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Patriarca de Lisboa inaugura Encontros Santa Isabel 2024
“Um centro onde os jovens possam ser jovens”
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O Patriarca de Lisboa apontou como prioridade estrutural para a diocese a criação de um centro de jovens. “Está planeado instituirmos, criarmos, um centro de jovens, onde eles se reúnem, onde eles se encontram, para viver a sua juventude naquilo que a juventude apela, seja para a espiritualidade, seja para a sua vida académica, seja para a sua vida social. Portanto, um centro onde os jovens possam ser jovens. Será um centro onde os jovens além de virem para estudar, virem para cultivar, numa posição de conjunto, comunitária, de partilha, uns com os outros, com espaços e momentos de reflexão, de espiritualidade, de aconselhamento, de escuta, de silêncio, de meditação. Um centro que fosse isto!”, revelou D. Rui Valério, no primeiro dos Encontros de Santa Isabel 2024, que decorreu na noite desta quinta-feira, 4 de janeiro, no auditório da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa.

Num diálogo com a jornalista Maria João Avillez, sobre ‘O encontro com Jesus, uma história de vida. «Manter viva a chama da JMJ»’, o Patriarca de Lisboa não se comprometeu “com prazos” para a criação desta nova estrutura, mas partilhou o desejo de que o futuro centro de jovens “seja qualquer coisa como um alfa”. “Que a partir deste e de todos os outros que já existem – e onde não existem, vamos criar outros – isto irradie por toda a cidade e por toda a diocese. O objetivo é que a partir deste dinamismo dos jovens nós pudéssemos contagiar, inundar todas as outras dimensões e faixas etárias da nossa diocese”, explicou.

“Gostaria que a Igreja de Lisboa fosse uma Igreja que se fosse plasmando à imagem e semelhança exatamente dos jovens! Não vejo outra maneira de o fazer se não assim [com a criação do centro de jovens]. Não chega pronunciarmos discursos, ou congressos, ou convénios ou textos para que isso aconteça. Aquilo que tem de acontecer é os jovens no terreno. Julgo que, a partir de um ponto alfa, se vai irradiar às periferias”, acrescentou.

 

“Sempre uma porta aberta”

Nesta noite de conversa, D. Rui Valério apresentou ainda “a particularidade” que deseja ver acontecer neste futuro centro de jovens. “Gostava que fosse um lugar onde quem não tem casa, quem não tem teto, quem se sente desamparado, soubesse que, ali, tem sempre uma porta aberta, soubesse que tem sempre, ali, uma mesa onde se possa sentar para saciar a sua fome”, partilhou, sublinhando que a “dimensão do serviço ao ser humano, de lhe prestar algo para o restituir à sua dignidade, à sua liberdade como pessoa, é extremamente importante”.

O Patriarca de Lisboa deu depois um exemplo para justificar a aposta nos jovens. “Uma coisa que me impressiona sempre que vou a Israel – hoje, não se sabe como é que será – é quando chegamos às fronteiras, as pessoas que nos estão a atender, a acolher, normalmente são jovens. Um dia, perguntei a uma pessoa já feita, com mais maturidade: ‘Porquê jovens?’, e ela deu-me uma resposta chocante: ‘São jovens porque o jovem não se corrompe’. E por isso eles estavam ali, na vanguarda. É assim que eu sonho que seja também a nossa Igreja com a sua juventude”, testemunhou.

 

 


Igreja missionária

No início da conversa, D. Rui Valério foi questionado por Maria João Avillez sobre ‘Como pode hoje a Igreja partir apressadamente, como pode o pastor levá-la consigo, dividida e em crise, aproveitando a responsabilidade da herança da Jornada Mundial da Juventude?’. Na resposta, partilhou como sonha uma Igreja missionária. “A Igreja missionária é aquela que é capaz de adiar o autocentramento sobre si própria. Uma Igreja missionária é uma Igreja que vive o problema do homem, do ser humano, vive descentrada de si. É uma Igreja que quer restituir a alegria àqueles que têm medo de si próprios, que têm medo de sonhar e, em última análise, têm medo até de Deus”, respondeu D. Rui Valério, reforçando que “a Igreja missionária nunca pode ser elaborada, sob ponto de vista nenhum, se não tem uma aliança com o mundo”. “Não há Igreja missionária sem mundo. Uma Igreja missionária é uma Igreja que vive e que quando tem de falar de si fala dos problemas das pessoas”, sublinhou.

Quatro meses após tomar posse como Patriarca de Lisboa, em setembro passado, D. Rui Valério foi também questionado sobre ‘o que quer renovar, pegar já e mobilizar para quê?’. “A Igreja em Portugal, mas em particular a Igreja de Lisboa recebeu uma graça imensa, incomensurável, que foi termos descoberto que a Igreja é uma Igreja jovem, mesmo que seja protagonizada e vivida por ‘jovens’ de 70 ou 80 anos. e o que é uma Igreja jovem? Desde logo, é uma Igreja que acredita, que acredita genuinamente. Esta juventude que nos foi proporcionada testemunhar e visualizar em agosto, ela diz-nos que esse é um objetivo, é uma meta e é um caminho da Igreja. Foi uma carta, uma herança que nós recebemos, e agora só nos é pedido estarmos à altura da mesma”, começou por responder.

“A Jornada Mundial da Juventude tem que continuar a ser, cada dia do ano, o que foi: entusiasmo, capacidade de surpreender, genuinamente acreditar, esperança, mas depois esta capacidade de servir, ir ao encontro de quem necessita, estar atentos a ele”, considerou.

 


Santidade das pessoas

Neste primeiro Encontro de Santa Isabel, o Patriarca de Lisboa apontou como “segunda prioridade” o “revitalizar, o revalorizar a caminhada da santidade das pessoas”. “Sobretudo, aquele cristianismo que era o itinerário. Não vou para os primeiros séculos da Igreja, vou para o tempo de Jesus: aquele cristianismo que era feito de simplicidade na oração, mas de tanta proximidade com Jesus, de tanto imediatismo com Ele. Qualquer sítio era um sítio indicado para estar com Deus, para se encontrar em Ele. Qualquer sítio era o sítio indicado para nós darmos testemunho do seu amor por nós. Ou seja, aquele itinerário que depois se veio a identificar como itinerário catecumenal”, referiu.

Esta etapa, considerou D. Rui Valério, é “uma urgência” porque “à medida que a pessoa vai progredindo no conhecimento da Palavra de Deus, no conhecimento de Jesus, vai plasmando a sua vida em conformidade”. “É aí que acontecem as grandes transformações do coração. É um caminho que nós temos que percorrer. Um dia, vamos ser uma Igreja, esta de Lisboa, onde quando se pergunta à pessoa ‘porque é que és cristã’ ou, melhor, ‘porque vens à Missa’, aquela pessoa tem uma história, uma relação para contar, um testemunho para dar”, desejou o Patriarca de Lisboa.

 

 

Mais três encontros

No início dos Encontros Santa Isabel, o pároco de Santa Isabel lembrou ser “tradição” esta iniciativa “ser sempre inaugurada pelo Patriarca de Lisboa”. “O Senhor D. Rui Valério, na carta que nos endereçou no início do seu pontificado, falava que era importante manter a chama da Jornada Mundial da Juventude. É essa a expectativa, para que não sejamos paróquias tipo lojas do cidadão espiritual, como referiu na homilia da entrada solene, nos Jerónimos, mas que sejamos de facto expressão da nossa comunhão”, salientou o padre José Manuel Pereira de Almeida.

Os Encontros de Santa Isabel 2024, de entrada livre, têm como tema geral ‘Empreendedores de sonhos, construtores da Paz’ e prosseguem nas três quintas-feiras do mês de janeiro, dias 11, 18 e 25. O restante programa pode ser consultado AQUI.

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