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LOC-MTC de Lisboa
“Apostar na educação para os valores humanos e sociais”
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A Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz 2024, intitulada ‘Inteligência Artificial e Paz’, foi o tema de reflexão e aprofundamento que a Liga Operária Católica - Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC-MTC) da Diocese de Lisboa organizou, na Basílica da Estrela, em Lisboa. Em comunicado, este movimento da Igreja diz ser necessário “apostar na educação para os valores humanos e sociais, na regulação e na ética, onde o ser humano é o centro, agindo em coerência com os valores que defendemos na busca do amor, da justiça e da Paz para todos”.

Isidro Silva, o mais recente militante da LOC/MTC de Lisboa, que fez o compromisso em outubro passado, foi o orador convidado a refletir sobre a mensagem do Papa, no encontro realizado no passado Domingo, 7 de janeiro. “O Isidro começou por referir que a inteligência é a expressão da dignidade que nos foi dada pelo Criador, que nos fez à Sua imagem e semelhança e nos tornou capazes, através da liberdade e do conhecimento, de responder ao seu amor. Deus, ao dotar as pessoas de sabedoria, inteligência e poder criativo, espera que essas capacidades sejam colocadas ao serviço do progresso, através da ciência e da tecnologia e que conduzam o ser humano ao caminho da paz e que a riqueza alcançada seja distribuída equitativamente, para que tenhamos um mundo mais justo”, assinala a nota.

Segundo este militante do Grupo de Base de Odivelas, “o Papa refere a importância de, nos debates sobre a regulamentação da IA, serem ouvidas todas as partes interessadas, incluindo os pobres e os que ficam à margem nos processos de decisões globais”. “O Isidro continuou a sua reflexão salientando que a IA e a automação podem substituir tarefas repetitivas e rotineiras, o que já acontece em centrais de atendimento, sistemas de gestão de frota, de entre outros, onde estão a substituir os humanos em vários serviços”, alerta o texto.

O Santo Padre deixa alerta para situações em que as tecnologias podem “extrair dados que permitem controlar os hábitos mentais e relacionais das pessoas para fins comerciais ou políticos, muitas vezes sem o seu conhecimento, limitando o exercício consciente da sua liberdade de escolha”. A LOC/MTC de Lisboa manifesta, por isso, preocupação pela proteção de dados. “Quando se reúne toda a informação presente na internet, consegue-se obter e sistematizar dados sobre todos nós. Pensemos por um momento em todas as informações pessoais que a administração pública, hospitais, tribunais têm sobre nós. Pensemos também nos emails que já enviámos, em todos os comentários e opiniões que já colocámos nas redes sociais, em todas as fotos publicadas e, se não nós, que alguém colocou sobre nós. Com mecanismos de inteligência artificial, pode-se conseguir uma caraterização detalhada e individual de cada um de nós: que doenças temos, que convicções políticas, religiosas, que relações pessoais e profissionais. Quem tiver acesso a essa tecnologia saberá o que pensamos, em que acreditamos, o que nos motiva, o que nos preocupa. No fundo, saberá mais sobre nós, do que nós próprios. À escala humana, imagine-se o poder que tal representa. E isso permitirá saber a que mensagens somos sensíveis e que métodos utilizar para nos vender seja o que for ou para nos convencer a votar seja em quem for, ou a convencer-nos seja do que for”, explica este movimento.

Outra questão debatida foi “a obscuridade dos algoritmos” que “pode permitir que as decisões sejam tomadas com base em critérios que excluam direitos humanos, que ponham de lado os valores essenciais da compaixão, da misericórdia e do perdão”.

Como “perigo maior”, a LOC-MTC de Lisboa diz que “temos de considerar a possibilidade de a IA ser usada de forma intencional, deliberada, no sentido do mal, seja para manipulação de massas ou mesmo para o desencadear de guerras a nível global”. “A mensagem do Papa alerta em vários parágrafos para esta situação”, referem. “Esta situação é tão mais preocupante quando podemos ter máquinas de guerra autónomas, a combater sem supervisão humana”, acrescentam.

A Liga Operária Católica - Movimento de Trabalhadores Cristãos da Diocese de Lisboa deixa por isso nova chamada de atenção sobre a Inteligência Artificial. “Em conclusão, o Isidro recordou o que aconteceu em agosto de 1945, quando foram lançadas bombas atómicas sobre Hiroxima e Nagasaki e dos seus efeitos. Mas a questão é que a IA poderá provocar danos tão ou mais graves na Humanidade. Os seus avanços são menos visíveis. A IA, se for utilizada para o mal, terá a capacidade de manipular massas, eleger ditadores e desencadear guerras devastadoras”, frisam os militantes deste movimento.

 

fotos por LOC-MTC de Lisboa
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