e derradeira subida cumpre-se já perto do Miradouro da Graça, onde os badalos dos sinos anunciam a chegada das duas imagens, o Senhor dos Passos e Nossa Senhora, para o último passo, na Igreja da Graça.

“O nosso silêncio, Senhor, é também de hoje. É saber que Tu estás presente entre aquelas e aqueles cujo destino da história é madrasta, é difícil. Te reencontramos crucificado, Senhor, na vicissitude daquelas e daqueles que, movidos por uma necessidade social, profissional, se fazem ao mar, ao caminho e são migrantes. E Tu, Senhor, és crucificado aí, assim como és crucificado na Ucrânia, no Médio Oriente. Tantos inocentes são vítimas de ódio e de violência. Tu, Senhor, continuas a ser crucificado entre esses últimos. Aceita o nosso silêncio, Senhor, porque, maravilhados, contemplamos que o Teu lar, a Tua tenda é junto da pessoa, junto do ser humano. Mesmo que sejam pecadores, mesmo que sejam dois ladrões, mesmo que seja gente de má vida, de mau destino, o Teu lar é aí”, rezou D. Rui Valério.

Na reflexão final da Procissão do Senhor dos Passos da Graça 2024, o Patriarca destacou ainda uma atitude que a Igreja quer ter. “Hoje, Senhor, fala-se muito de inclusão. E a nossa cidade, o nosso Patriarcado, precisa, mais do que nunca, dessa sabedoria. Porque somos uma comunidade constituída por pessoas oriundas de tantas proveniências, tão diferentes. E como Tu, também nós, Igreja, queremos estar com eles e entre eles”, garantiu.

A palavra final de D. Rui Valério, neste último passo da procissão, foi um convite aos cristãos: “Tudo está consumado, Senhor. Contudo, nós, ao concluir esta maravilhosa experiência de celebração, de encontro, que foram os passos, sentimos que somos chamados a participar da Tua consumação. Como cristão que sou, como cristãos que somos, que nós sejamos no mundo a consumação de Deus, a consumação da salvação, a certeza presente consumada do seu amor por cada um. Conta connosco, Senhor! Conta com a nossa disponibilidade, na senda e na esteia de Maria, também nós, esta tarde, uma vez mais, Te dizemos: ‘Sim, faça-se em nós segundo a Tua palavra e a Tua vontade’ para que, como Tu, também nós digamos que tudo está consumado porque tudo Te é restituído. Tudo é teu, Senhor, e Tu estás com cada um. Obrigado a Ti”.

 

Percorrer hoje os passos do Senhor

O Patriarca de Lisboa presidiu, depois, à Missa, na Igreja da Graça, que se encontrava completamente lotada de fiéis. “Também nós, com a escuta da Palavra e com a nossa participação nos passos do Senhor, fomos constituídos apóstolos desta Vida, da vida que Deus veio para instituir no nosso coração e para instituir na nossa própria vida humana. É a vida divina, a vida de comunhão, a vida de serviço, a vida de entrega, a vida de abnegação. A Vida que abraça em si a morte, mas não morte com fim, mas de morte como Páscoa, como passagem do tempo para a eternidade”, assinalou.

Visivelmente emocionado por presidir, pela primeira vez, enquanto Patriarca de Lisboa, a esta celebração, D. Rui Valério destacou ainda a atualidade da Procissão do Senhor dos Passos da Graça. “Mais forte do que a morte é o amor. Tudo o que tu realizares, o que tu pensares, o que tu disseres que seja feito e inspirado, animado e realizado pelo amor, permanece pelos séculos. Hoje, pudemos repercorrer os passos do Senhor, que permanecem atuais. Hoje! Estes passos são de hoje! A hoje eles pertencem, porque são passos de amor”, terminou.

A Procissão do Senhor dos Passos da Graça é organizada pela Real Irmandade de Santa Cruz e Passos da Graça, com o apoio da Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa, sendo considerada, pela organização, a “mais emblemática e importante do período da Quaresma” na cidade de Lisboa. Com início na Igreja de São Roque, percorreu, ao longo de três horas, o Largo Trindade Coelho, a Rua da Misericórdia, a Rua Garrett, a Rua do Carmo, o Rossio, a Rua Largo 1º de Dezembro, o Largo de São Domingos, a Rua D. Antão de Almada, a Travessa Nova de São Domingos, a Rua da Palma, o Largo Martim Moniz, a Calçada dos Cavaleiros e a Calçada de Santo André, chegando, por fim, à Igreja da Graça.

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
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