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Patriarca de Lisboa no Faith’s Night Out
“Cristo vivo é a nossa esperança e a nossa salvação”
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O Patriarca de Lisboa foi um dos oradores do Faith’s Night Out, um evento organizado pelas Equipas de Jovens de Nossa Senhora (EJNS) que decorreu neste sábado, dia 24 de fevereiro em Lisboa e que contou com oito convidados, de diferentes idades, profissões e interesses, unidos na fé, na esperança e na partilha de experiências.

 

Com o auditório do Centro de Congressos de Lisboa completamente lotado, o Patriarca de Lisboa abriu a edição 2024 do Faith’s Night Out, este ano subordinado ao tema ‘É na esperança que somos salvos’. E foram exatamente as palavras esperança e salvação que levaram D. Rui Valério a recordar um episódio passado na capital da República Centro Africana e uma conversa com o Cardeal Arcebispo de Bangui.

“Quando lhe perguntei em que projeto é que Portugal e a Igreja portuguesa poderia colaborar, ele respondeu-me: ‘Sabe, desde 2013 que no meu país a vida parou. As crianças não vão à escola, as empresas não existem, o comércio não funciona, tudo está parado. No entanto, desde que começou a chegar ajuda do exterior, trazida por militares, nós achamos que estão novamente reunidas as condições para aproximar as nossas crianças da escola. Temos de salvar este país e temos esperança para isso’. E estas duas palavras proferidas naquele contexto, acreditem, tiveram uma ressonância inaudita no meu coração. Tantas vezes eu as tinha escutado, as tinha proferido, mas foi naquela desolação, naquele ambiente, que me tocou mais fundo”, confessa o Patriarca de Lisboa.

Para D. Rui Valério, “a palavra esperança, como dizia Charles Péguy, é aquilo que surpreende, que deslumbra Deus”. “Deus não fica tão deslumbrado com a nossa fé, com o nosso amor, mas com a esperança Deus deslumbra-se. Assim como ficamos deslumbrados com a sua obra criadora, mas particularmente com a sua salvação para nós. Significa que Deus não é só o nosso criador e reconhecido como tal, mas Deus é aquele que nos salva, que não nos deixa abandona”, refere.

 

Quatro palavras

O que é a esperança e a salvação? Para o Patriarca de Lisboa “é a marca essencial do cristianismo”. E explica: “Para nós cristãos o passado é sempre incompleto, é no passado que reconhecemos que houve o pecado. O presente é de redenção, de comunhão com Deus. Já o futuro é sempre de esperança. Nada como esperança e salvação é tão cristão”.

Segundo D. Valério, são quatro as palavras que formam a identidade da esperança e salvação. Mas avisa, “nunca te esqueças, no entanto, que a esperança deslumbra Deus e nós somos deslumbrados pela nossa vocação de sermos salvos. Uma realização plena do projeto que somos, aos olhos de Deus, aos olhos do mundo”.

Mas vamos às palavras: Resposta, Atitude, Eficácia e Cristo. “A esperança é uma resposta, tal como a salvação, é uma resposta. Mas a esperança é também atitude. Se a fé me oferece e me leva a um reconhecimento de alguém, a esperança é, quando emerge, aquela atitude de me apoiar nela. Mas a salvação é também uma atitude. A atitude que Deus assume que é sempre de te salvar, de te convocar para partilhares com Ele o mistério da própria vida”, disse.

De acordo com D. Rui Valério, “a esperança, tal como a salvação, é também eficácia”. “Porque pela fé acreditamos, mas é a esperança que confere aquilo em que eu acredito, quase uma densidade substancial de acontecer. A esperança é não ficar à espera. A esperança é capacidade de antecipar o próprio futuro, porque o começamos a construir, a tornar eficaz aquilo em que se acredita. Na esperança, a vida eterna, a ressurreição, a salvação não é algo distante, acontece hoje. Mas é também a eficácia que caracteriza a salvação de Deus: houve um tempo de promessa, agora há um tempo de realização”, acrescentou.

E finalmente, para o Patriarca de Lisboa, a esperança e a salvação são uma pessoa. “São Paulo insistentemente o referia, Cristo é a nossa esperança. E o Papa Francisco na exortação apostólica ‘Christus Vivit’, dirigida aos jovens, a primeira frase com que inicia é exatamente isto: ‘Cristo vivo é a nossa esperança’. Assim como Cristo é a nossa salvação”, apontou.

Cristo é o nosso salvador e Cristo é a nossa esperança porquê? O Patriarca de Lisboa responde: “Desde logo, porque Ele está presente; em segundo lugar porque quando arriscamos algo por Deus ou por Cristo nunca corremos risco, é sempre uma certeza. E, em terceiro lugar, porque Cristo é Aquele que efetivamente nos conduz na força do seu amor”.

Mesmo a terminar a comunicação, D. Rui Valério convida a assistência a uma viagem interior. “Gostaria muito que estas duas referências à esperança e à salvação nos transportassem para esta evidência de que o mundo novo que esperamos, esse mundo novo começa a acontecer cá dentro, em cada um de nós”.

 

Família Diniz

D. Rui Valério foi primeiro de oito oradores deste evento que contou também com a participação da Família Diniz, que partilharam com a assistência o impacto que teve a adoção do seu filho mais novo, com 99% de incapacidade. “Ao contrário do que se seria a expectativa, nestes 11 anos em nossa casa o Bernardo tem sido fonte de esperança para nós e para tantas pessoas nos sítios por onde passa”, disse Rui Diniz, frisando que a chegada do filho mais novo fez com que a família se envolvesse em iniciativas de promoção da integração das pessoas com deficiência. Carmo, a mãe, é diretora do Serviço Pastoral a Pessoas com Deficiência do Patriarcado de Lisboa.

A noite no Centro de Congressos de Lisboa ficou, também, marcada pelo testemunho de Norina Sohail, refugiada afegã que partilhou com todos a sua história de luta pelo acesso à educação.

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