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Patriarca de Lisboa celebra Natal do Senhor na Sé
“Menino de Belém irrompeu na história para renovar a humanidade”
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O Patriarca de Lisboa apelou a uma “cultura de cooperação e inclusão” neste “momento tão decisivo” que o País está “a viver”. Nas celebrações de Natal na Sé Patriarcal, D. Rui Valério assegurou ainda que o Menino Jesus “mostra-nos a face maravilhosa de Deus”.

 

“O Menino de Belém fez de cada coração a pátria da comunhão com Deus e por isso, os tornou, laboratórios e lugares de acolhimento para todos. A nova vida de Deus irrompeu na história para renovar a humanidade e oferecer, a cada um, caminhos de amor, de serviço e horizontes de esperança. Por isso, a prerrogativa, até agora reservada à Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Filho, de se dirigir a Deus, chamando-o Pai, com a sua vinda ao mundo como homem, passou a ser privilégio universal da estirpe humana”, referiu o Patriarca de Lisboa, na homilia no Solene Pontifical do Natal do Senhor.

Na Sé Patriarcal de Lisboa, na manhã do Dia de Natal, 25 de dezembro, D. Rui Valério sublinhou que “tanto a comunhão com Deus ao nível da intimidade, como o vocativo de Lhe chamar «Abbá-Pai», deixaram de pertencer somente à esfera da transcendência, para, em Jesus Menino, se tornarem elementos estruturantes da vida histórica de santidade”. “Nessa medida, contudo, tornaram-se dons decisivos para também contruir a vida de união e de relacionamento com os outros. É na fonte dessa experiência de comunhão que assenta todo o projeto de fraternidade – ter Deus por Pai para acolher e tratar todas as pessoas como irmãos e irmãs – e no serviço – receber a nova vida divina implica dar a própria vida por amor a fim de que outros vivam”, salientou.

 

“Deus vivo e verdadeiro”

Na presença do Núncio Apostólico, D. Ivo Scapolo, o Patriarca respondeu à questão ‘Quem é o Deus que nos revelas?’, garantindo que é “um Deus vivo e verdadeiro que, por amor, enviou o próprio Filho ao mundo, a fim de o resgatar do pecado e da morte; veio também para dar a vida por cada um, e constituí-los filhas e filhos amados do Pai”. “O Natal é isto: Deus fez-Se um de nós, para que nós pudéssemos viver com Ele, tornando-nos semelhantes a Ele. Como sinal, escolheu o Menino no presépio: Deus é assim! Deste modo, aprendemos a conhecê-Lo. E em todo o menino, em todo o irmão pobre e vulnerável, brilha algo da luz daquela noite, o ontem continua a acontecer hoje. É esta proximidade de Deus que devemos amar e à qual nos devemos submeter, encarnando esse amor no amor aos outros e no serviço a eles”, apontou, acrescentando que “o Menino mostra-nos a face maravilhosa de Deus”: “Fazer-se pobre, baixar-se ao nível da sua criatura amada, Ele tão grande que Se pode fazer pequeno. Deus do amor, que assume a própria condição humana, por vezes penosa, como quando o cansaço invade a vida, ou o sofrimento inesperado surge sem motivo nem explicação, ou os homens se tratam como inimigos, explorando-se uns aos outros e, por vezes, até negando ao outro o direito de viver, ou recusando-lhe a possibilidade de ser livre e feliz…. Outras vezes maravilhosa, como na solidariedade e compaixão, ou na dedicação às causas da fraternidade, da paz, da liberdade e do amor…”

 

Cooperação e inclusão

No seu primeiro Natal enquanto Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério apelou a uma “cultura de cooperação e inclusão”. “Vivemos hoje, culturalmente, a atrocidade da bipolarização, que impõe a obrigatoriedade da provocação, do confronto inconciliável, que apenas gera divisão e é incapaz de fomentar uma cultura de cooperação e inclusão, de que tanto necessita o nosso País, particularmente num momento tão decisivo como o que estamos a viver”, alertou, destacando ainda a “relevância deste Menino para a humanidade e para cada um de nós”. “Ver e contemplar a glória de Deus significa estar em grado de abraçar, acreditar e compreender que “tudo se fez por meio d’Ele” e sem Ele nada foi feito, nada tem sentido, nada tem consistência. Ser regenerado na vida d’Aquele que hoje nasce em Belém, significa não ter outra vida senão a vida em Cristo; não possuir outro ser que não seja o ser sustentado pelo seu Amor”, terminou o Patriarca de Lisboa.

 

“Caminhar e estar connosco”

Na Noite de Natal, a 24 de dezembro, o Patriarca de Lisboa presidiu à tradicional Missa do Galo, na Sé Patriarcal. “Aproximando-nos do mistério que o Natal celebra, e o Presépio retracta, acolhamos o grito imortal, «não temais», proclamado nos campos da Judeia, na noite do nascimento do Salvador, e eternamente entoado ao longo das duras e incertas horas noturnas da história”, começou por sublinhar D. Rui Valério.

Nesta celebração, que teve início à meia-noite já do dia 25 de dezembro, o Patriarca convidou a não temer e a não ter medo. “Não temais: a força da vida nova que o Menino do presépio oferece, para inaugurar uma nova manhã na vida da humanidade, e de cada um de vós, sem guerras, sem orgulho e sem inveja; uma nova manhã a despontar sobre as noites solitárias de Deus para transformar todas as solidões do mundo. Não tenhais medo: da força do amor que o Menino quer infundir a todos, para ser, finalmente, o amor, o critério e a medida, da aproximação aos outros, à existência e a todas as criaturas”, explicou.

Para o Patriarca, “na pessoa do Menino de Belém encontramos o realismo da vulnerabilidade humana, a fragilidade própria de quem, sozinho ou isolado, nada pode, nem sequer sobreviver, mas depende totalmente dos outros”. “O Menino de Belém não veio ao mundo apenas trazer exortações de boa conduta moral, mas para assumir as contradições da história, os paradoxos dos homens e as tragédias do mundo revela que a redenção das trevas para alcançar a luz é a vocação de tudo o que existe. Nada vive ou é para a perdição, mas tudo e todos está chamado à Salvação”, assegurou.

D. Rui Valério frisou ainda que o Natal “consagra, definitivamente, a perpetuidade da vinda eterna de Deus até nós como artigo fundamental da nossa fé, porque nos impele a considerar, com a mesma relevância da certeza de que Deus existe, o facto certo de que vem ao nosso encontro, para caminhar e estar connosco”.

 

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Fotografias do Natal do Senhor na Sé de Lisboa

Missa do Dia de Natal 2023

 

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Mensagem de Natal do Patriarca de Lisboa

“Caros amigos, obrigado por dispensarem algum do vosso tempo para me escutar. Uma abençoada noite, seja em casa, no aconchego da família, ou no cumprimento do dever profissional e social; num hospital, num Lar de idosos ou em casas de acolhimento para crianças e jovens; em viagem ou em condições de doença e debilidade; em companhia de outras pessoas ou na solidão do esquecimento. Um Feliz e Santo Natal na comunhão com Deus invisível, mas presente no coração de cada um”. Foi desta forma que o Patriarca de Lisboa iniciou a sua Mensagem de Natal 2023.



Na Noite de Natal, a 24 de dezembro, a mensagem foi transmitida na RTP 1 e na Renascença, com D. Rui Valério a não esquecer a guerra e os problemas sociais. “Chegamos ao Natal com a amarga sensação de que o projeto de civilização inaugurado pelo próprio nascimento de Jesus Cristo, e maturado ao longo dos séculos, está a regredir. As guerras em curso, na Ucrânia, no Médio-Oriente, ou na República Centro Africana; a crise ecológica mundial; a tragédia do não-acolhimento dos migrantes… são sintomas disso mesmo. Também no nosso país, as notícias do aumento da pobreza, do número de famílias que, na labuta do dia-a-dia, têm cada vez mais dificuldade em fazer face às necessidades básicas são sinais de um país que dificilmente consegue estar à altura de dar uma vida digna aos seus cidadãos: de lhes proporcionar os devidos cuidados de saúde e de habitação; uma educação condigna, onde haja professores e condições para ensinar e aprender, enfim, de abrir perspetivas de futuro para todos”, lamentou.

Lembrando que é “nos estábulos da exclusão, nas manjedouras da marginalização e nas periferias da noite que o Filho de Deus nasce”, o Patriarca apontou o “convoca o melhor do ser humano, e sintoniza-nos com o que de mais belo ele é capaz: é capaz do conhecimento sublime de Deus como Pai, e de cada um se ver como irmão e irmã”. “Sim, o Natal convoca o melhor que temos porque Jesus, o Emanuel, é o Deus connosco. Mas, o Natal vai mais além: independentemente da etnia e da cultura, o mundo inteiro vê confirmado o Projeto de Deus na humanidade. Ele não desiste das pessoas. Sente-se a força de uma confiança renovada em cada um, em cada mulher e em cada homem. Ele próprio se faz homem, faz-se um de nós, em todas as circunstâncias da Vida”, observou D. Rui Valério, que terminou a sua primeira Mensagem de Natal enquanto Patriarca de Lisboa com um desejo: “Quando o próprio Deus se faz homem, em Jesus Cristo, se identifica connosco, estamos perante a mais pujante afirmação de confiança na humanidade e na presença da mais bela declaração de amor aos homens e mulheres por Ele amados. E, pressentimos que só o amor é decisivo para afirmar, promover e salvaguardar a dignidade dos seres humanos criados à sua imagem e semelhança. Que as luzes das cidades não ofusquem a Verdadeira Luz trazida pelo Deus Menino, Ele que é a Luz do mundo. Um Santo e Feliz Natal”.

 

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Missa de Natal da Cúria Diocesana

O Patriarca de Lisboa presidiu à celebração de Natal da Cúria Diocesana, no dia 22 de dezembro, na Igreja de São Vicente de Fora. “Saúdo todos os colaboradores e todos os que constroem, dia após dia, com muito empenho e dedicação, este grande e maravilhoso projeto de serviço, que é a nossa Cúria Diocesana, que é, sem dúvida, ela própria, o rosto da unidade que todos nós somos chamados a zelar e a anunciar, Jesus Cristo, Deus feito Homem”, salientou D. Rui Valério, no final da Missa, que teve a participação da Capella de S. Vicente.

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